sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

O verdadeiro jogo da vida

CENA I
LOCAL: Shopping total, lojas França (detalhe para a imensidão que é aquele mundo que eu desconhecia!)

OBJETIVO: Comprar jogos para pré adolescentes no consultório.

DETALHE: Eu, uma mulher sem filhos, sem sobrinhos nem afilhados ainda sem a circulação nesse meio para saber dos preços. Ontem eu soube.
Jogo da Vida: R$ 89,90

DESFECHO: Dois jogos adquiridos: o velho e bom Detetive por R$ 59,90 e o Perfil, por R$ 62,00. Acho até que foi um final feliz.

CENA II
LOCAL: Residência da protagonista, consultório de psicologia, residência do irmão da protagonista;

OBJETIVO: Devolver a chave da porta da frente do consultorio que o irmão havia, por descuido, levando consigo no dia anterior. A protagonista, por vezes um tanto estabanada, em meio a sacolas e outras tarefas perde a chave, que era ÚNICA. Sexta feira, 7:30 da manhã, ela telefona para um chaveiro, solicita o serviço, valor 105 reais, jogados fora, porque certamente na tarde seguinte à troca das chaves a original vai ser encontrada, mas ok.

DETALHE: A protagonista ainda tinha que comprar sua passagem de onibus para a praia e buscar sua camera digital na casa de uma amiga.

DESFECHO: Porta do consultorio aberta, camera em mãos, passagem comprada, mas atrasada no trabalho. Mas o stress não foi nem metade do que seria ha algum tempo atrás. Nada como aprender a lidar com nossas pequenas atrapalhações diárias.

CENA III
Essa é a cena final, a cena da vida.
Atendo alguem que perdeu uma filha de 20 anos há exatos 7 dias, de forma abrupta e repentina.
Ela, a paciente, em tratamento quimioterápico desde oínício do ano passado.
A filha, cheia de saúde e com a vida pela frente, parte antes.
Isso apaga toda e qualquer cena anterior.

Esse sim é o nosso jogo, o nosso grande desafio: Conseguir viver frente a esse mundo tão maluco, a esse destino tão imprevisível... Conseguir, frente a tantas dores, tantas possíveis perdas, ainda sorrir e acreditar que o mundo pode sempre ser melhor e que a felicidade está bem aqui, bem agora, debaixo dos nossos pés.

Esse sim é o nosso JOGO DA VIDA. O resto é o resto

....

8 comentários:

Marilu disse...

Nem bóia sustenta a cena III ;)
F.... mesmo

É .... a vida é um jogo, pra alguns de sorte pra outros de azar ....

Quem faz a próxima aposta?

Luciane disse...

E a gente só joga uma vez, então o negócio é tentar jogar limpo, conseguir enxergar a sorte quando ela vem, e aceitar quando a gente perde alguma rodada também...:)

Daniel disse...

uma das peças fundamentais no jogo da vida é a resiliência, mas isso é chover no molhado aqui. :)

tá caro pra se divertir hoje em dia hein? no meu tempo [me parece] os jogos de tabuleiro não eram tão caros assim.

e, putz, PERDI.

Casa da Psicoterapia disse...

Amiga, maravilhosos os comentários do teu blog! Cara! Essa é a Lu... Quase morri rindo e para variar me senti muito identificada: tanto com as atrapalhações, quanto com a densidade e mais ainda com a sensibilidade. Minha amiga, torço para que tu sempre mantenhas teu gesto espontâneo, porque o mundo realmente precisa disto. Sucesso querida! Te amo! Valeu! Renata Helena Vasques Kulpa

Nadia lopes disse...

ai LU que coisa seria e forte, é bem esse o jogo inesperado da vida...e somos jogadores inexperientes e prepotentes...beijo grande de força e luz

Luciane disse...

Nunca é chover no molhado, Dani. Cada vez mais aprendo essa tal resiliência. Com a vida e com as pessoas que estão comigo, tipo tu. ;)
**
Re, queridona! Acho que temos muito em comum, principalmente nessa vontade de viver e escrever. Te amo também, minha amiga!
**
Valeu, Nadia querida. Muita luz para nós, sempre!

Beth disse...

Cena II = transtorno
Cena III = problema

Feliz de quem enxerga a diferença e reage proporcionalmente. Privilegiado, quem consegue elaborar os problemas sem se desestruturar - com ajuda, fica bem menos difícil. Por isso, minha grande admiração pela tua área!
Beijos!

Luciane disse...

Sabe, Beth, acho que é por isso que eu amo o que eu faço. Porque muitas vezes eu acabo ajudando as pessoas que vivem a cena III a mudarem a perspectiva e passarem a ver a situação não como um problema, mas como uma OPORTUNIDADE, por mais dolorosa que seja: oportunidade de mudar, de crescer, lutar pela vida, estreitar as relações...Enfim, de viver e ser melhor, independente do desfecho que for acontecer.... É complexo, mas ninguém disse que esse jogo seria fácil, não é?
Beijão para ti, querida