segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

eu

eu ainda nao acredito que ser fragil com conviccao e verdade pode me dar força. eu ainda nao acredito que as coisas existem e acontecem por razoes desconhecidas. eu ainda nao acredito que as noites sao oportunidades de esperar pela claridade. eu ainda nao acredito que a verdade é transformadora. eu ainda nao acredito que eu posso confiar no que eu acredito. eu ainda nao acredito que as pessoas passam pelos mesmo dilemas existenciais que eu. eu ainda nao acredito que posso realmente escrever algo bom. eu ainda nao acredito que exista destino. eu ainda nao acredito.

eu ainda.

eu.

eu quero acreditar nas palavras. eu quero acreditar nas minhas sensacoes. eu quero acreditar ainda mais na vida bem vivida. eu quero acreditar no futuro. eu quero acreditar que faco o melhor que posso com o meu passado e que sei deixa-lo onde ele deve estar.

eu ainda nao acredito que, na verdade,
ja acredito no amor de verdade.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Desconstruindo ditados

Se correr a vida cega, se ficar a vida some.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Até felicidade

são aqueles dias em que a gente tem vontade de conversar com pessoas que saibam olhar no olho, que suportem o silencio, que relembrem o que é mesmo vital de se manter. são aqueles dias em que tudo parece meio trivial, e que a gente busca pelo que realmente faz sentido. são dias em que se sente um pouco de raiva, um pouco de angústia, um pouco de irritação por ainda não podermos ser tudo que queremos. são dias em que a gente quer acreditar que está sendo ouvida, em que a gente precisa saber que as pessoas que nos são caras estão por perto, que estão travando as mesmas lutas que nós, que não vão esquecer de nós. sao dias em que podemos nos permitir ser um pouco tristes, porque isso também é liberdade e por que não, até felicidade.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Pássaro que sabe quando deve voar rumo ao chão é que sabe ser livre

Como eu poderia explicar ao pássaro que ficou preso no último andar do prédio que para ele se libertar ele deveria voar para rumo ao chão, que é a saída para a rua da garagem por onde equivocadamente ele entrou?

Assisto impotente ele se debater contra o teto do prédio, machucando suas asas. Ele jamais poderia pensar que voando para baixo encontraria o caminho para sua liberdade. Pássaro aprende a voar para o alto, para frente. É assim que ele vive e acha que pode sobreviver. Mas nesses voos muitas vezes impensados ou não calculados pode-se entrar em armadilhas, que não são feitas por ninguém, que fique claro. Apenas acontecem. E então o menos provável para a salvação parece ser a ida às profundezas, a descida.

Sigo escutando o barulho angustiado das asas contra as paredes e penso em nós, em nossas encruzilhadas, e em nossos medos de voarmos para baixo, sem sabermos que muitas vezes é caindo que poderemos voltar a voar. E aprender a usar nossas asas para sermos efetivamente livres.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A resposta é a desgraça da pergunta

Hoje tive a honra de ser a convidada da Carol no seu delicioso blog "Vinhos, viagens, uma vida comum,...e dois bebês!"

Obrigada, minha amiga!

sábado, 23 de outubro de 2010

Sentidos


É na intensidade das coisas que os sentimentos parecem se esconder o mais fundo possível, como se quisessem nos desafiar, testar para saber até onde iríamos para realmente conhece-los. Ate onde podemos persegui-los? Até onde queremos realmente encontra-los?

Eu não sei se exagero nos meus confrontos ou se menosprezo minhas ideologias mais fúteis. O que sei é que de tempos em tempos a ameaça do fim da ilusão de eternidade me assombra e por vezes é muito mais do que temor existencial.

É um susto por perceber o quão grande é a vida, o quanto podemos, se quisermos ou conseguirmos, sugar dela o máximo, aprender com ela, ganhar com ela, perder com ela, morrer com ela. Essa vida do dia-a-dia mesmo, não a vida enquanto conceito abstrato ou generalista. Senão acreditamos que a vida é uma coisa imensa, intangível e até impossível. Enquanto que o que ela realmente é só aparece nas coisas mais simples. Sentir é estar vivo. Parece simples, mas não é.

A busca de um sentido para a vida, independente das circunstâncias. Eu não entendo mais nada de circunstancias, expectativas ou resultados. Eu só entendo o que eu sinto e já faz um tempo que é desse código que venho me ocupando. O sentido é sentir.

Pensar é necessário, saber deixar-se sentir é sagrado.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O pacote da vida


Eu preciso respirar fundo e conviver mais com a minha escrita. As palavras passeiam pela minha cabeça mas eu não acho que venho as tratando com o respeito que merecem. Eu conto que elas vão seguir por aí, esperando por mim. Mas palavras são como o tempo: não esperam e nem cobram. Simplesmente passam e somem, se não forem devidamente degustadas.

Eu não quero mais perder palavras nem tempo. A vida vem me ensinando a ter menos pena da vida. São sentimentos ambiguos, colaterais, perplexos. É o pacote de estar viva que às vezes fica gigante feito presente de aniversário que uma criança quer agarrar com as duas mãos e não consegue porque é tão maior do que ela mesma.

Eu quero rasgar meu pacote com entusiasmo infantil, para descobrir logo como brincar com essa vida.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Quanto mais, mais


Quanto mais tempo fico sem escrever, mais coisas tenho para dizer, e portanto mais dificil fica de escrever.

Quanto mais medo tenho de viver todos os riscos que uma vida pressupõe, mais vontade dá de arriscar tudo só por breves e incontroláveis momentos de felicidade.

Quanto mais eu aprendo a expressar meus desejos, mais eles me agradecem e me presenteiam com sua presença consciente -os bons e os ruins. Porque sentimento ruim também pode ser dádiva.

Quanto mais eu aprendo, mais eu me vejo menina.
Quanto mais eu me molho, mais aprendo a reconhecer quando a chuva está por chegar.

Quanto mais eu leio Clarice, mais e mais eu amo Clarice.

Quanto mais eu amo, mais percebo que esse amor que vem de mim acaba voltando para mim, como um auto-amor, simplesmente pela possibilidade de exercer a liberdade de amar (quase) sem medo.

Quanto mais eu escrevo, mais eu não sei.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Chega mais perto

Senta aqui, chega mais perto, porque tenho tanto a te contar. Já faz tanto tempo que não te vejo e a vida não tem mais sido a mesma. As pessoas hoje conversam por uma tela de computador e eu sinto falta de enxergar o meu reflexo na retina de quem me ouve.

Chega mais perto porque preciso te contar de tudo o que venho ouvindo e vivendo, preciso que entendas tudo que se passa comigo e que saibas que hoje eu já não sou mais a mesma. Às vezes eu penso que devem existir várias outras de mim soltas aí pelo mundo, uma para cada época do que fui. Deve ter gente que nunca vai ter uma réplica sua na vida, não é mesmo? Fica sempre igual a vida toda. Eu devo ter tantas cópias de mim soltas por aí...

