sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Uma boa dose de Nietzsche para o feriado...


“A vantagem de ter péssima memória é divertir-se muitas vezes com as mesmas coisas boas como se fosse a primeira vez.”

“As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras”

“Sem música, a vida seria um erro.”

“Temos a arte para não morrer da verdade.”

“Odeio quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer verdadeira companhia.”

“Você vive hoje uma vida que gostaria de viver por toda a eternidade?”

"É preciso ter asas, quando se ama o abismo".

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Resiliência: A saga (Parte III): Escolhas, renúncias e responsabilidade


Depois de muita correria, horas na frente do computador, horas de trabalho com o estatístico, chegou a hora de encarar meu orientador, que, de um jeito extremamente afetivo me disse que minha dissertação do mestrado precisava de mais análises, mais estatísticas e consequentemente mais tempo, o que era a única coisa que eu não tinha.

Amanhã, dia 30, seria o dia em que eu teria que estar entregando minha dissertação. Foi então que com a ajuda dele eu tomei a decisão: trancar meu mestrado por um semestre, trabalhar com tempo e dedicação na minha dissertação a partir de março e defender em agosto. Parece simples, mas não foi fácil. Foi uma decisão que trouxe como implicação lidar com a frustração de não conseguir cumprir um prazo, a sensação inevitável de que não dei conta das minhas responsabilidades, etc. Mas o saldo final também foi de alívio, um imenso alívio.

O dificil e o que acho que realmente torna útil postar isso aqui, é a sensação que fiquei depois, quando comecei a contar às pessoas sobre minha decisão: era como se eu ficasse esperando que as pessoas me dissessem: "Que coisa boa, Lu", " Fez muito bem, não tem problema esperar mais um semestre!" Mas ninguém me disse isso. Porque ninguém tem obrigação de dizer isso e porque ninguém sabe de fato o que se passava dentro de mim em relação a isso.

Foi então que essa escolha fez reverberar tantos sentimentos em relação a tantas outras escolhas que já fiz e que são feitas todos os dias por mim e por cada um de nós. Será que fazemos nossas escolhas totalmente isentos da opinião alheia? Por que se torna tão importante a aprovação dos outros quando tomamos uma decisão? Precisamos de cúmplices que tornem nossas decisões coletivas ao invés de individuais e, portanto, as consequencias delas também?

Decidir nunca é fácil. Escolher um caminho, abandonar alguma coisa, fechar um apartamento para pensar num objetivo a longo prazo, terminar ou começar uma nova relação, mudar de emprego ou se atirar de cabeça no que se está. Mudar de cidade ou ficar na que se conhece. Toda escolha inplica em perda, em renúncia. E o complicado é que conhecemos o que estamos perdendo mas muitas vezes ainda desconhecemos o que iremos ganhar. Então fica aquela incógnita: Largo o certo, o garantido pelo duvidoso? E o mais curioso é que tem pessoas que se apegam ao garantido mesmo quando ele já não serve mais, quando não traz mais alegrias. Mas as vezes a segurança da monotonia supera o desejo pelo novo e as surpresas do incerto, mesmo que exista a promessa de uma vida melhor nesse terreno desconhecido.

É só uma postergação de 6 meses. Uma escolha banal. Mas nao é simples assim. Eu tomei uma decisão que é minha. Ninguém tem nada a ver com isso. Sou eu comigo mesma e encarando as consequencias dos meus atos sem ter ninguem a resposabilizar além de mim mesma. E foi só em relação ao mestrado mas a partir de agora vai ser em relação a tudo que eu escolher.

É, não é fácil ser adulta. Assumir responsabilidade pelas escolhas. Mas é o unico jeito de se crescer. De aprender de fato e parar de culpar aos outros quando alguma coisa dá errado e poder olhar para si próprio e saber onde se errou ou acertou.

Erros, acertos, ganhar ou perder. Quem saberá? Os dados estão lançados e cada um vai escolhendo e vivendo como pode.

Boa sorte a todos nós.

Ele é meu professor...

