Mostrando postagens com marcador Devaneios. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Devaneios. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

A função mix

Ela nao sabia que a vida sempre teve a mesma função mix da câmera Lomo que usava. A função mix coloca, em uma mesma imagem, cenas de "clicks" distintos, como se estivessem sempre ali, integrados. Ela, que nunca havia aproveitado o seu mix como poderia. Ela, que passara a vida tentando distinguir cada imagem, separar eventos, pessoas, separar a razão da emoção, o lógico do irracional, o amor da dor, via-se então misturando cenas e sensações em seu olho diafragmático.

Não havia mais como separar sua história nem seu corpo de sua vida. Ela agora era uma, íntegra, inteira e imperfeita. A fotógrafa de sua própria história.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Do pouco que sei


Meu futuro sempre será musical...

terça-feira, 3 de março de 2009

Quem somos nós?

Eu quero saber quem é você
no dia em que você não saiu bem na foto.
No dia em que você escolheu mal a sua roupa.
Naquele dia em que você falhou.
O dia em que decepcionou alguém.

Quero saber quem é você quando tudo dá errado,
Quando você acorda e o seu cabelo parece péssimo.
O dia em que você acorda doente, com olheiras.
No dia seguinte a um porre desmedido e estúpido.

Quero conhecer você quando cometer um erro
Quando aparecer seu preconceito, o que de pior há em você
Só então me diga quem você é.
Só então acredite que você conhece a si mesmo.
Até lá, você é apenas mais uma pessoa comum,
querendo parecer o que ainda não é.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Apontando meus lápis de cor

A menina atravessa a rua em frente ao meu carro, parado no sinal vermelho, em frente à escola dela.

Carrega livros e cadernos que parecem novos, sem nenhuma "orelha". Brilham. O uniforme que veste está limpo, como se tivesse sido passado a ferro pela mãe ainda ontem. Os cabelos estão perfeitamente presos num rabo de cavalo e o sorriso já assinou a presença em seu rosto.

E rápido assim, naqueles poucos segundos em que a vida dela encontrou a minha e nossas faixas de segurança se cruzaram, eu me transportei para esse tempo, em que o meu ano escolar recomeçava. Eu, entusiasmada com a nova "série", com os materiais, canetas e cadernos novinhos que eu ganharia. As novas matérias que eu aprenderia, os colegas que reencontraria, as pequenas grandes paixões de quem eu me esconderia ou flertaria. E me bateu uma saudade...

Não necessariamente de voltar a essa época, porque apesar de hoje a maioria das pessoas pensar que era feliz e não sabia na época do colégio, às vezes esquecemos também dos dramas e tristezas que a insegurança e as incertezas adolescentes traziam em nossas mochilas da Company.

O que eu quis, no instante em que eu atravessei a rua junto com a menina, foi que aquela sensação que eu sentia então, aquela euforia, voltasse a me encontrar em todos os meus marços. Ali eu quis que nessa próxima segunda-feira, quando eu recomeçar a trabalhar, eu possa sentir essa mesma agitação, que eu me dirija ao trabalho empolgada, curiosa para o que vou aprender de novo, quem irei reencontrar, os meus materiais novos que posso me dar de presente.

Porque nessa nossa vida escolar adulta, não temos mais o perigo de rodar de ano concretamente, o que na verdade é um grande risco. Não sabemos quando estamos sendo reprovados de verdade e justamente por isso podemos acidentalmente seguir errando e "rodando", literal e metaforicamente falando, e persistir colando nas provas ou não estudando o suficiente para aprender de verdade.

Quero ser uma boa aluna da minha vida nesse novo ano letivo que se inicia. Tenho a sorte de estar perto de bons mestres. Não quero ser a cdf que eu era no colégio. Posso até sentar na turma do fundão de vez em quando, porque é muito mais divertido, mas eu não vou esquecer as novas e as antigas lições...não vou deixar de fazer os meus temas de casa.

