quarta-feira, 13 de junho de 2012

Dos dias pétreos


Tem dias em que eu não me respeito: eu praticamente me obedeço
Tem dias em que eu não me reconheço: eu praticamente me desconstruo.
Tem dias em que eu não me surpreendo: eu praticamente crio meu próprio pavor.

São dias em que as construções denunciam meus relevos e falésias. Dias onde a minha arquitetura desaba em rabiscos fracos, quase nulos. Eu sou uma absorção que o vento fez das idéias do mundo, sou uma camada fina de ódios.

E estes não são, por isso, dias menos iluminados ou claros. São simplesmente dias de estar em mim em um descontínuo compasso.

Pois o dia dos finais que não chegam nunca, mas dormem sempre ao meu lado, respiram em minha nuca todas as desverdades que eu jamais ousei pensar.

Pensamento é boca calada e ouvidos rasgados.

Sou cheia de pensamentos vagos espalhado sobre todos os líquidos que o mundo ousa petrificar.

Um comentário:

Cris Lavratti, a dona do olhar disse...

Lu... me achei nas tuas linhas!
Lindo...
Beijos