"Meu maior medo é viver sozinho e não ter fé para receber um mundo diferente e não ter paz para se despedir.
Meu maior medo é almoçar sozinho, jantar sozinho e me esforçar em me manter ocupado para não provocar compaixão dos garçons.
Meu maior medo é ajudar as pessoas porque não sei me ajudar.
Meu maior medo é desperdiçar espaço em uma cama de casal, sem acordar durante a chuva mais revolta, sem adormecer diante da chuva mais branda.
Meu maior medo é a necessidade de ligar a tevê enquanto tomo banho.
Meu maior medo é conversar com o rádio em engarrafamento.
Meu maior medo é enfrentar um final de semana sozinho depois de ouvir os programas de meus colegas de trabalho.
Meu maior medo é a segunda-feira e me calar para não parecer estranho e anti-social.
Meu maior medo é escavar a noite para encontrar um par e voltar mais solteiro do que antes.
Meu maior medo é não conseguir acabar uma cerveja sozinho.

Meu maior medo é a indecisão ao escolher um presente para mim.

Meu maior medo é a expectativa de dar certo na família, que não me deixa ao menos dar errado.

Meu maior medo é escutar uma música, entender a letra e faltar uma companhia para concordar comigo.

Meu maior medo é que a metade do rosto que apanho com a mão seja convencida a partir com a metade do rosto que não alcanço.

Meu maior medo é escrever para não pensar."

Fabrício Carpinejar

***


...e o meu maior medo é que eu não aprenda a lição...

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Simplesmente Luciane

Ontem não postei nada. Hoje estou com pouca vontade, mas resolvi sentar aqui e escrever de qualquer maneira. Saia o que sair. Nem que depois eu apague tudo.

Eu quero falar de limpeza. De leveza. Eu quero pensar em renascimento, em brindes, em vento no rosto, em risada de criança.

Limpeza é lavar a alma. Ser feliz até chegar naqueles momentos em que parece que o coração vai explodir de tanta alegria. Como se não coubesse no corpo. Eu já senti isso. Na quantidade mínima para que eu não esqueça como é mas também o suficiente para que não seja tão fácil de se atingir.

Eu quero amizade. Verdadeira. Eu quero cultivar meus amigos, que eles saibam o quanto são preciosos para mim. Quero amar certo, quero me dar, quero continuar sendo assim explícita, assim com o mundo escrito nos meus olhos. E claro, preciso continuar convivendo com bons leitores deles. Pessoas ricas, pessoas que me agreguem coisas, pessoas gente, não fachadas, como se vê tanto por aí.

Quero chorar de alegria. Quero me arrepiar várias vezes por dia. Receber gestos espontâneos a qualquer hora. Quero continuar amando as pequenas coisas da vida, coisas banais.

Quero continuar sendo musical como eu sou, que minha vida vá agregando novas músicas na sua trilha sonora. Quero não esquecer das minhas dores para que eu possa lembrar o quanto cresci, o quanto ainda tenho a aprender. Quero ter orgulho das minhas feridas e cicatrizes.

Quero cuidar da minha família. Não esquecer de dizer a todos que amo cada um deles de um jeito especial. Quero formar a minha família, ser uma pessoa boa, formar pessoas do bem, pessoas integras, gente. Dar amor, assim sem esperar nada em troca além de amor recíproco.

Quero meditar, tomar banho de mar, ter conversas de verdade. Quero ter por perto gente que saiba olhar nos olhos. Quero ler, quero aprender, quero ensinar.

Quero tudo aquilo: plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho. Quero vida. Quero voltar a tocar violino um dia em breve, quero pintar um quadro algum dia. Quero não deixar nada desses desejos para depois. Quero não esquecer que a vida é preciosa.

Quero tudo isso e somente isso.

Estou feliz, hoje, por ser simplesmente Luciane e saber quem ela é de verdade. Por ter chegado até aqui, por estar satisfeita comigo e com as escolhas que venho fazendo, e claro, sempre acreditando que o destino, a sorte, ou sei lá como podemos chamar isso, também fica do meu lado de vez em quando.

É, foi bom escrever tudo isso. Não vou apagar não. A quem teve paciência de ler até aqui eu agradeço, a quem não teve eu também agradeço. Porque tem coisas que a gente escreve para a gente mais do que para qualquer um.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Chega de saudade?


Amo essa letra do poeta Tom Jobim, mas não sei se chega de saudade... Desde ontem venho pensando nela.

Estava sentada no ônibus em Garopaba esperando o que seria minha longa jornada de 7 horas e 20 minutos de estrada até Porto Alegre quando entra uma guria, lá pelos 20 e pouquinhos, chorando no ônibus. Sentou na poltrona na mesma fileira do que eu, do outro lado do corredor. Fiquei olhando de canto para ela(porque não tem nada mais desagradável quando a gente precisa chorar em público e alguém fica olhando sem parar) e viajando no motivo do choro dela. Logo presumi que devia ser aquela despedida do carinha com quem ela ficou e que deviam estar naquela paixão e ela tendo que se separar dele para retornar à cidade. Sorri comigo mesma pensando na beleza desses momentos e o quanto essas recordações são coisas preciosas na nossa vida, mas ao mesmo tempo sei o quanto para quem vive isso, naquele momento, não é engraçado, ainda mais nessa idade em que tudo o que se refere a essa área do amor é mega sério e dramático.