Mas senta aqui, chega mais perto e conta um pouco de ti. Mas não conta qualquer coisa. Me fala de ti, me fala do que tu sentes, do que és, me fala do que tu nem mesmo sabes e que somente quando ouvires as palavras saaindo da tua boca é que vais perceber quanta coisa havia aí dentro. Fala comigo e deixa que eu acompanhe teus lábios, deixa eu saber e entender quem és, mesmo que a gente se conheça há tanto tempo... Parece que ninguém mais sabe conversar hoje em dia.

Chega mais perto, pega na minha mão e olha silente nos meus olhos. Apenas por alguns instantes. Não precisa ser sempre, porque dói. Olha o suficiente para que eu te leias, o suficiente para que a gente lembre que palavras tantas vezes não atingem o que pode dizer uma lágrima.

Eu olho para essa cidade que hoje nos cerca; seus carros, seus edifícios, seus operários fardados de gravata... Haja céu para tanto concreto. Haja reflexo para tanta luz. Eu que já não entendo mais tanta coisa e ao mesmo tempo vejo tudo mais claro, me vejo hoje em olhos de mulher feita, e isso me agrada.

Não fala nada e nem precisa lembrar do que eu acabei de dizer. São só palavras. Apenas chega mais perto, aperta minha mão, e vive esse mundo todo aqui comigo.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Des-abafos

"Quando a felicidade chegar tenha o cuidado de olhar em sua bagagem para certificar-se de que ela já não pesa demais e que ainda há espaço para o novo. Espero que não tenhas permitido que as rodinhas dela tenham quebrado e o zíper emperrado. Há que se fazer lugar para ela porque ela é matreira e fugidia. Não tente carregá-la consigo porque ela não é coisa, não é o destino, é somente mais um caminho. As vozes ao teu redor tentarão te atrair para os pequenos hojes e as pequenas raivas mundanas. E precisarás dessas coisas também, para respirar um pouco. A verdade sufoca, às vezes, quando em excesso. Mas essas pequenas tristezas e os grandes dramas que nos contam são também nossos e o cansaço é permitido desde que seja louvado ( e não propagandeado). Eu não tenho medo da minha bagagem e nem do meu cansaço. Eu tenho medo é dessa anestesia que me rodeia. Eu tenho medo é dessas palavras sem boca que voam por aí virando vocabulário do mundo. Eu acredito que preciso descansar um pouco da minha alma inquieta, mas talvez não. Talvez eu tenha passado a vida toda descansando e agora o que eu preciso é da exaustão. Do irracional e do ilógico, porque eu não suporto mais esse apaziguamento retido. Eu não suporto mais falsos moralismos, lições prontas, frases feitas, roupas que não me cabem e auto-enganação"

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Ímpar

Acontece em algumas tardes, quando a gente começa a olhar para os próprios pés dando passo após passo por uma rua qualquer e sente o impacto do asfalto fazendo o corpo todo vibrar e pensa: "Sim, eu estou aqui bem viva e talvez eu não precise muito mais do que esses passos, do que essa minha vontade de caminhar". São tardes quentes, tardes de chuva, tardes de vento. Pequenos momentos gigantes de amor puro e verdadeiro para com a pessoa que mais importa no mundo. A estima pelos poros, pelas lágrimas, pelas saudades já sentidas, pelas esperanças perdidas, pelos desejos que ainda nem se revelaram, pela vontade de se conquistar. É bom ser feliz por só ser. É bom respirar sem tropeços, é bom ter asfalto sob os pés e nuvens dentro dos olhos. É bom caminhar. Com ou sem rumo. E depois, somente depois, dessa sensação poderosa, é que a gente consegue enxergar -ah, e que visão - que pode existir outro par de pés que podem caminhar ao lado. E consegue sentir - e com que arrepio - que há uma nova cadência regendo o asfalto conosco. E esse ritmado de quatro pés vira sinfonia. Novos pés que nos acompanham e que trazem consigo uma mão calorosa para se entrelaçar à nossa, pés e mãos que a gente escolheu e permitiu que ali estivessem. Pés para os caminhos que se decidirem abrir. Pés para se entrelaçarem na cama e mudar o mundo. Pés para seguir respirando e agradecendo. Em cada uma dessas tardes, em mim.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

eu


eu preciso entender que vida é essa que escapa das pessoas e que vida eu julgo deter.


eu preciso aprender a exigir menos de mim e a dar o que posso.


eu preciso ver que o que tenho e posso é o bastante, apesar de não me contentar só com isso.


eu preciso parar de pensar de vez em quando, e apenas sentir.


eu preciso parar de tentar antecipar os desejos dos outros porque isso é impossível


eu preciso lembrar de antes de mais nada agradar e agradecer a mim mesma.


eu preciso estar sempre lembrando que as outras pessoas tem suas escolhas, suas renúncias e seus tempos.


(...)


O que eu preciso é lembrar que na verdade eu não preciso de nada, que tenho tudo o que eu quero e posso até agora, que eu sou tudo o que posso ser, por enquanto.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

18

Felicidades sempre bateram à minha porta
Trazendo o dia dezoito como sua marca
E foi assim, em mais um dia dezoito,
que tu chegastes. E por aqui ficou.

Ficou porque eu consegui ficar também.
Ficou porque me alimentas e
me fazes estar mais comigo também.

Ficou porque me ensinou a ser tua sem lição nenhuma
Ficou porque me conquistou rápido e devagar
Criando uma velocidade só nossa,
que eu jamais poderia inventar.

Eu fiquei, tu ficastes, estamos ficando,
e assim vamos permancendo.

Que nossos dezoitos sejam muitos
que o amor nunca pereça frente aos desafios
frente a nossas dores, nossos medos,
e nossas novidades.

Que o dezoito seja sem fim.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

vendaval

eu quero que essa ventania não vá embora sem levar com ela as coisas que não quero mais, os modos que não me pertencem mais, as lembranças que em mim não couberem mais.

eu quero que essa ventania não vá embora antes de deixar comigo as marcas do que ela pode trazer, as notícias do que vem pela frente, a cadência do que estou em vias de conquistar, mesmo que as novidades sejam reinvenções do que já vivi.

amo o vento. amo o seu atrito suave, que não é sólido, não é líquido, nem é gasoso. o vento só é vento quando encosta nas coisas, quando tira as coisas do seu lugar, quando trepida e desorganiza. é o movimento que ele provoca que denuncia sua presença.

