sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Não sei, mas estou cansada.

Não sei, mas estou cansada.

Sabe aquela poção que a Alice toma e a faz encolher para que ela atravesse a porta que a leve ao País das maravilhas? Fiquei pensando nela, e nos tamanhos que a gente tem ao longo da vida, ao longo de um dia, ao longo de reles minutos. Essa semana eu oscilei entre me sentir gigante e minúscula em questão de segundos. Acho que a vida nos mostra situações onde a gente percebe que nao é nada. Situações em que nos sentimos tudo e situações em que percebemos que aquele tudo que achávamos que éramos na verdade não era nada. Os valores do que é sério me parecem tão distorcidos. O que realmente é um problema, o que realmente é amor. Do que realmente sentimos falta. Com quem realmente nos importamos.

Não sei, mas estou cansada.

Fico cansada e talvez com inveja de quem não pensa nisso tudo. De quem escolhe viver de olhos fechados, de quem não ousa descobrir o que há na toca do coelho. Eu questiono minhas pequenas coragens, minhas escolhas, meus medos.

Não sei, mas estou cansada.

Eu, que tantas vezes não sei quem eu sou, que busco imagens, frases soltas, pessoas que me lembrem da minha essência, que me conhecem de verdade. Eu, que me escondo em músicas, me vejo muitas vezes dispersa nas poças d'água, quase sem fôlego. Mas de repente algo acontece. De repente eu sigo. Acordo pronta para tentar de novo. Não sei o que e não sei por que. Eu realmente sou uma otimista, como já me disseram. Tenho raiva disso, tenho medo de tantos medos que carrego. Preciso comprovar que sou digna da minha confiança em mim para continuar a ser digna da confiança dos outros. Mas alguém sabe o que é mesmo a dignidade? Alguém sabe no que confia?

Não sei, mas estou cansada.

3 comentários:

ELtaura disse...

É engraçado, pois eu li anteriormente a este poste o que esta na sequencia acima deste e pensei nesta questao de que a ignorancia muitas vezes simplifica estas questoes e quao ampla esta a tu apercepsao, hj ou sempre e a quantas leguas estou de me percer, como ser, de conciencia de tudo isso.
Mas acho que uma das respostas esta em um outro poust teu, que dizia alg assim " A DOR EXISTE ATE QUE NOS A ENFRENTAMOS E PODEMOS VER MELHOR" talvez seja um pouco como o tempo, ele acomodas as coisas.
Beso bichita.

Renata de Aragão Lopes disse...

Lu,

parece que, realmente,
somos feitos desta contradição:
ora tudo,
ora nada;
ora completude,
ora insignificância.

O bom é que, neste dilema,
ainda podemos nos dar as mãos...

Um abraço, querida!

Francisco disse...

Fico sem palavras... Porque dizes tudo com enorme simplicidade...