Saí do foco dela e me voltei para a vida em geral e para a saudade.

Eta sentimento complexo de se explicar.

Cada pessoa sente saudade de uma forma diferente, mas se a gente perguntar, todo mundo vai dizer que já sentiu alguma vez na vida. E quando vi o aparente "sofrimento" dessa guria pensei: "Claro que ela não está pensando nisso agora, mas como é bom sentir saudades". Porque significa que a gente está ligado a alguém ou a alguma coisa de maneira tão intensa, tão entregue, que quando a gente se afasta parece que uma parte nossa ficou com essa pessoa de quem nos afastamos.

Dói sentir saudades, principalmente quando a perda é permanente. Mas como é bom ter essa capacidade de se entregar, de investir e colocar um pedaço da gente em outra pessoa. Relações são uma coisa complicada. A gente não tem certeza nenhuma em quase nada nessa vida, então muitas vezes ficamos num terreno frágil, de vulnerabilidade.

Mas, quando se está morrendo de saudades de alguém e se revê essa pessoa que carrega consigo essa parte da gente tão prezada e sabemos que essa saudade é recíproca , não há sensação melhor. Como se o mundo ao redor pudesse parar.

Não, não chega de saudade. Deixemos que ela chegue, que mostre o quanto certas pessoas nos são queridas e ocupam um espaço precioso na nossa vida. Mas também deixemos que ela vá embora de tempos em tempos, para o nosso coração e nossa alma poderem sorrir e estar em paz.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

O verdadeiro jogo da vida

CENA I
LOCAL: Shopping total, lojas França (detalhe para a imensidão que é aquele mundo que eu desconhecia!)

OBJETIVO: Comprar jogos para pré adolescentes no consultório.

DETALHE: Eu, uma mulher sem filhos, sem sobrinhos nem afilhados ainda sem a circulação nesse meio para saber dos preços. Ontem eu soube.
Jogo da Vida: R$ 89,90

DESFECHO: Dois jogos adquiridos: o velho e bom Detetive por R$ 59,90 e o Perfil, por R$ 62,00. Acho até que foi um final feliz.

CENA II
LOCAL: Residência da protagonista, consultório de psicologia, residência do irmão da protagonista;

OBJETIVO: Devolver a chave da porta da frente do consultorio que o irmão havia, por descuido, levando consigo no dia anterior. A protagonista, por vezes um tanto estabanada, em meio a sacolas e outras tarefas perde a chave, que era ÚNICA. Sexta feira, 7:30 da manhã, ela telefona para um chaveiro, solicita o serviço, valor 105 reais, jogados fora, porque certamente na tarde seguinte à troca das chaves a original vai ser encontrada, mas ok.

DETALHE: A protagonista ainda tinha que comprar sua passagem de onibus para a praia e buscar sua camera digital na casa de uma amiga.

DESFECHO: Porta do consultorio aberta, camera em mãos, passagem comprada, mas atrasada no trabalho. Mas o stress não foi nem metade do que seria ha algum tempo atrás. Nada como aprender a lidar com nossas pequenas atrapalhações diárias.

CENA III
Essa é a cena final, a cena da vida.
Atendo alguem que perdeu uma filha de 20 anos há exatos 7 dias, de forma abrupta e repentina.
Ela, a paciente, em tratamento quimioterápico desde oínício do ano passado.
A filha, cheia de saúde e com a vida pela frente, parte antes.
Isso apaga toda e qualquer cena anterior.

Esse sim é o nosso jogo, o nosso grande desafio: Conseguir viver frente a esse mundo tão maluco, a esse destino tão imprevisível... Conseguir, frente a tantas dores, tantas possíveis perdas, ainda sorrir e acreditar que o mundo pode sempre ser melhor e que a felicidade está bem aqui, bem agora, debaixo dos nossos pés.

Esse sim é o nosso JOGO DA VIDA. O resto é o resto

....

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Bobagens


Às vezes eu queria ser menos densa.

Hoje não quero profundidade.
Hoje quero superfície.
Só um pouquinho.

Alguém tem alguma bóia aí?