Vai, menina, atravessa essa rua e carrega contigo teus novos materiais, teus novos amores e teus novos sonhos. Deixa que o sinal abra, e eu possa arrancar rumo aos meus.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

8 fins para os quais um blog NÃO deveria servir

1) Ser terapeuta ou padre da pessoa que nele escreve;

2) Ser usado para criar uma imagem distante da que é a real;

3) Dar recados subliminares a alguma pessoa;

4) Ser exposição de dramas e conflitos muito íntimos;

5) Expôr pessoas alheias;

6) Ser usado para substituir o olho no olho;

7) Ser um "termômetro" do quanto achamos que somos gostados proporcionalmente ao número de comentários feitos;

8) Ser um corpo virtual sem uma alma virtual.

***
Devem haver muitos outros fins, mas só pensei nesses 8.
E expressam pura e simplesmente a minha opinião pessoal.

Porque, no final das contas, cada um utiliza esse espaço como pode.
E blogar é bom demais.




quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Quiet music in my soul

Eis que voltar desperta essa coragem
Minhas pequenas raivas diárias,
lutas pelos silêncios que rompem,
brindes a novas canções e ritmos.

Eis que voltar me dá vontade
de escrever sem medo
conversar com quem olha nos olhos
chorar de emoção e explosão
Vontade de ouvir e cantar Vitor Ramil

Eis que voltar engolfa minha preguiça
e diz "Vai lutar! Vai brigar pela vida!"
A vida é lenta para quem não sorri
As escolhas são fáceis para quem se lamenta.

Eis que voltar me afugenta da fuga de mim.
Porque não tenho mais escapatória
Já me conheço o suficiente
Para me amar, odiar e absolver.

Eu não me lamento. Quase nunca.
Eu escolho. Eu erro. Eu aprendo
Eu volto. Eu vou. Eu repito.

Já errei muito. Tanta bobagem...
Já escrevi o que não devia,
Já não falei o que precisava.

Palavras, faladas ou escritas:
Seriam desabafos em sons e tinta,
ou meras fantasias de carnaval?

Eu não acredito em mais nada
além de mim e naqueles que me rodeiam
Os escolhidos e os acidentais

Minha solidão virou minha parceira
e o meu medo ainda me visita,
somente quando não estou preparada.

Eu quero enxergar as coincidencias,
eu quero perceber sincronicidades

Eis que voltar dá essa saudade
de tudo o que construí pela vida
e que me abandonou
ou que deixei para trás

Eis que voltar dá essa alegria
de ver onde cheguei
e de que esse não é um lugar
E sim um estado.

Pois eis que voltar me mostra
que meu descanso e minha paz
me seguem onde eu estiver:
Praia, serra, campo, cidade.

Edifico minha cidade em mim mesma
e o tempo não interessa mais.
Eu vou, eu volto e viajo em mim.

Recebo companhias,
afasto quem me afasta de mim
abraço quem compartilha o medo
dou a mão a quem se mostra
sorrio lágrimas a quem cala comigo
diante da loucura que é viver,
e não é preciso dizer mais nada.


"There is a sculpture
Steel and snow
Quiet music
In my soul

Joy, deep inside it is joy
Where I shape the steel
Leave me there
Pain, where I shape the pain
Deep inside it snows
Let me stay there..."

Vitor Ramil - Quiet Music

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Meus astros, minhas estrelas

O corpo até consegue parar, mas a cabeça não.

Hoje fiquei pensando sobre astros, astrologia, horóscopo e o futuro.

Eu sou daquelas que diz "no creo en brujas, pero que las hay, las hay". Nunca acreditei muito nesses lances de astrologia, mapa astral, búzios, etc. Mas, confesso, sempre tive muito curiosidade em conhecer mais sobre o assunto e até já fiz meu mapa astral e já fui numa mulher que tirou as cartas para mim. Gostei das duas experiências. Mas no fundo sempre me questiono sobre esses recursos de "auto-conhecimento".