Eu quero ser vendaval.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Pequenas gravidades

Eu não sei que peso a gravidade exerce sobre mim, o quanto ela me puxa ao solo e o quanto eu luto para seguir flutuando para enxergar além das obviedades. Eu quero sentir o chão sob meus pés, eu quero solo firme, solo fértil, quero realidade, quero presença. Mas tenho medo que essa concretude me impeça de voar. Eu, que sempre fui aérea, eólica, aquática, mas nunca antes terrena e arenosa, percebi há algum tempo que é preciso também apredender a se materializar.

A gravidade não é grave. Grave é não ter asas, grave é temer a gravidade.


Ser complexa é dificil nos dias de hoje. O mundo pede resolutibilidade. Eu quero ser simples e complexa. Organizada e complexa. Terrena e sobrenatural. Será que dá para me entender? E parece que quando fico mais complexa, quando começo a flutuar, a gravidade me puxa, me faz voltar, e eu deixo para trás as coisas que eu escrevo na minha mente. E quando as perco do papel elas se perdem de mim, as palavras. Eu visito sensações e idéias que não conseguem virar palavras e isso me estremece. É como se estivessem mil palavras à minha espera, esperando para serem escritas. Mas que presunção, então eu penso. Milhões de palavras são ditas e escritas todos os dias, por que logo as minhas?


Talvez o desafio da vida seja justamente esse, de poder ser grave, de sentir a gravidade, os pés no chão sem deixar de gravitar. Será que as pessoas conseguem fazer isso? Eu teimo em acreditar que sejamos ou terra ou ar. Eu acho que é possível esse encontro do devaneio com a responsabilidade.


Sinto que a hora da escrita vem chegando. Quem sabe ela seja a resposta, a aliança entre terra e ar. Dar ao devaneio um destino concreto, palpável. Transformar o sonho em folha. Talvez seja isso chegar na maturidade. Ainda não sei, sigo caminhando, gravitando, refletindo, escrevendo. Sabe-se lá onde isso tudo vai parar.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Eu aprendi, Clarice



"Não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. Até cortar os defeitos pode ser perigoso - nunca se sabe qual o defeito que sustenta nosso edifício inteiro… Há certos momentos em que o primeiro dever a realizar é em relação a si mesmo. Quase quatro anos me transformaram muito. Do momento em que me resignei, perdi toda a vivacidade e todo interesse pelas coisas. Você já viu como um touro castrado se transforma em boi. Assim fiquei eu… Para me adaptar ao que era inadaptável, para vencer minhas repulsas e meus sonhos, tive que cortar meus grilhões - cortei em mim a forma que poderia fazer mal aos outros e a mim. E com isso cortei também a minha força. Ouça: respeite mesmo o que é ruim em você - respeite sobretudo o que imagina que é ruim em você - não copie uma pessoa ideal, copie você mesma - é esse seu único meio de viver. Juro por Deus que, se houvesse um céu, uma pessoa que se sacrificou por covardia ia ser punida e iria para um inferno qualquer. Se é que uma vida morna não é ser punida por essa mesma mornidão. Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo o que sua vida exige. Parece uma vida amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma. Gostaria mesmo que você me visse e assistisse minha vida sem eu saber. Ver o que pode suceder quando se pactua com a comodidade da alma."

segunda-feira, 26 de julho de 2010

XXXII

Eu estou prestes a completar 32 anos de vida. Trinta e dois. Parece tão estranho.

Ainda me sinto uma menina e ao mesmo tempo uma senhora. Me sinto renascendo e também aprendendo a morrer. Eu já tenho mais calma, mas também mais pressa. Pressa de poder viver o que estou escolhendo, calma de esperar o que ainda não quero mas que já descobri.

Amar parece óbvio mas foi descoberta recente. Amor entrega, amor risco, amor amor. Me absolvi dos erros que eu já cometi ao poder viver de maneira nova, com a verdade bem ao meu lado, ou melhor, dentro de mim. Posso dizer que venho me perdoando.

Eu sigo querendo aprender a lidar com as palavras e respeitá-las, respirá-las, honrá-las. Eu sigo querendo ser melhor, exigir mais do que quero ser e menos do que fui. Venho me permitindo esperar mais de mim, mesmo que eu chegue a me desapontar.

É uma lição de humildade e de auto-reconhecimento ao mesmo tempo, isso de se tornar melhor e mais do que já se é.

Aprendo cada dia mais que as pessoas são imprescindíveis e que eu posso sim ser indispensável. E ainda assim ser descartável. Sem dramas, nem deméritos. Simplesmente porque a vida é assim. Ela e seus paradoxos. Ah, os paradoxos! As ambiguidades, as ambivalencias! Outra descoberta recente, a de que elas sempre existiram e eu era quem nunca tive coragem de olhar para elas.

coragens. medos. ganas. raça. confiança. entrega. incerteza. vinculo. esperança. vulnerabilidade. vontade. futuro. laços. asas. flores. chuva. corrida. sorrisos. amor.

Que meu caminho para os 33 seja cheio dessas palavras; que minha vida seja plena de novas descobertas e que eu não canse nunca de me perguntar, de pensar, de confiar, de temer, de me atirar e de crer. Sempre crer.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Confessando à vida


Esse é o título do meu novo blog. Um espaço mais profissional, com relato de vivências, experiências, reflexões e um pouco de teoria a respeito do desafio diário de lidar com a perda e com a ameaça de se estar enfermo, seja física ou psicologicamente.

Opinem, divulguem.

Obrigada.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Será que é isso?

...e quando te sinto assim perto fico pensando que fui eu quem consegui chegar tão próximo, quase colar em tua presença, te deixar entrar em meu mundo e ainda assim tentando te mostrar quem sou para que me vejas outra, para que me vejas nova e não apenas complemento de ti. Porque quero ser tua multiplicação e tua adi(c)ção.

Nesses dias de amor intenso e puro eu fico aqui me perguntando que pedaço é esse de nós que a gente empresta, ou dá ao outro que nos faz olhar para esse outro e para nós mesmos com novos olhos? Quem é esse ser que nos tornamos, os amantes e os amados, que nos faz tão belos e tão assustadoramente inteiros, apesar de sempre incompletos?

Eu nunca tive tanto medo e tanta coragem ao mesmo tempo.

Talvez seja isso, amar.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Lindo

"Ler é fazer amor com as palavras"
Rubem Alves

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Quente


Eu quero vestir cada linha, cada palavra do que eu leio como se fosse a roupa do meu corpo. Melhor, eu quero que a palavra seja a minha própria pele. Suave ou forte, mas que revesta a minha alma.

O que se lê e se inscreve na pele não se apaga, não se despe, não se perde.

