Quando meu corpo também estiver não vai ser esse lugar o meu destino, mas para mim é quase igual...terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Grande Gandhi
"You never know what's coming for you"
Ontem assisti ao filme "O curioso caso de Benjamin Button". Desde o momento em que as luzes do cinema acenderam já comecei a formular pensamentos e teorias próprias sobre esse filme, que pensei em dividir com quem passa por aqui. É dificil, mas vamos lá.
A frase que primeiro me vem à mente é a que a mãe do protagonista lhe pergunta depois que ele regressa de um longo período longe de casa:
"Então? O que lhe aconteceu de bom? O que vale a pena que repitas para mim?"
Ah, pois é... O que será que faz valer a pena ser repetido de tudo o que ouvimos e vivemos em um dia, em um mês, em um ano? Em uma vida? O que é que estamos contando por aí que nos marca? O que vale a pena postar num blog, por exemplo? Fiquei me perguntando quantas vezes reproduzimos coisas que não interessam, quantas vezes falamos por falar, contamos histórias que não trazem nada de novo.
Mas falando mais sobre o filme: é longo, e faz a gente ficar se remexendo na poltrona. Pelo desconforto físico das horas sentada mas pelo desconforto psicológico também. Ele gera uma série de reflexões sobre a vida, a morte e nossas escolhas. Acho que todos sabem que a história é de um homem que nasce velho e vai rejuvenescendo fisicamente à medida que o tempo passa. A idéia achei incrível. E os fatos que vão lhe acontecendo na verdade não são diferentes aos de um ser humano qualquer. Sua necessidade por descobrir-se, o medo de perder quem se ama, a necessidade de ser aceito.
Tem muitas outras coisas que foram acionadas em minha mente nesse filme, que eu não conseguiria reproduzir assim de uma vez aqui. Mas uma coisa esse filme me fez refletir: parece um pensamento pesado, triste, mas não é: Fiquei pensando que na verdade, na vida, estamos todos sós.
É como se a vida fosse um trem e vamos passando pelas estações, conhecendo novos companheiros de viagem. Uns ficam ao nosso lado por quase todo o trajeto. Outros descem antes do esperado, outros ficam mais tempo do que gostaríamos. Mas no final das contas, é cada um por sua conta e risco, com sua bagagem em mãos e suas escolhas. O filme traz muito isso: de que cada escolha marca nosso "destino", e que somos responsáveis por ele e fazemos dele o que quisermos ou pudermos. E cada um de nós tem um dom, e dá o sentido que deseja e que pode a sua própria vida. Mas também é um filme que fala de amor. De um amor que vence o tempo cronológico. Porque dentro de nossas tantas escolhas em uma vida, vem a de poder optar por quem estará ao nosso lado, quem elegemos para dividir a viagem conosco.
Talvez nem seja essa exatamente a moral do filme. Mas foi o que ele me provocou. Quem sabe se em algum outro momento eu lembrar de outra coisa eu venha aqui contar.
"For what it's worth: it's never too late or, in my case, too early to be whoever you want to be. There's no time limit, stop whenever you want. You can change or stay the same, there are no rules to this thing. We can make the best or the worst of it. I hope you make the best of it. And I hope you see things that startle you. I hope you feel things you never felt before. I hope you meet people with a different point of view. I hope you live a life you're proud of. If you find that you're not, I hope you have the strength to start all over again"
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Correr Para Ver
Fazia tempo que eu queria trazer para cá, esse meu mundo interno virtual, meus sentimentos em relação ao meu mais novo vício. A corrida.Eu sempre gostei de correr, sempre admirei corredores e maratonistas, imaginando a curtição e a adrenalina de poder correr por quilômetros, vencer desafios, se superar. Mas eu nunca tinha a persistência necessária. Ou eu agüentava tão pouco tempo que me frustrava e quando me dava alguma dor eu ficava tão decepiconada que demorava a tentar de novo, ou então eu agüentava um monte, sem estar devidamente treinada, e me estourava de tal maneira que só conseguiria correr de novo no mínimo depois de 1 semana, já quebrando toda e qualquer possível regularidade.
Desde novembro/dezembro, meu local de trabalho organizou uma equipe de corrida. Eu, sempre desejosa pela possibilidade de algo ou alguém que me empurrasse para essa regularidade, ingressei no grupo, num misto de empolgação mas de medo de não corresponder às expectativas de uma equipe.
Eis que desde então eu venho correndo 3 vezes por semana, quase religiosamente. Por incentivo da equipe, mas muito dele.E nunca me senti tão bem. Nunca tinha conseguido, até hoje, os resultados que venho conseguindo e nem a satisfação. E agora não me vejo não correndo no mínimo essas 3 vezes na semana. É meu refúgio, meu momento.