Dentro da minha profissão parece até estranho eu recorrer a isso quando sempre estudei que é a nossa personalidade, nossos traços de caráter, nossa estrutura psíquica, nossa origem, família e criação, que regem ou muito determinarão quem uma pessoa se tornará. E, além disso tudo também há o livre arbítrio. Amém. Existe uma frase que eu adoro e que uso sempre: "História não é destino". Ou seja, não é porque fui pobre ou rica, porque meus pais se separaram ou não, porque minha mãe era deprimida ou não, que eu terei de ser vítima da minha história e me desculpar aos outros e a mim mesma por ser como sou. Eu sou o que sou por contingência das minhas escolhas. Que elas são baseadas nas minhas neuroses e traumas? Lógico que sim. Mas então cabe a mim perceber isso e procurar melhorar se algo me incomoda ou atrapalha a minha vida. Com terapia ou qualquer outro recurso que eu julgue que me faça refletir e melhorar. Também acho, por outro lado, que somos muito mais influenciados pela natureza, pelo mar, ou até pelos astros mesmo, do que supomos. Não sou tão cética assim. Acho sim que existe "algo mais entre o céu e a terra do que julga nossa vã filosofia".

E se esses recursos são científicos ou não, isso não importa. Claro que vou defender sempre a psicoterapia, por experiência própria e por estudos próprios. E sempre vou ter uma curiosidade e até certo gosto por mapa astral, cartas e coisa e tal.

Mas ainda assim, mesmo que custosamente, vou sempre preferir que ninguém saiba ou julgue saber, nem mesmo eu, sobre meu futuro. Para que eu possa ir inventando ele todos os dias, devagarinho, descobrindo junto aos que amo todas as surpresas que essa vida me reserva, as boas e as ruins. Escolhendo meus rumos e trilhando meu próprio caminho para as estrelas.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

"You never know what's coming for you"

Ontem assisti ao filme "O curioso caso de Benjamin Button". Desde o momento em que as luzes do cinema acenderam já comecei a formular pensamentos e teorias próprias sobre esse filme, que pensei em dividir com quem passa por aqui. É dificil, mas vamos lá.
A frase que primeiro me vem à mente é a que a mãe do protagonista lhe pergunta depois que ele regressa de um longo período longe de casa:

"Então? O que lhe aconteceu de bom? O que vale a pena que repitas para mim?"

Ah, pois é... O que será que faz valer a pena ser repetido de tudo o que ouvimos e vivemos em um dia, em um mês, em um ano? Em uma vida? O que é que estamos contando por aí que nos marca? O que vale a pena postar num blog, por exemplo? Fiquei me perguntando quantas vezes reproduzimos coisas que não interessam, quantas vezes falamos por falar, contamos histórias que não trazem nada de novo.

Mas falando mais sobre o filme: é longo, e faz a gente ficar se remexendo na poltrona. Pelo desconforto físico das horas sentada mas pelo desconforto psicológico também. Ele gera uma série de reflexões sobre a vida, a morte e nossas escolhas. Acho que todos sabem que a história é de um homem que nasce velho e vai rejuvenescendo fisicamente à medida que o tempo passa. A idéia achei incrível. E os fatos que vão lhe acontecendo na verdade não são diferentes aos de um ser humano qualquer. Sua necessidade por descobrir-se, o medo de perder quem se ama, a necessidade de ser aceito.

Tem muitas outras coisas que foram acionadas em minha mente nesse filme, que eu não conseguiria reproduzir assim de uma vez aqui. Mas uma coisa esse filme me fez refletir: parece um pensamento pesado, triste, mas não é: Fiquei pensando que na verdade, na vida, estamos todos sós.

