terça-feira, 24 de março de 2009

Humana, demasiado humana

Onde está o concreto? Onde está o palpável?
Ontem ouvi que a poesia de verdade humaniza e fala de uma realidade simples e divina. Pequenas epifanias do dia a dia. Quero fazer poesia da minha vida. Humanizar as coisas, não divinizar. Porque o endeusamento afasta. Distancia.
Então eu venho humanizando tudo. Não quero mais transcendência em todas as coisas, como sempre busquei. Quero um pouco do real. A verdade sempre.
Então tem dias que o vento me esmaga como se fosse uma parede de concreto. Muito real.
Há dias em que minha saliva é grossa como cimento, e engolir se torna um desafio, uma luta.
Mas em outros meu arrepio é como uma onda de abraços invisíveis, que me cercam e me acalentam. Minha alegria é uma noite de fogos de artifício.
Agora sou assim.
Concreta e palpável.
Real e poética.

8 comentários:

Nadia lopes disse...

ah,Lu
tu está fazendo a Oficina, quero dicas ok?
mil beijos

Luciane disse...

NAdia querida. Espero que eu tenha várias delas para aprender para mim e para dividir também!
Beijos!

Daniel disse...

Endeusamento foi 'criado' por aqueles que querem afastar o homem de si mesmo. Poesia é sentimento, vida é sentimento. Acredito que estamos no caminho certo: o da poesia...

pensar disse...

Adorei o video e tambem estou para a verdade, o real..... isto anda me fascinando.Vejo a poesia como uma visao diferenciada da vida, mas muito real.
Bjs

Luciane disse...

Verdade...a poesia já é o caminho. E para onde esse caminho vai nos levar é o que menos importa. ;)
***
Poesia é realidade mesmo, né, Mari? E quanto mais crua melhor. Beijo!

marcelo disse...

"meu arrepio é como uma onda de abraços invisíveis". AÍ ESTÁ A POESIA EM SEU EXERCÍCIO PLENO! Gostei muito. Também busco a poesia que está no chão (tipo Chico Buarque).

Henrique Crespo disse...

Poesia viva né?
bj

pensar disse...

Sim Lu, quanto mais crua melhor.Ai vai:

Passos entre passos

Em passos largos
sinto me a frente,
mas não de mim(me alcanço fácil),
espio atrás
jaz no chão conviccoes

A frente possibilidades,
verdades momentâneas
distorço as formas
desenformo,
sem rédeas
e vejo oposicoes sem rejeicoes,
compreensão em ponto de interogacao
não há ponto, há reticencias

Há brilho, magia, mistério
desconhecido desejado
medo perdido
inundação de experimentação
evolução
sede de vida, fome de conhecimento

Desconcentro a visão
que tão perto
tem as cores da minha íris,
photoshop do cristalino
imagens da minha retina.

Passos de distanciamento
deslumbro a outra posição
tão fácil de ver, o que doí e se esconde.
O mais importante nunca e falado
Vive amedrontado.

Na frente honestidade
tornando realidade e satisfação
olhares em silencio
palavras libertadas, a dificuldade imaginaria
tudo tão simples, coragem
coragem, de ser tão feliz

A vida na vida
coragem de ter coragem
Simples assim!Assim!Sim!

Mariana Cadore