Eu quero cada letra e toda sabedoria que elas podem me despertar. E que então minha pele vá se espessando, crescendo, até que as roupas se tornem meros adornos, comecem até a rasgar-se e tornarem-se desnecessários, porque o calor já estará vindo de dentro de mim para debelar qualquer inverno.

terça-feira, 6 de julho de 2010


Talvez eu seja essa condição intermediária que já percebeu há algum tempo que não existem presentes, nem conquistas, nem vitórias mas que também não existem derrotas. Porque pensar isso pressupõe pensar que existem antagonismos que na verdade são a mesma face de uma mesma moeda. É a velha lógica do bom e do mau, do certo e do errado, do vilão e do herói. E na vida real as coisas não são assim tão simples.

O que existem são acontecimentos. O que existem são expectativas e vontades. Eu não sei se sou melhor ou pior do que ninguém porque estamos todos em pontos completamente diferentes e ao mesmo tempo, todos no mesmo barco. Eu não sei de que ponto você partiu até porque nem sei onde você quer chegar. Aliás, onde está a estrada? É engraçado começar a se ter a noção clara de que se está tomando um rumo leal ao nosso próprio coração ou à nossa propria sensação mas ao mesmo tempo perceber - e consentir - que há cada vez menos estradas ou rotas para se chegar a isso.

Não há porque temer. Não há estrada, não há destino, não há competição além das que travamos conosco. E em nossas lutas diárias perde-se muito mais por se julgar só ganhador do que por realmente ganhar o aprendizado de perder.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Essa vida é uma rótula


Hoje de manhã, enfrentando a rótula da Nilo Peçanha, aqui em Porto Alegre, fiquei pensando que a vida é bem parecida com uma rótula de trânsito.

Em princípio, deve-se dar preferência a quem já esteja trafegando nela. Precisamos saber a hora certa de poder entrar, de pedir passagem, para que não haja colisões.

Mas todos, todos, deveriam ter que parar. Mas quase nunca é o que acontece. Quem vem da Nilo Peçanha, avenida grande, de maior velocidade, parece que se sente no direito de seguir adiante, à frente de quem vem das ruas menos movimentadas.

Eu, no trânsito e na vida, quero andar pelas vias menos usadas, não quero trafegar onde todo mundo trafega, não quero dirigir rápido demais. Quero parar alguns segundos antes de cada rótula para ver o que está a minha frente.

Eu sempre paro nas minhas rótulas. Tem gente que ignora as suas. Ignora até que existam outros carros querendo passar também. Carros maiores, menores, mais velozes, mais potentes, mais antigos, mais chiques. Mas são todos carros.

Somos todos gente. Sei lá, não quero ser atropelada nessa vida, não quero mais colisões e nem quero ter perda total. Porque a vida real não tem seguro.

terça-feira, 29 de junho de 2010

9 coisas que eu aprendi


A minha amiga querida Carol me fez um desafio lá no blog dela e eu aceitei, mas acabei subvertendo um pouco a proposta. A idéia é falar 9 coisas sobre mim. O que farei aqui é expor 9 coisas que eu acho que aprendi... Lá vai:

1) Que as coisas realmente não acontecem por acaso, acontecem por escolha: Eu não consigo mais aceitar essa idéia de coisas pre-destinadas, coisas guardadas. Não posso mais aceitar me sentir vitima ou presenteada pelas coisas que ainda não aconteceram e nem tentar me consolar dizendo a mim mesma que é porque ainda não era hora. Se não era hora é porque eu não fiz ser a hora ainda, e que dá para fazer ser. Dói, mas isso se chama responsabilidade. E tolerância à frustração.

2) Que o que é meu não está guardado: Posso estar sendo cética, pessimista ou niilista demais, mas nada está guardado esperando por mim. Como pode algo que eu ainda nem sei o que é, estar esperando por mim? O que eu gostaria que estivesse esperando por mim há 5 anos atrás já não me serviria mais hoje. Eu estou indo lá buscar o que quero agora, com esse olhos de adulta. Prefiro que nada me espere, e que tudo o que eu queira eu faça estar ao meu alcance, se possível.

3) Que não existe isso de "Não era a minha intenção": Isso me cansa. Ok, pessoas podem ter atitudes erradas, escolhas erradas, mas necessariamente podem ou precisam pensar nas consequencias de seus atos. Ninguém (supostamente) quer ferir ninguém, mas não dá para passar a vida cometendo atos sem pensar que eles podem ter consequencias e que entao, se algo não sai como esperávamos, precisamos assumir a responsabilidade pela escolha de cada ato.

4) Que é mentira esse papo de que quando Deus fecha uma porta, abre uma janela. Ah, não. Deus não faz nada. A gente é quem deixa o vento bater as portas ou janelas na nossa cara se não for atento o suficiente para entrar antes. Ou sair. Isso pode começar a parecer pesado, mas acho muito melhor pensar que as coisas estão muito mais sob meu controle e suscetíveis a minhas escolhas.

5) Que amigos são a família que a gente escolhe: Ah, como eu aprendi e venho aprendendo.

6) Que quem se ama não se trai: Acho que trair é a pior auto-traição que se pode cometer. Muito mais mal do que ao outro, se está fazendo mal a si próprio. Porque fidelidade é amor próprio. É auto-estima.

7) Que eu posso não saber a resposta: Ah, como é bom poder dizer que eu não sei quando eu não sei. Como é bom poder ser aprendiz, para mais aprender...

8) Que dizer que se ama a quem se ama não é estar vulnerável: Pode até dar medo, mas dizer que se ama a quem se ama, ao contrário de fraqueza, é estar forte, é estar entregue e inteira. Liçãozinha difícil, importante dar uma revisada nela para não esquecer nunca mais.

9) Que os olhos são o espelho da alma: Os meus, ao menos, são o retrato da minha. E os seus?

Quem estiver disposto a fazer esse mesmo exercício, faça. Vale a pena.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Meu mergulho é para poder voar


e me da essa vontade de começar a escrever sem parar e de que as coisas aconteçam do jeito que eu quero e que o mundo me enxergue como eu sou e que eu possa parecer um pouco mais com quem eu devo me tornar. mas eu nem sei a que vim e nao sei quem me viu e quem me vê. eu sou um ponto de interrogação que voa pelo ar buscando algum lugar seguro para pousar.

mas nao existe segurança na vida, nao existe porto alem das próprias inquietações que carregamos sozinhos. mas sei que podemos encontrar cumplices pelo caminho. quer ser meu cumplice? quer mesmo saber o que acontece no espaço entre o riso da interrogação e o ponto final que o encerra? esse vão, esse espaço que sempre me desacomoda. é essa não resposta, é esse vento, esses olhares perdidos que me desviam os responsáveis pelas minhas dores. e eu não posso dizer que nao as sinto e você tambem não.

eu não quero mais estar em meio a pessoas que não conseguem dizer que sofrem e que tem dúvidas também. eu não quero mais pessoas que não conseguem admitir a si mesmas que tem dias ruins e que tem medo. não sei se é porque não quero me sentir sozinha com esse medo existencial justamente quando a solidao é meu maior aprendizado. essa solidão interna, solidão doída, crua, que todos temos e passsamos a vida sonegando de nós.

não nos presenteamos com nossa solidão porque temos medo demais que nossos abismos apareçam. eu ja me atirei dele tantas vezes depois da primeira vez que fui jogada e nada aconteceu. nao morri. eu respiro. sinto que o vento demarca meus próprios limites e permaneço em queda livre. até começar a aprender a voar de verdade. e ver se tu voa comigo.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

E você, consumou a sua vida?