É como se a vida fosse um trem e vamos passando pelas estações, conhecendo novos companheiros de viagem. Uns ficam ao nosso lado por quase todo o trajeto. Outros descem antes do esperado, outros ficam mais tempo do que gostaríamos. Mas no final das contas, é cada um por sua conta e risco, com sua bagagem em mãos e suas escolhas. O filme traz muito isso: de que cada escolha marca nosso "destino", e que somos responsáveis por ele e fazemos dele o que quisermos ou pudermos. E cada um de nós tem um dom, e dá o sentido que deseja e que pode a sua própria vida. Mas também é um filme que fala de amor. De um amor que vence o tempo cronológico. Porque dentro de nossas tantas escolhas em uma vida, vem a de poder optar por quem estará ao nosso lado, quem elegemos para dividir a viagem conosco.

Talvez nem seja essa exatamente a moral do filme. Mas foi o que ele me provocou. Quem sabe se em algum outro momento eu lembrar de outra coisa eu venha aqui contar.

"For what it's worth: it's never too late or, in my case, too early to be whoever you want to be. There's no time limit, stop whenever you want. You can change or stay the same, there are no rules to this thing. We can make the best or the worst of it. I hope you make the best of it. And I hope you see things that startle you. I hope you feel things you never felt before. I hope you meet people with a different point of view. I hope you live a life you're proud of. If you find that you're not, I hope you have the strength to start all over again"

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Uma boa dose de Nietzsche para o feriado...


“A vantagem de ter péssima memória é divertir-se muitas vezes com as mesmas coisas boas como se fosse a primeira vez.”

“As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras”

“Sem música, a vida seria um erro.”

“Temos a arte para não morrer da verdade.”

“Odeio quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer verdadeira companhia.”

“Você vive hoje uma vida que gostaria de viver por toda a eternidade?”

"É preciso ter asas, quando se ama o abismo".

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Resiliência: A saga (Parte III): Escolhas, renúncias e responsabilidade


Depois de muita correria, horas na frente do computador, horas de trabalho com o estatístico, chegou a hora de encarar meu orientador, que, de um jeito extremamente afetivo me disse que minha dissertação do mestrado precisava de mais análises, mais estatísticas e consequentemente mais tempo, o que era a única coisa que eu não tinha.

Amanhã, dia 30, seria o dia em que eu teria que estar entregando minha dissertação. Foi então que com a ajuda dele eu tomei a decisão: trancar meu mestrado por um semestre, trabalhar com tempo e dedicação na minha dissertação a partir de março e defender em agosto. Parece simples, mas não foi fácil. Foi uma decisão que trouxe como implicação lidar com a frustração de não conseguir cumprir um prazo, a sensação inevitável de que não dei conta das minhas responsabilidades, etc. Mas o saldo final também foi de alívio, um imenso alívio.

O dificil e o que acho que realmente torna útil postar isso aqui, é a sensação que fiquei depois, quando comecei a contar às pessoas sobre minha decisão: era como se eu ficasse esperando que as pessoas me dissessem: "Que coisa boa, Lu", " Fez muito bem, não tem problema esperar mais um semestre!" Mas ninguém me disse isso. Porque ninguém tem obrigação de dizer isso e porque ninguém sabe de fato o que se passava dentro de mim em relação a isso.

Foi então que essa escolha fez reverberar tantos sentimentos em relação a tantas outras escolhas que já fiz e que são feitas todos os dias por mim e por cada um de nós. Será que fazemos nossas escolhas totalmente isentos da opinião alheia? Por que se torna tão importante a aprovação dos outros quando tomamos uma decisão? Precisamos de cúmplices que tornem nossas decisões coletivas ao invés de individuais e, portanto, as consequencias delas também?

