terça-feira, 16 de junho de 2009

A saideira

- Sei lá, meu. Mas eu fiquei com aquela reportagem na cabeça a semana toda. E quer saber? Acho tudo uma grande palhaçada, e não entendo porque precisamos morrer.

- Nós não precisamos nada. Simplesmente morremos. Não achas que a vida seria ridícula demais se não houvesse fim? Quão patéticos seriamos sendo eternos. Quantas bobagens ainda maiores não cometeríamos em nome da infindável chance de podermos corrigi-las. Aqui não há chances, meu irmão. Temos a ilusão de oportunidades mas na verdade não há nenhuma. Cada atitude já passou e somos apenas espectadores dessas consequências. Eu tenho meu livro, o livro da minha vida, e tu tem o teu. Tu tem se preparado para o que tu escreves? Tens lido o dicionario? Tu segue uma sequência ou simplesmente vomita acontecimentos na tua historia? Vai dizer que isso não é de se pensar, hein?

- Mas quem disse que eu quero ordem e sequência? Quem disse que eu quero escrever alguma coisa? Eu sigo vivendo os acontecimentos à medida que eles se mostram, eu vivo a vida no agora. Não é isso que dizem? Viver o hoje? Tu mesmo tava dizendo aí que a gente não é eterno e tal!

- Isso tudo é uma baita desculpa! Desculpa furada! Para de entregar tua existência ao acaso e ao destino. Não existe destino. Existe uma escada, ou um espiral se tu preferir, que é essa nossa vida encadeada em fatos, historias e pessoas. E quer saber? No final não faz a menor diferença, porque o último capitulo da história chega para todos e é sempre o mesmo. Mas quantas paginas tem o teu livro hein? E é um livro de merda ou é um livro que pode até ser fino mas é inesquecível, tipo aqueles clássicos; e não tô falando isso para que tu me diga se vai ser bom ou não de ser lido por outros. Porque, meu amigo, ninguém dá a mínima para a tua ou a minha historia; ninguém vai te ler, irmão. A gente escreve para um leitor que não existe. Contamos nossa historia para um vento que não leva nossas palavras a lugar nenhum. Qual eco vai ficar? E vai servir para alguma coisa no final? É nisso que a gente tem que pensar.

- Sei la. Esse papo ta me deixando confuso.

- Pois é. Mas por falar em vento: Diz que chove amanhã no jogo, né?

- Bah, meu. Esse jogo tá me tirando o sono. Vai mais uma aí?

- Manda aí. A saideira.

6 comentários:

Marilu disse...

Nossssssaaaaaaaa, que saidera o quê,
me dá um dose dupla de cachaça mesmo!

Tô aqui tentando ouvir meu eco ...
Alguem mais ouviu?

Perfeito Lu!
Bbjo

Renata de Aragão Lopes disse...

(risos)

Quem disse que, de conversa de boteco, não saem grandes estórias? A saideira e fim de papo!

Adorei!

Luciane disse...

Valeu Marilu!! Tem horas que só bebendo mesmo pra entender isso tudo... E teu eco tá por aí, pode ter certeza! Beijos!
***
Valeu, Re! Filosofias criadas e debatidas em botecos são geralmente as melhores! Beijo!

pensar disse...

Eh isso ai Lu, um fio nos trans-corre.E para que corrermos tanto?E para quem fazemos o que?Somos nada e ao mesmo tempo somos tudo(soh para nos).
Eh filosofia de boteco q delicia, mas nao vale ficar com medo e desconversar, assim como de costume as pessoas fazem.
Bjs

Denise disse...

Comentando o comentário...
Antes porem quero q saiba ...ADOREI que tenha 'ido me "ver" rs.
o Livro é de fato lindissimo,causou revoluções internas em mim,quando o li e agora q reli.

fico feliz que tenha gostado.

"quedei" por vc e pelo seu blog tb.

beijo
De

Luciane disse...

Valeu Denise!
Trocaremos idéias e leituras, então! :)