Diálogo entre Josef Breuer e Friedrich Nietzsche:

"- Está claro agora que nosso principal erro foi considerar Bertha como alvo. Não escolhemos o inimigo certo.

- E ele é...?

- Você sabe, Josef! Por que fazer com que eu diga? O inimigo certo é o significado oculto de sua obsessão. Pense em nossa conversa de hoje; repetidamente, temos retornado aos seus temores do vazio, do esquecimento, da morte. Isso está no seu pesadelo, no solo se liquefazendo, em seu mergulho pela laje de mármore. Está no seu medo do cemitério, em suas preocupações com a ausência de sentido, em seu desejo de ser observado e lembrado. O paradoxo, o seu paradoxo, é que você se dedica à busca da verdade , mas não consegue suportar a visão do que descobre.

- Mas também você, Friedrich, deve estar assustado com a morte e a ausência de Deus. Desde o comecinho tem me perguntado: "Como suporta isso? Como é que você conseguiu se haver com esses horrores?"

- Talvez seja hora de lhe revelar - respondeu Nietzsche, assumindo ares grandiloquentes - Até agora, eu achava que você ainda não estava preparado para me ouvir.

Breuer, curioso quanto À revelação de Nietzsche, resolveu, ao menos dessa vez, não objetar à sua voz de profeta.

- Não ensino, Josef, que se deva "suportar" a morte ou "aceitá-la". Isso seria trair a vida. Eis minha lição para você: Morra na hora certa!

- Morrer na hora certa!? - A frase abalou Breuer. O agradável passeio vespertino tornara-se terrivelmente sério. - Morrer na hora certa? O que quer dizer? Por favor, Friedrich, eu já disse mil vezes que não aguento mais ouvi-lo dizer coisas importantes de forma tão enigmática. Por que faz isso?

- Você fez duas perguntas. A qual delas devo responder?

- Hoje, fale sobre morrer na hora certa.

- Viva enquanto estiver vivo! A morte perde o que tem de pavoroso quando a pessoa morre depois de haver consumado a própria vida! Quando não se vive no tempo certo, não se consegue morrer na hora certa.

- O que significa isso? - Perguntou Breuer novamente, ainda mais frustrado.

- Pergunte a si mesmo, Josef: Você consumou a sua vida?

- Você responde a perguntas com perguntas, Friedrich.

- Você faz perguntas que já sabe responder - revidou Nietzsche.

- Se eu soubesse a resposta, por que perguntaria?

- Para evitar conhecer sua própria resposta."


*Do excelente livro "Quando Nietzsche Chorou", de Irvin Yalom

terça-feira, 15 de junho de 2010

Dos amores calmos


Eu tenho um amor calmo
desses que serenam quando venta
desses que amansam quando arranho

Amores calmos
não são amores mornos
amores mansos ou quietos

Amores calmos são confianças
mesmo certos da incerteza
do próprio tempo do amar

Amores calmos são aqueles
que nos fazem acreditar em amanhãs
mesmo que só cheios de ontens

O único amor definitivo
é esse que carrego em mim
Amor vivo, ousado e assustado

Eu sou a calma do amor que carrego
Eu sou a paciência da tua ousadia
Eu sou a inquietude do nosso futuro

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Sabe aquela coisa?


"- Bom, feliz talvez ainda não. Mas tenho assim... aquela coisa... como era mesmo o nome? Aquela coisa antiga, que fazia a gente esperar que tudo desse certo, sabe qual?

— Esperança? Não me diga que você está com esperança!

— Estou, estou."

Caio Fernando Abreu

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Offer

As idéias que eu tenho sobre as coisas me assaltam e vão embora rápido demais se eu não as cobro. E eu sou muito, muito fácil. Não cobro nada. Nem delas nem de ninguém. Daí fico assim esperando pagamentos de dívidas que ninguém sabe que assumiu comigo.

Talvez eu seja a anti-heroína que ainda insiste em ser a mocinha.

Pode ser que assumir minha condição clandestina e ilícita na vida possa ser bem mais divertido e eficaz. Estarei mais perto de minhas origens. Sem deméritos a essa condição, que fique claro. São estéticas, posícionamentos e reflexos de espelhos que já se quebraram antes mesmo de eu existir. Eu não sei porque a melancolia me visita com frequencia, e eu aprecio essa passagem, mesmo não vendo motivos reais para que ela chegue. Ela simplesmente vem e eu a respeito. Eu que sou melancólica e eufórica.

Hoje cada cutícula está me ardendo, e ando pensando muito na minha pele. Estou sempre entre a cruz e a espada, tomando o corpo hora como santidade em sua concretude, hora como mero invólucro de uma alma ou um espírito, que é realmente o que me importa. Eu trabalho com peles machucadas envolvendo almas feridas. Qual se auto-flagelou primeiro eu nunca saberei. Tento dar conta dos meus ferimentos e dos alheios. Não porque goste ou mereça, simplesmente porque preciso. Porque eu não consigo ser só isso. Porque sou tão pouco ainda e preciso de muitas ventanias.

Precisarei oferecer o que ainda não possuo para ter o que mereço?

"And where, where do I go to feel good?
Why do I still look outside me
When clearly I've seen it won't work?"

*Inspirada por essa música que não ouvia há tanto tempo e que me tocou hoje.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Essa mania de amor e de amar



O amor não me separa
do amor. Pode separar-se
de si em mim, mas não

me separa de mim em si.
Nem que me turve com
sua doçura ou me adoeça

de sua beleza e me ofusque
com rigor, encharcando-me
de seus olhos, o amor

não me separa do amor.

Maria Carpi

É isso aí...


Os dados estão lançados.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Sai da frente

As coisas nunca mais serão as mesmas.

Porque já vi que nada disso é suficiente.

Porque faz tempo que as coisas precisam ser como a gente sabe que precisam e já não podemos mais nos permitir dizer que não conseguimos fazer nada.

Porque ultimamente eu ando precisando é ver para poder crer.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

eu não sei não ser assim

E eu que fico aqui pensando no que posso escrever nesse blog, que hoje tem 113 seguidores que não sei o que ou porque leem e não sei se o que digo faz algum sentido, se tudo isso aqui não é um grande teatro e se a vida não é uma grande fachada e se as pessoas não pensam assim como eu; as pessoas não pensam no fim, não pensam no infinito, não pensam nas perdas, na dor nos desencontros.

