sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Tarja preta

Endovenoso quando
escorregar por minhas vias,
invadir meus órgãos,
irrigando todas as bordas
e superfícies internas.

Subcutâneo quando agir,
bordeando minha camada exterior,
sondando de perto a minha derme,
Me enxergando inteira por dentro,
drenando quem eu tento ser.

Oral quando eu o engolir e
for ele quem me devore, me sorva.
Percorrendo minha garganta e
indo direto ao meu estômago
Ora minha náusea, ora meu conforto.

Que seja essa a minha droga, meu remédio.
Que eu conheça toda sua posologia,
As contra-indicações,
E a dose que possa ser fatal.

Não quero mais bulas.

11 comentários:

Renata de Aragão Lopes disse...

"drenando quem eu tento ser."

Acho que drenando
quem somos.
Uma máscara
- que curioso! -
necessária
para que possamos
respirar...

Tentarei escrever
a respeito! : )

Beijo, querida
e bom fim de semana!

Kenia Cris disse...

Rsrsrss... também não gosto de bulas, ou de listas, ou de emendas, ou leis ou muita ordem, nada que me impeça de mover-me de acordo com a minha vontade, nada que me impeça de viver conforme o meu próprio julgamento.

Forte e belíssimo texto, Luciane, obrigada pela visita e o comentário tão carinhoso.

Beijo grande!


(PS.: tendo visto um erro de ortografia gravíssimo, corrigi o comentário! =* )

Lara Amaral disse...

Uau!
Achei um máximo este poema!

Beijos!

Marcos Satoru Kawanami disse...

supositório...

desenvolva.


=D
marcos

Luciane Slomka disse...

Isso Re, vamos dialogando em forma de poesia. Beijao e bom fim de semana para ti tambem!
***
Oi Kenia! Obrigada pela tua visita aqui também! Beijão!
***
Que bom, Lara! Beijos!
***
Ahahahaha! Essa via de administração não é poética aos meus ouvidos, Marcos! E nem aos dos leitores que por aqui passam, eua acho... :)

Marcos Satoru Kawanami disse...

- façamos um supositório:
e se tu te adoentares
em Itu, lugar notório
por mensuras estelares?

- comprarei lá o xarope,
o emplastro e o comprimido;
mas farei um pitiestope
em chão mais reduzido
para ser-me introduzido
esse tal supositório!


=D
marcos

Luciane Slomka disse...

Digamos que perdeu-se um pouco do tom do texto original, mas gostei da criatividade! :)

Renata de Aragão Lopes disse...

Lu,

eu lhe disse
que escreveria a respeito.
Presente pra você
lá no doce de lira!

Um beijo.

Luciane Slomka disse...

Presentão! Amei, Re!
Obrigada de coração!
Beijo!

Rafaela Figueiredo disse...

olá!
eu acho as bulas o q tem de mais 'curador' nos pharmakos!
"...trato-me, pois, com isto
mas não sei se o medicamento
ou se seus meros signos
que me são efetivos."

mas o poema teu... pega na veia e na alma!
muito bom!

abraços
o/

J.F. de Souza disse...

Olá, moça Luciana!

Cheguei aqui pelo blog Doce de Lira. E gostei desse! =)

Havia lido o "Comprimida", que a Renata escreveu lá, e que, segundo ela, foi mei que inspirado nesse teu...

Mas... Sei lá... Achei esse teu "Tarja preta" tão mais intenso, digamos...

Me fez lembrar o meu "Placebo"...

Prazer em ler! Até a próxima!

=*