Decidir nunca é fácil. Escolher um caminho, abandonar alguma coisa, fechar um apartamento para pensar num objetivo a longo prazo, terminar ou começar uma nova relação, mudar de emprego ou se atirar de cabeça no que se está. Mudar de cidade ou ficar na que se conhece. Toda escolha inplica em perda, em renúncia. E o complicado é que conhecemos o que estamos perdendo mas muitas vezes ainda desconhecemos o que iremos ganhar. Então fica aquela incógnita: Largo o certo, o garantido pelo duvidoso? E o mais curioso é que tem pessoas que se apegam ao garantido mesmo quando ele já não serve mais, quando não traz mais alegrias. Mas as vezes a segurança da monotonia supera o desejo pelo novo e as surpresas do incerto, mesmo que exista a promessa de uma vida melhor nesse terreno desconhecido.

É só uma postergação de 6 meses. Uma escolha banal. Mas nao é simples assim. Eu tomei uma decisão que é minha. Ninguém tem nada a ver com isso. Sou eu comigo mesma e encarando as consequencias dos meus atos sem ter ninguem a resposabilizar além de mim mesma. E foi só em relação ao mestrado mas a partir de agora vai ser em relação a tudo que eu escolher.

É, não é fácil ser adulta. Assumir responsabilidade pelas escolhas. Mas é o unico jeito de se crescer. De aprender de fato e parar de culpar aos outros quando alguma coisa dá errado e poder olhar para si próprio e saber onde se errou ou acertou.

Erros, acertos, ganhar ou perder. Quem saberá? Os dados estão lançados e cada um vai escolhendo e vivendo como pode.

Boa sorte a todos nós.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Simplesmente Luciane

Ontem não postei nada. Hoje estou com pouca vontade, mas resolvi sentar aqui e escrever de qualquer maneira. Saia o que sair. Nem que depois eu apague tudo.

Eu quero falar de limpeza. De leveza. Eu quero pensar em renascimento, em brindes, em vento no rosto, em risada de criança.

Limpeza é lavar a alma. Ser feliz até chegar naqueles momentos em que parece que o coração vai explodir de tanta alegria. Como se não coubesse no corpo. Eu já senti isso. Na quantidade mínima para que eu não esqueça como é mas também o suficiente para que não seja tão fácil de se atingir.

Eu quero amizade. Verdadeira. Eu quero cultivar meus amigos, que eles saibam o quanto são preciosos para mim. Quero amar certo, quero me dar, quero continuar sendo assim explícita, assim com o mundo escrito nos meus olhos. E claro, preciso continuar convivendo com bons leitores deles. Pessoas ricas, pessoas que me agreguem coisas, pessoas gente, não fachadas, como se vê tanto por aí.

Quero chorar de alegria. Quero me arrepiar várias vezes por dia. Receber gestos espontâneos a qualquer hora. Quero continuar amando as pequenas coisas da vida, coisas banais.

Quero continuar sendo musical como eu sou, que minha vida vá agregando novas músicas na sua trilha sonora. Quero não esquecer das minhas dores para que eu possa lembrar o quanto cresci, o quanto ainda tenho a aprender. Quero ter orgulho das minhas feridas e cicatrizes.

Quero cuidar da minha família. Não esquecer de dizer a todos que amo cada um deles de um jeito especial. Quero formar a minha família, ser uma pessoa boa, formar pessoas do bem, pessoas integras, gente. Dar amor, assim sem esperar nada em troca além de amor recíproco.

Quero meditar, tomar banho de mar, ter conversas de verdade. Quero ter por perto gente que saiba olhar nos olhos. Quero ler, quero aprender, quero ensinar.

Quero tudo aquilo: plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho. Quero vida. Quero voltar a tocar violino um dia em breve, quero pintar um quadro algum dia. Quero não deixar nada desses desejos para depois. Quero não esquecer que a vida é preciosa.

Quero tudo isso e somente isso.

Estou feliz, hoje, por ser simplesmente Luciane e saber quem ela é de verdade. Por ter chegado até aqui, por estar satisfeita comigo e com as escolhas que venho fazendo, e claro, sempre acreditando que o destino, a sorte, ou sei lá como podemos chamar isso, também fica do meu lado de vez em quando.