Eu não sei se sou só eu que sou assim de se perguntar das cores do céu, do comportamento do mendigo na rua que fala sozinho; que espero enxergar amor nos olhos das pessoas até chorar. Eu não sei se sou só eu que acredito na complexidade, que vibro com insunuações, que respiro divagações e busco suportar e acreditar nas ambiguidades. Eu, que sou pequena e gigante, que sou futil e complexa, que sorrio por qualquer elogio bobo, eu, que sou uma resposta a perguntas dúbias.

Eu sou receptáculo de mensagens contraditórias e ainda assim acredito nas pessoas, acho que devia acreditar mais em mim, mais nas pessoas que me querem bem, acreditar mais que eu sou do bem e e que posso ser do mal também. Eu preciso aprender mais sobre o mal, sobre o meu mal e os maus. Preciso ranger mais os dentes, ser aguerrida comigo e com os meus dedos.

Eu preciso escrever mais, preciso que as pessoas me escutem. Mas por que? Por que essa necessidade de ser lida, por que essa vaidade? Porque as coisas só ganham vida quando saem da mente, porque a vida é so vida quando a gente vê que pode perde-la assim por tão pouco. E o perde-la não se refere à morte mas sim a perda da vida que acontece bem antes. Porque a gente não pode ser só isso. Porque podemos ser mortais, mas temos que ser eternos.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Sempre com Clarice, só para não deixar de sonhar

"Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes… tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.

Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
- E daí? Eu adoro voar!

Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre. Não me mostrem o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração. Não me façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre."

segunda-feira, 24 de maio de 2010

E tu, quem és?

Eu quero vomitar. Ninguém escreve a palavra vômito. A sonoridade dela nos é feia porque associamos a palavra ao ato, e ninguém gosta de vomitar. Pois então eu quero vomitar e quero escrever o que ninguém aguenta, eu quero ler e ver tudo aquilo para o qual as pessoas tapam olhos e ouvidos. Porque eu nao consigo tapar os meus, mesmo quando eu tento, e por isso escuto e vejo tudo.

E escuto o que não quero, escuto o que nem mesmo é dito, escuto corpos, escuto olhares e por vezes escuto demais, escuto o que é da minha voz e não da voz do outro.

Tem dias que eu pareço tão porosa e cansada que preciso gritar e preciso falar e digitar, mesmo temerosa sobre como essas palavras serão interpretadas. Mas na verdade não quero obter qualquer tipo de gratificação ou crítica. É como se eu fosse um diário para mim mesma e para quem quiser chegar perto e me ler, porque eu já me desencadeei.

Eu li há poucos dias que há gente que já nasce póstuma. Ninguém quer deixar de ser lembrança, de ser semente. Eu ainda não estou certa do que venho deixando de legado, porque ainda estou vivendo os meus, para aproveitar os que me servem e vomitar os que me empurraram goela abaixo.

Agora eu já não sei se me olho no espelho todos os dias para lembrar de quem eu era e lhe dar adeus, ou se é para acompanhar quem eu me tornarei. Não sei exatamente para onde estou indo, mas isso não tem mais me tirado o sono. Tenho sorvido goles de calma, apesar dos engasgos de medo; e com o devido cuidado para não me embriagar. Porre de calma anestesia a vida.

Minha ressaca é das doses de verdade que eu venho tomando todos os dias. Uma dependente dessa droga que me cansa, mas me salva. Eu sou um poço de perguntas, um jato de idéias, um chafariz de descobertas, um muro de indagações, ventania de amor e solidão. Eu sou o que eu nunca imaginaria ser, eu me torno o que preciso, e eu não serei o futuro que eu nunca imaginei.

Por tantas vezes eu sinto medo do futuro não chegar, sinto medo de não estar percorrendo o trilho certo. Ou será que é o medo de ter finalmente descoberto que não existem trilhos, que o caminho é campo aberto, mata fechada esperando pelo meu facão?

Eu sou o fio do meu facão. A tênue linha entre o caos e a razão.

Eu sou o medo de (me) perder.

Eu sou a perda.

E tu, quem és?

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Give love, give love, give love!!!

Can't we give ourselves one more chance?
Why can't we give love that one more chance?
Why can't we give love, give love, give love, give love
give love, give love, give love, give love, give love

'Cause love's such an old fashioned word
And love dares you to care for
The people on the edge of the night
And love dares you to change our way of
Caring about ourselves
This is our last dance...
This is our last dance,
This is ourselves.

terça-feira, 18 de maio de 2010

...

Não, não adianta me perguntar por que as coisas são assim ou então por que, para ser suave, é necessário arder. Eu não sei as respostas para as perguntas da vida e não sei como se faz para aliviar a dor. Não tenho respostas, não tenho antídotos e nem receitas. Eu só sei que parece que as pessoas sabem que precisam aprender mas não se deixam ensinar. Eu só sei que tem poucas, tão poucas pessoas com quem a gente realmente consegue sentir-se único e compreendido. Espero que você tenha encontrado a sua. Espero que você tenha aprendido a lição, de que a negação não nos torna felizes. O paradoxo da alegria está justamente na capacidade de suportar a dor, o medo da finitude, a pequeneza de nossa capacidade de escolha perante a vida e os acontecimentos que ela nos impõe. Nossa impotência.
Mas não somos pré-determinados, não somos pré-conduzidos, não estamos pré-destinados. Estamos vivos. E se você escolher viver, meu amigo, precisa doer. E se quiser doer, doa de verdade, até o fundo. Para que no fim da vida (se você tiver o privilégio de perceber quando essa hora chegar) você feche os olhos sabendo que viveu de verdade.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

mais uma sexta feira

E as sextas-feiras se sucedem sem nunca trazerem o final de semana. São semanas ininterruptas as que vivemos tateando e tentando ser mais felizes. As sextas-feiras às vezes me trazem mais cansaço porque me lembram que os fins se sucedem antes mesmo das coisas poderem começar de verdade. Procuro pela sexta feira, procuro pelos meus começos, antes que o fim...

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Auto-biografia em 5 capítulos

1. Ando pela rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Eu caio...Estou perdido... Sem esperança.
Não é culpa minha.
Leva uma eternidade para encontrar a saída.

2. Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Mas finjo não vê-lo.
Caio nele de novo.
Não posso acreditar que estou no mesmo lugar.
Mas não é culpa minha.
Ainda assim leva um tempão para sair.

3. Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Vejo que ele ali está.
Ainda assim caio...
É um hábito.
Meus olhos se abrem.
Sei onde estou.
É minha culpa.
Saio imediatamente.

4. Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Dou a volta.

5. Ando por outra rua.

Extraído de "O Livro Tibetano do Viver e do Morrer"
Sogyal Rinpoche – Editora Talento/Palas Athena

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Secando ao sol

Minhas verdades chegaram como enxurradas
E agora todos parecem ter medo de enchentes.

