quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

A duração do que é belo

Mundo velho
E decadente mundo
Ainda não aprendeu
A admirar a beleza
A verdadeira beleza
A beleza que põe mesa
E que deita na cama
A beleza de quem come
A beleza de quem ama
A beleza do erro
Puro do engano
Da imperfeição...

(Zeca Baleiro)

Fazer as unhas uma vez por semana. As dos pés a cada 2 ou 3. Escova eventualmente. Luzes para quem precisa ou deseja. Corte para a duplicidade das pontas. Depilação a cada 2 ou 3 semanas.

Tempos curtos, processos chatos, paciência. Estraga a unha. Salão lotado. Pagamos caro. Unha encravada. Esmalte descascado. Pelo encravado. A vida encrava mas eu não sou escrava.

E me peguei pensando, saindo da manicure, na efemeridade desses rituais de beleza e no quanto custam caro, em termos de tempo, dinheiro e paciência. A gente faz as unhas hoje para que descasquem, com sorte, só amanhã ou depois. Se depila e depois cresce de novo. Corta o cabelo, depois cresce. Faz luzes, elas vão desaparecendo. E ainda tem bronzeamento, para quem tem coragem, que também some com o tempo.

Porque queremos estar "bem", e queremos estar belas, lisas, depiladas, com unhas coloridas, pés pintados, lixados.

Ok, mas poucas pessoas pensam no salão de beleza interior. Poucas pensam em estar efetivamente BEM. Em gastar em terapia o que gastam em um mês com os rituais de beleza. E então as pessoas ficam belas criaturas feias, cheias de conflitos mal resolvidos, cheias de traumas, neuroses e relações mal conduzidas, escondidas sob os cabelos escovados e as unhas em dia.

Não vou deixar de ir à manicure nem à depilação, até porque saber cuidar de si e investir nisso também é terapêutico, mas eu quero e preciso acreditar que, muito mais importante do que esse, o meu período no meu salão de beleza interior é para um tratamento sério e permanente, de melhoria constante, e que eu saia dele uma Luciane mais bonita, mais colorida e mais lisa, e que não descasque nas próximas curvas dessa vida.

3 comentários:

Marcos Satoru Kawanami disse...

minha esposa também tem o primeiro nome de Luciane, mas ela mantém os antigos hábitos do sapato grande: é que nem homem, só que tem xota, e transa com homem.

ou seja, não entra em salão nem morta, corta unha com facão, usa camisa polo, bermudão e tênis de futsal.

gosto muito.


inté
Marcos

Luciane Slomka disse...

Marcos, tu é uma figura! Obrigada pelas visitas e pelos comentários, no mínimo, divertidos!

Pedro disse...

As pessoas têm mania de só ver a beleza que não importa.