quarta-feira, 15 de abril de 2009

Onde te leio?

A pergunta foi da minha amiga Nádia para uma outra amiga. Mas quando li essa frase fiquei pensando nisso... Nas leituras que fazemos do outro e como e onde os outros nos lêem. Onde é que o outro se mostra?

Por que será que certas pessoas conseguem acessar nosso manual de instruções com uma agilidade e sensibilidade que nós mesmos não conseguimos? E ao mesmo tempo, sei que existem pessoas que podem ser as mais fechadas ou encapsuladas, mas que por alguma razão ficam transparentes aos nossos olhos e vamos muito além do que elas imaginam mostrar.

Será que amar de verdade alguém faz isso? Será que querer ser enxergada e percebida pelo amor faz isso?

Eu não sei o quanto de mim fica visível ou o quanto de mim pouquíssimos já perceberam. Gostaria de me saber mais legível. Acho que às vezes posso ser um livro de mais de mil páginas em Javanês. Outras vezes acordo para o mundo em braile. Mas há dias que sou um folheto de propaganda distribuído em sinaleiras, exposta a quaisquer par de olhos minimamente atentos. Óbvia e ululante. Mas no fundo, bem no fundo, mesmo nesses dias tão evidentes, não sou fácil de se ler, eu bem sei.

Mas o que eu também sei é que há leitores bons por aí. E a primeira de todas vem sendo eu mesma. Aliás, não estou para ser best-seller mesmo. Curto muito mais me perceber como um lindo e bom livro de sebo, ali escondidinho no balaio do fim de semana, que só poucos e bons conseguem encontrar e ler por completo.

10 comentários:

Nadia lopes disse...

ah, Lu eu tenho essa incontinência curiosa de saber das pessoas, de me antecipar. Antes eu perguntava:"O que tu faz?" Assim, como portugês errado mesmo, tb tenho esse defeito. Mas como as pessoas já não se definem pelo que fazem, ando perguntando isso: te leio onde? Cá entre nós a blogesfera é uma boa forma de ser conhecer as pessoas né? Até o orkut com bom olhar funciona como tradutor...tempo modernos!

Luciane disse...

Mas eu escrevi esse post porque adorei o "onde te leio". Eu só ampliei o conceito de leitura para as leituras internas também.
Obrigada pela inspiração!
Beijos!

Marilu disse...

Adorei o tema!
Parabéns pela forma como abordaste!
Inspirador!

Wania disse...

Que bonito isso...
Os sebos escondem preciosidades... Que os mais sensíveis de alma, garimpando no sebo, te encontrem e te leiam inteira!
Um beijo e bom restinho de semana pra ti.

Saudade da nossa segunda poética como tu mesma a chama. Até breve!

Luciane disse...

Valeu, minha fiel leitora desde o início! Bjão!
***
Wania, querida. Obrigada pelo carinho. Também já estou abstinente das nossas segundas! Beijão pra ti!

pianistaboxeador21 disse...

Bela crônica. às vezes é difícil até da gente mesmo se entender. Nos tornamos nerméticos herméticos feito o Ulysses do Joyce.
E gosto dos livros de Sebo e até daquele cheirinho que às vezes faz a gente espirrar

CeciLia disse...

Lu,
quantos, de nossos melhores leitores (mais provável até que seja um só, eleito por nós para desvendar-nos), conseguem ler o que não escrevemos, nossas entrelinhas, hein? Quem nos decifra?

Beijos

Luciane disse...

Ah, as entrelinhas e o que nem foi escrito... Tem sempre muito mais!

Jânio Dias disse...

Uma vez me disseram: “às vezes você me parece uma grande interrogação”. Então respondi que é por isso que tenho um blog. Lá eu me desnudo. Me reinvento. Crio algumas exclamações, e acrescento outras interrogações.

Ma para um bom leitor, o blog é só mais um botão da camisa.

Luciane disse...

Blog é muito bom, né, Jânio? Mas a gente pode se esconder muito também se quiser... criar alguém que não existe de verdade... Ser o poeta fingidor.
Valeu pela visita! :)