É, foi bom escrever tudo isso. Não vou apagar não. A quem teve paciência de ler até aqui eu agradeço, a quem não teve eu também agradeço. Porque tem coisas que a gente escreve para a gente mais do que para qualquer um.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Chega de saudade?


Amo essa letra do poeta Tom Jobim, mas não sei se chega de saudade... Desde ontem venho pensando nela.

Estava sentada no ônibus em Garopaba esperando o que seria minha longa jornada de 7 horas e 20 minutos de estrada até Porto Alegre quando entra uma guria, lá pelos 20 e pouquinhos, chorando no ônibus. Sentou na poltrona na mesma fileira do que eu, do outro lado do corredor. Fiquei olhando de canto para ela(porque não tem nada mais desagradável quando a gente precisa chorar em público e alguém fica olhando sem parar) e viajando no motivo do choro dela. Logo presumi que devia ser aquela despedida do carinha com quem ela ficou e que deviam estar naquela paixão e ela tendo que se separar dele para retornar à cidade. Sorri comigo mesma pensando na beleza desses momentos e o quanto essas recordações são coisas preciosas na nossa vida, mas ao mesmo tempo sei o quanto para quem vive isso, naquele momento, não é engraçado, ainda mais nessa idade em que tudo o que se refere a essa área do amor é mega sério e dramático.

Saí do foco dela e me voltei para a vida em geral e para a saudade.

Eta sentimento complexo de se explicar.

Cada pessoa sente saudade de uma forma diferente, mas se a gente perguntar, todo mundo vai dizer que já sentiu alguma vez na vida. E quando vi o aparente "sofrimento" dessa guria pensei: "Claro que ela não está pensando nisso agora, mas como é bom sentir saudades". Porque significa que a gente está ligado a alguém ou a alguma coisa de maneira tão intensa, tão entregue, que quando a gente se afasta parece que uma parte nossa ficou com essa pessoa de quem nos afastamos.

Dói sentir saudades, principalmente quando a perda é permanente. Mas como é bom ter essa capacidade de se entregar, de investir e colocar um pedaço da gente em outra pessoa. Relações são uma coisa complicada. A gente não tem certeza nenhuma em quase nada nessa vida, então muitas vezes ficamos num terreno frágil, de vulnerabilidade.

Mas, quando se está morrendo de saudades de alguém e se revê essa pessoa que carrega consigo essa parte da gente tão prezada e sabemos que essa saudade é recíproca , não há sensação melhor. Como se o mundo ao redor pudesse parar.

Não, não chega de saudade. Deixemos que ela chegue, que mostre o quanto certas pessoas nos são queridas e ocupam um espaço precioso na nossa vida. Mas também deixemos que ela vá embora de tempos em tempos, para o nosso coração e nossa alma poderem sorrir e estar em paz.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Bobagens


Às vezes eu queria ser menos densa.

Hoje não quero profundidade.
Hoje quero superfície.
Só um pouquinho.

Alguém tem alguma bóia aí?

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Palavras apenas, Palavras pequenas...

Hoje acordei em silêncio. E o mundo gritava dentro de mim. Impressionante como em determinados momentos em que estamos sós e conseguimos nos perceber "de fora", nos damos conta da quantidade de pensamentos e idéias que nos acompanham.

Então percebi que a pauta psicológica do meu dia hoje é: comunicação. No seu sentido mais amplo. Sempre me impressiono ao ver que cada vez menos as pessoas conseguem efetivamente se comunicar. Acho que há um equívoco atual: muitos consideram que comunicar algo é simplesmente conseguir falar o que se deseja. Eu discordo. Falar é fácil. Agora, ser escutado está cada vez mais raro.

