sexta-feira, 15 de maio de 2009

Who am I fighting against, anyway?

Hoje eu conversei com uma pessoa que devido a uma condição de saúde grave esta fazendo um tratamento radioterápico no cérebro que altera significativamente a compreensão cognitiva e a fala, especialmente.

Eu escutei, por 30 minutos, essa mulher tentar, desesperadamente, coordenar um discurso lógico. E ela conseguiu tão poucas frases. Eu me esforçava para que ela se sentisse compreendida. Mas eram frases disconexas, perguntas soltas sobre outros assuntos que não havíamos nem falado. Era a primeira vez que eu conversava com ela e senti a angústia que é querermos dizer algo e não sermos compreendidos. A angustia de não conseguir falar uma palavra que pensamos porque o nome dela fugiu de nossa mente.

Ah, a mente humana. Eu trabalho com ela, mas eu não sei como ela funciona em sua parte “mecânica”, digamos assim. Fiquei me sentindo tão pequena, tão impotente diante dos mistérios do cérebro. Se essa pequena massa não funciona, se não esta com todas as engrenagens em harmonia, de nada adianta o meu trabalho. Eu preciso das palavras para trabalhar e ela não as tinha. O repertório sumiu. Ela só tinha a imagem do que gostaria de transmitir e não conseguia.

Que sensação ruim, que momento difícil.

Não percebemos como é fundamental poder expressar o que sentimos, o que pensamos. E para que isso possa ocorrer nós temos que usar símbolos, palavras, imagens. Esse é um processo mental que parece tão obvio, tão espontâneo. E na verdade ele é parte de um complexo sistema, que à menor falha pode ruir, e nos deixar isolados, enfrentando sozinhos nossos abismos sem alguém que nos lembre que nome ele tem...

Ainda bem que mesmo na falha da palavra, sempre existe o olhar e o abraço.

2 comentários:

Nadia lopes disse...

Talvez tenhamos nos fixado demais nas palavras e esquecido as outras tantas formas de nos expressar, e isso é realmente muito triste...ainda mais num mundo onde as palavras tem sido travestidas...beijo

Luciane disse...

É bem isso, Nádia...as palavras parecem que perderam a força para as pessoas. Mas a gente bem sabe que a palvra dita, como a flecha lançada, não tem mais volta...e quando ela pega de jeito...já viu...
Beijos!