Parei de usar guarda-chuvas ou capas impermeáveis
Porque agora sou fluída, permeável e vulnerável,
Justamente para ser mais forte e poder ver o sol.

Mas achei que quando eu estivesse encharcada
Eu veria que todos sempre assim estiveram
E eu é quem tardei a enxergar tempestades.

Errei

Vejo pessoas rachadas, porque secaram
Temerosas de suas tormentas, como eu ja fui.

E eu agora ensopada, pingando,
entre água e lágrimas,
Me pergunto por que resolvi pensar.

Dias assim me doem tanto,...
Porque água purifica mas traz peso,

Então não hei de me afogar
Esperando que a chuva molhe a todos.

Eu me abraço em quem me importa,
Em quem souber dançar e secar ao sol.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Resiliência : O capítulo final

Como é boa a sensação de se conquistar algo.

Como é boa a sensação de se superar e conquistar algo do qual se esteve tão próximo de desistir.

Se tem algo que eu posso concluir hoje, com a minha dissertação de mestrado encerrada, entregue e oficialmente aprovada, é que EU SOU RESILIENTE. Eu posso fazer as coisas que eu desejo e conquistar o que eu mereço. E ninguém foi lá e escreveu as coisas por mim, ninguém podia fazer isso. Era uma tarefa minha e eu fui lá e fiz. Com as dificuldades do caminho, com o assalto, com as más surpresas da vida, com o que teve que acontecer.

Agora eu sou mestre em Medicina e Ciências da Saúde. E apesar desse título ser importante, sei que estou longe de ser realmente mestre de alguma coisa. Estou começando a ser, cada vez mais, mestre de mim. E esse título sim, é o mais importante da minha vida.

terça-feira, 20 de abril de 2010

As melhores pessoas do mundo

Desde o momento em que eu deixei a sala de cinema no domingo, onde eu assisti ao filme "As melhores coisas do mundo", venho tentando elaborar algum texto bacana ou pelo menos original, que expresse a minha percepção sobre esse filme e que possa traduzir o que ele despertou em mim. Hoje é terça feira e decidi escrever o que me vier à mente mesmo, porque não é possível elaborar nada mais complexo sobre um filme simples. Na melhor conotação que esse termo pode ter.

É um filme sobre adolescer e adoecer.

Um filme sobre o momento em que a gente descobre que a nossa família -e nessas horas a gente sempre acha que é SÓ a nossa família - é muito mais complicada do que imaginávamos, que as verdades que a gente tinha como absolutas são hipocrisias e que as pessoas que a gente confia não são tantas assim. E que as pessoas mudam. E a gente também.

Não tenho muitas compreensões maiores ou mais profundas sobre o filme. Só quero dizer que me tocou muito, que achei os personagens extremamente reais, os diálogos honestos e simples e a costura da história super bem feitinha. Me choquei com a "denúncia" do filme sobre o uso abusivo e indiscriminado de celulares, sms's, torpedos, i-pods e o escambau na escola, no meio das aulas. Fiquei pensando como seriam as aulas e as relações no "meu tempo", quando nem sonhávamos que celulares exisitiriam...

Mas, à parte desse papo, acho que o mais bonito que ficou em mim desse filme é que no fundo, somos todos, ainda, e por sorte para sempre, um bando de adolescentes, tentando afirmar nossa identidade, tentando descobrir quem gosta da gente de verdade, quem estará do nosso lado nos momentos difíceis, se afiliando a grupos, se separando, chorando, aprendendo a tocar violão, morrendo e renascendo diferentes a cada dia.

E eu, na minha adolescência, que nunca tinha pensado em fazer uma lista das melhores coisas do mundo a cada semana, fiquei com vontade de fazer a minha. E bem feliz em pensar que elas, assim como no filme, podem mudar completamente, e sempre.

Mas eu disse a lista das melhores COISAS, porque as melhores PESSOAS do mundo dificilmente mudam. Ainda bem.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Ontem eu pulei do viaduto

Ontem eu pulei do viaduto. Pulei de bico. Me atirei porque quis morrer. Sem essa idéia romântica de depressão ou de desajuste na sociedade. Eu queria simplesmente morrer porque estava cansado. Cansado de ter que estar sempre fazendo escolhas, cansado de ter que pensar, cansado de ter que me relacionar com as pessoas e tentar entender como me movimentar nessa engrenagem delicada que é o outro.

Ontem eu pulei do viaduto. O nome dele é Viaduto Otávio Rocha. Nao escolhi nenhuma roupa especial para o salto. Nunca planejei morrer em grande estilo porque nunca achei que alguém se importasse de verdade. Pulei e tive um traumatismo craniano, fraturei três costelas, uma das quais perfurou o meu pulmão e também quebrei a clavícula. Isso torna minha respiração dificil hoje.

Ontem eu pulei do viaduto e percebi que várias pessoas se aglomeraram à minha volta. Não sei se por piedade, por curiosidade, por ver como fica alguém que chega a esse ponto em sua vida. Mas pensei em quem não tentou me impedir de pular. E como não conseguiu mais tentar e porque não conseguiu mais tentar. Ninguém jamais poderia ter me impedido de pular. Não se eu realmente quisesse. Então eu não poderia esperar que alguém me freasse. E eu pulei porque ninguem me freou. Mas acho que no fundo eu nunca quis pular. Eu queria saber se alguem se importava o suficiente para se esforçar em me frear.

Ontem eu pulei do viaduto criando essa história fantasiosa sobre um cara que quer se matar se atirando de um viaduto. Porque sim, viver é complicado. Porque sim, decisões envolvem responsabilidade. Porque sim, a gente perde pessoas e momentos da vida por imaturidade ou por falta de capacidade de compreensão. Porque sim, eu quis criar uma realidade onde eu cometia o suicídio. Não sei o quanto há de covardia ou de coragem nesse ato. O fato é que ontem foi meu aniversário e eu pulei do viaduto da Borges em pensamento. Cometi outros suicídios ao longo da vida, tenham certeza. Dos mais lentos e amargos aos mais inocentes.

Ontem foi meu aniversário e eu, fantasiosamente, nasci de novo. E então pensei na pessoa que eu gostaria que pudesse ter me impedido de saltar. Todo mundo precisa ter essa pessoa, mesmo não sendo ela a responsável por impedir qualquer ato que a gente opte em fazer. Porque não é ela quem te impede de saltar. É porque é ela quem te faz querer ter os pés bem aqui no chão.

quinta-feira, 25 de março de 2010

O meu identificador

O recurso que eu mais uso no meu celular é o identificador de músicas. Uma coisinha maravilhosa que me permite gravar 10 segundos de qualquer canção que esteja tocando no rádio, em alguma loja ou restaurante e me diz qual é essa música e de qual artista.