O que mais acontece nos diálogos atuais justamente vai contra o sentido etimológico da palavra diálogo. O que ocorre mais comumente é a concorrência entre dois monólogos. Dificil conhecer alguém que te escute e fique, por 10 minutos que sejam, focada no teu problema, ou na tua questão, realmente colocando-se no teu lugar e te ajudando a solucionar a questão. Isso me entristece. As pessoas querem só falar de si. Querem respostas rápidas. Querem "vomitar" o que sentem a qualquer preço. Não todas, lógico. Mas percebo uma tendência a esse isolamento.

Então pensei em quanto eu tenho me exercitado nesse aspecto, não tanto de ouvir, pois isso eu sinto que consigo fazer, até pelo fato da profissão que escolhi, que traz como consequencia essas capacidade de ouvir, a disponibilidade afetiva de colocar-se no lugar do outro.

Meu exercício tem sido o de reflexão pessoal sobre a diferença entre palavras e atitudes. Nem sempre elas vão pelo mesmo caminho. Alguns dizem que um gesto vale mais do que mil palavras. Concordo. Mas existem certas palavras que precisam ser faladas, e gestos não falam por sentimentos toda hora. Freud, no início da descoberta da Psicanálise a definiu como "a cura pela palavra". Basicamente muitas resoluções de conflitos inconscientes começam a sofrer mudanças e a apresentar melhora quando conseguimos dar palavras ao problema. É então que a questão começa a ser trabalhada para que somente aí, os comportamentos comecem a ser modificados.

Palavras. Atitudes. Mas e o silêncio?

O silêncio fala. Muito. Pode falar da incapacidade de se comunicar. Um olhar sim, pode falar mais do que palavras. Nessa nossa era virtual de msn, twitters, blogs e sms, o silêncio, o olhar, a comunicação não-verbal foi vencida pela facilidade e a neutralidade de palavras digitadas. Não posso perceber a emoção por detrás de um torpedo. Uma mesma frase pode ser compreendida de inúmeras formas dependendo da entonação em que é colocada. E se eu leio essa frase, vou dar a ela a entonação que eu imagino, e daí começam os problemas. A falha na comunicação. As pessoas conseguem se expresssar melhor por palavras escritas do que pelas faladas e quando se veem frente a frente não conseguem nem mesmo se olhar nos olhos.

Não sei. Não tenho conclusões. Só acho que hoje vou passar o dia refletindo sobre isso. Sobre o prazer de ser escutada, sobre o prazer de perceber um gesto de alguém que me emocione, e também sobre os silêncios com os quais temos que conviver para nos ouvirmos melhor.

E agora, pensei: será que eu consegui comunicar o que eu pretendia através dessas palavras?

...

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Before sunrise


"I like to feel his eyes on me when I look away"

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Mind your own business


Da trilha de "Stranger than Fiction".

Adorei a letra.
Adorei a sonoridade.
O legítimo momento "cada um no seu quadrado"

Das coisas boas que a chuva não leva


Esse final de semana de praia, curto mas que valeu por semanas, já me trouxe aqui de volta a pensar.

Uma das coisas que mais eu penso nessas viagens curtas assim, e que são mais para "longe" do que a lógica te mandaria ir por apenas dois dias, é que a gente esquece o quanto é fácil fazermos mais da vida, sairmos mais do lugar, nos divertirmos mais, e que muitas vezes é a nossa inércia que nos impede de ter mais diversão na vida.

Sempre que eu estou em Porto Alegre e penso em ir até Santa eu penso, "Bah, mas só por um fim de semana, a estrada ainda não tá boa, é tão longe...", bla, bla, bla. Depois que chego lá, mesmo que seja no sábado de manhazinha, e passo um dia leve, ou piso na areia e dou UMA caminhada na praia, meu pensamento automaticamente passa para "Bah, eu poderia ir embora agora que já teria valido a pena".