Correr é desafiar os próprios limites. É conhecer o próprio corpo. É um lance psicológico no sentido de não se entregar no primeiro cansaço, de seguir correndo mesmo quando parece que não vai mais se aguentar. E quando a gente segue correndo, mesmo desobedecendo a vontade do corpo pelo descanço, e depois chega uma nova descarga de energia e a gente volta a ter pique, não tem sensação melhor. Fora a tal da endorfina, bichinha que eu não conhecia, e que ontem eu senti pela primeira vez. Foi como uma onda de formigamento no corpo todo, um arrepio, e eu so consegui ficar sorrrindo, que nem boba, no meio da redenção, sentindo aquela sensação maravilhosa no meu corpo e ouvindo uma música empolgante no meu i-pod, mesmo já com quase 55 minutos e 10km nas costas.
Vou seguir correndo. Quem sabe não terá em breve aqui posts comentando sobre conquistas nas maratonas das quais vou participar em 2009!
Run, Lulu, Run!!!!
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Sobre férias, tempo e felicidade
Por que será que quando a gente quer muito que alguma coisa chegue logo o tempo demora mais a passar?
Aliás, todo mundo fala que o tempo tem passado mais rápido do que antigamente (eu inclusive), que os anos tem passado mais rápido. Mas os dias continuam tendo apenas 24 horas, os meses 30 dias, e os anos 365. O que se passa? A sensação é de que estamos sempre perdendo tempo. Talvez porque estejamos perdendo vida demais com tanto estresse, tanto trabalho, tão poucos momentos efetivamente felizes e de tranquilidade.
Não sei bem explicar, mas preciso muito que minhas férias cheguem logo. E hoje, faltando exatamente uma semana, parece que falta um século.
Outra coisa é essa tal felicidade: a gente deseja tanto por ela, espera tanto, que às vezes ou ela está debaixo do nosso nariz e a gente não percebe ou a gente até percebe que está bem assim, no meio dela, mas morre de medo do momento em que ela possa ir embora. E claro que vai embora, por períodos curtos ou longos (vejam bem, nunca permanentemente), porque se a gente fosse sempre feliz não ia mais ser tão bom.
Enfim, em confusas linhas, o meu momento é esse:
Ansiosa para que o tempo passe e as férias digam "Cheguei"
Feliz e consciente disso mas com aquele medinho que ela vá embora rápido demais...e que não diga "volto já".
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Um mar de oportunidades
- Uma onda não é só uma onda. É uma oportunidade.Após estarem sentados os dois em um silêncio cúmplice à beira mar, aquela fala a desconcertou e a fez pensar que, de certa forma, o mar é como a vida; que todos somos surfistas ávidos pela onda perfeita. A oportunidade perfeita. E começou a pensar sobre como vinha usando as suas oportunidades, em como estava surfando suas ondas.
Preparava-se o suficiente? Aquecia antes de entrar no mar para evitar cãibras? Protegia-se do frio com sua roupa de neoprene? Passava parafina o suficiente na prancha para que não escorregasse e tomasse uma "vaca"?
"Fácil reclamar das ondas", ela pensou. "Dífícil é preparar-se e perceber que a boa onda é resultado não da sorte, não só das marés, mas da nossa dedicação e da perspicácia de estar no momento certo, na hora certa."
Olhou para o mar e viu aqueles surfistas todos, sentados em suas pranchas, à espera da onda perfeita. Olha para ele e pergunta:
- Na vida então ficamos todos assim, nessa espera? Como, entre tantos outros, conseguirei eu ser a dona da onda, usá-la, percorre-la, saboreá-la?
- Talvez o segredo não esteja na competição em si. Porque posso até chegar primeiro na onda, mas posso estragar tudo, posso desperdiçá-la. Então não devemos nos preocupar tanto em competir com os outros pela conquista da onda, da oportunidade. Porque isso é só o começo. Se eu focar somente no ganho da oportunidade e não em usá-la bem, de nada adiantará tê-la ganho... O desafio vem depois, em percebermos nossas competências ou não para administrar essas oportunidades. A competição é conosco, com nossas fraquezas, nossos temores e nossas inabilidades...
"É", pensou ela. "Há que se seguir em eterno treino, parafinas e neoprenes... e quando formos os donos de nossas ondas remar, remar muito para não as perder. E não esquecermos de nos divertir também, aproveitarmos a delícia e o desafio que cada onda nos oferece"
E os dois voltaram a ficar em silêncio, em frente ao mar, surfando juntos essa e tantas outras ondas que ainda estariam por vir, nesse vício apaixonante que é a vida.
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