Já descobri muita coisa boa graças a esse recurso maravilhoso, como Hot Chip (sem comentários de tão bom), Friendly Fires, Delorean, Florence & The Machine (minha atual paixão musical), Smoove Turrell entre outros.

Daí é lógico que eu pensei: como eu queria que o meu celular tivesse um identificador de pensamentos e sentimentos. Meus e dos outros. Era só apontar e em 10 segundos todas as respostas apareceriam ali. Simples assim. Mas acho que a vida e as relações não teriam a mesma graça se desvendar ao outro e a nós mesmos fosse assim tão fácil.

E eu não teria trabalho. :)

segunda-feira, 22 de março de 2010

A sombra da maldade


Nem há muito o que elaborar nesse assunto no momento, mas tudo que eu preciso dizer é que, apesar de saber que todo ser humano tem um potencial para a maldade dentro de si, eu acabo sempre me surpreendendo quando me deparo com ela em alguém que é ou foi próximo. Ou eu sou muito ingênua ou as pessoas cada vez menos dão valor à palavra, à honra e ao caráter. E vocês podem me perguntar se, ainda assim, eu sigo crendo para ver. A resposta certamente é sim, eu sigo, mas agora muito mais cuidadosa para saber em quem e no que eu creio. Porque certas pessoas podem receber o crédito da confiança e nunca nos mostrarem nada. Simplesmente porque nunca tiveram nada. Simples e triste assim.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Contraelegia

Mi único tema es lo que ya no está
Y mi obsesión se llama lo perdido
Mi punzante estribillo es nunca más
Y sin embargo amo este cambio perpetuo
este variar segundo tras segundo
porque sin él lo que llamamos vida
sería de piedra.

Jose Emilio Pacheco

terça-feira, 9 de março de 2010

Sobre faróis e ferrolhos

Se tem algo que eu adoro fazer e que acho que me ajuda no meu trabalho e na minha vida é usar metáforas. Acho que uma metáfora bem utilizada pode explicar muito, pode tornar as coisas mais compreensíveis, mais visuais, mais palpáveis. Porque às vezes a gente precisa de um pouco de concretude na vida.

Hoje fiz alusão a uma brincadeira de polícia e ladrão para "ilustrar" o momento dificil que uma pessoa vem enfrentando. Porém, nessa nossa "brincadeira" de adultos, nem sempre há quem seja o ladrão para que possamos dele fugir ou atrás dele correr. Muitas vezes a vida nos coloca em situações nas quais fugimos de algo que não podemos enxergar e, consequentemente, não sabemos nem quando estará por perto. Isso assusta. E falei para a pessoa que nessa hora tudo o que a gente precisa é de um ferrolho. Aquele lugar seguro onde não podemos ser pegos. O lugar que nos oferece imunidade. E cada vez mais raramente na vida temos ferrolhos. E esquecemos de como procurá-los e que devemos procura-los. É como se estivessemos constantemente numa corrida de polícia e ladrão, sem saber exatamente quando estamos perseguindo ou sendo perseguidos; e mais, o ladrão pode sempre mudar.

E ontem pensei em outra metáfora de algo que parece que vamos tendo cada vez menos ao longo da vida: um farol. Aquela torre que em meio à escuridão orienta os navios para qual rumo seguir, que confirma se a embarcação está mesmo na rota certa. Não sei o que é mais importante na vida: um ferrolho ou um farol. O que eu acho é que precisamos de todos os recursos possíveis para viver e seguirmos com nossas brincadeiras e nossas viagens. E cada vez mais vamos vivendo e descobrindo que nossos ferrolhos e faróis são lugares que temos que buscar dentro de nós, e dentro das pessoas que amamos e que se mostram disponíveis para isso. Porque, como já dizia o poeta, é impossível ser feliz sozinho.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

...

E de repente a morte, essa do não mais respirar ou existir, virou coisa pequena e boba. Quando ela percebeu que existe bem mais dor do que a de sufocar e que o coração pode doer mas também gozar muito mais até a hora em que resolver parar, começou a sorrir. E o lenço que envolvia suave seu pescoço alvo voou e foi pousar delicado e solene na grama que ela pisava e tudo começou a ter sentido. Ela fumava, e ficava a suspirar que a vida lhe intoxicava. Ela bebia, e esbravejava que a vida lhe embriagava. Mas nada disso era correto. A única certeza que agora ela carregava era o vento, e foi nesse instante que ela percebeu o óbvio: de que os olhos secam quando não piscamos, de que a garganta seca quando não aprendemos a calar. E ela calou, e piscou. Sentou, respirou, sentiu o batimento do próprio coração e começou a viver.

The second second

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

A duração do que é belo

Mundo velho
E decadente mundo
Ainda não aprendeu
A admirar a beleza
A verdadeira beleza
A beleza que põe mesa
E que deita na cama
A beleza de quem come
A beleza de quem ama
A beleza do erro
Puro do engano
Da imperfeição...

(Zeca Baleiro)

Fazer as unhas uma vez por semana. As dos pés a cada 2 ou 3. Escova eventualmente. Luzes para quem precisa ou deseja. Corte para a duplicidade das pontas. Depilação a cada 2 ou 3 semanas.

Tempos curtos, processos chatos, paciência. Estraga a unha. Salão lotado. Pagamos caro. Unha encravada. Esmalte descascado. Pelo encravado. A vida encrava mas eu não sou escrava.

E me peguei pensando, saindo da manicure, na efemeridade desses rituais de beleza e no quanto custam caro, em termos de tempo, dinheiro e paciência. A gente faz as unhas hoje para que descasquem, com sorte, só amanhã ou depois. Se depila e depois cresce de novo. Corta o cabelo, depois cresce. Faz luzes, elas vão desaparecendo. E ainda tem bronzeamento, para quem tem coragem, que também some com o tempo.

Porque queremos estar "bem", e queremos estar belas, lisas, depiladas, com unhas coloridas, pés pintados, lixados.

Ok, mas poucas pessoas pensam no salão de beleza interior. Poucas pensam em estar efetivamente BEM. Em gastar em terapia o que gastam em um mês com os rituais de beleza. E então as pessoas ficam belas criaturas feias, cheias de conflitos mal resolvidos, cheias de traumas, neuroses e relações mal conduzidas, escondidas sob os cabelos escovados e as unhas em dia.

Não vou deixar de ir à manicure nem à depilação, até porque saber cuidar de si e investir nisso também é terapêutico, mas eu quero e preciso acreditar que, muito mais importante do que esse, o meu período no meu salão de beleza interior é para um tratamento sério e permanente, de melhoria constante, e que eu saia dele uma Luciane mais bonita, mais colorida e mais lisa, e que não descasque nas próximas curvas dessa vida.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010