Ontem até às 8 da noite eu estava em Santa Catarina. Hoje, 8 da manhã, já estava aqui em Porto começando minha semana bem feliz. As coisas não são difíceis. As coisas são muito simples, na verdade. A gente é que complica. E olha que o sábado inteiro foi de chuva e mesmo assim eu poderia ter voltado sábado e já teria valido a pena. Sair do lugar, pisar na areia, conhecer melhor as pessoas com quem convivemos, fazer novos amigos, ter a felicidade de acordar no domingo e vibrar pelo simples fato do sol estar brilhando já é tudo.

Praia, amor, amizade, gratidão e alegria são algumas das boas coisas da vida que não tem chuva que leve.

Amem.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Digo a vocês, meus senhores

Digo a vocês, meus senhores
Que sigo preferindo o longo caminho
Pela beleza de suas paisagens e curvas,
pois sei que já não caminho sozinho.

Digo a vocês, meus senhores,
Que sigo preferindo o pranto
Por suas lições e recomeços,
à vida tranquila mas sem encanto

Digo a vocês, meus senhores,
Que prefiro a pílula pálida
Que por vezes na garganta entala,
à pilula dourada, falsa cálida.

Digo a vocês, meus senhores,
Que prefiro me atirar na vida
Mesmo sem certeza ou garantia,
a passar por ela batida.

Digo a vocês, meus senhores
Que viver assim é complexo,
Pois buscar saber quem se é
Traz sempre um duro reflexo.

Saibam então que busco, meus senhores,
desesperadamente, saber quem eu sou
E cuido bem de minhas dores e vitórias
Porque essa busca, ah, sempre me encantou!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Resiliência: a saga (parte I)


Quem me conhece sabe que a palavra resiliência tem feito parte do meu vocabulário diário há alguns meses.

Agora, na fase final (e desesperada) de elaboração da minha dissertação de mestrado, tenho lido ainda mais para poder escrever a discussão da pesquisa, ou seja, aliar os dados que levantei com a bibliografia e colocar minha opinião crítica a respeito. Não vou ficar aqui explicando toda a minha dissertação porque ninguém chegaria ao final do post, mas falo do que interessa a todos nós e que é a definição da palavra resiliência: a capacidade que o ser humano tem de enfrentar traumas, quedas, obstáculos, e ainda sim retornar à vida e retomar sua estrutura.

Quando dou aulas sobre o tema, sempre explico em uma linguagem direta e acessível, que para pensarmos em nossa capacidade de resiliência poderíamos pensar no João Bobo, que sempre leva socos mas sempre se ergue novamente. Talvez eu esteja postando sobre isso como uma necessidade de me aliviar um pouco desse tema, mas também para dividir uma leitura que fiz que me serviu muito e acho que vale compartilhar:

" A atitude resiliente consiste em perguntar-se: O que vou fazer com a minha ferida? Vou refugiar-me de vez em quando em minhas fantasias e extrair delas átomos de beleza que me permitam convertar o real em algo suportável, que me permita inclusive, vez ou outra, embevecer-lo?"

Ele fala em defesa de uma fantasia que embeleza a vida, não fantasia como fuga. Fantasia que vem na criatividade. Ele diz:

"Quando o real nos desespera, a fantasia constitui um fator de proteção".

Porque, ele nos diz mais, o trauma não é a dor do golpe que recebemos mas sim a forma como interpretamos esse golpe e o significado que damos a ele. E isso vai depender de nossa história, de nossos recursos internos. Todos somos resilientes, Uns mais, outros menos. Mas todos temos o potencial para levantar depois do soco, de voltar a sorrir depois de uma dor.

Ainda bem que temos a nossa fantasia, nosso refúgio secreto que só nós conhecemos. Ali, nesse lugar sagrado onde somos tudo o que desejarmos.

A resiliência continua...

domingo, 11 de janeiro de 2009

Para começar a semana de um jeito bem "Maria" de ser...



"Mas é preciso ter manha,
É preciso ter graça,
É preciso ter sonho, sempre.

Quem traz na pele essa marca
possui a estranha mania
de ter fé na vida!"