quinta-feira, 26 de agosto de 2010

eu


eu preciso entender que vida é essa que escapa das pessoas e que vida eu julgo deter.


eu preciso aprender a exigir menos de mim e a dar o que posso.


eu preciso ver que o que tenho e posso é o bastante, apesar de não me contentar só com isso.


eu preciso parar de pensar de vez em quando, e apenas sentir.


eu preciso parar de tentar antecipar os desejos dos outros porque isso é impossível


eu preciso lembrar de antes de mais nada agradar e agradecer a mim mesma.


eu preciso estar sempre lembrando que as outras pessoas tem suas escolhas, suas renúncias e seus tempos.


(...)


O que eu preciso é lembrar que na verdade eu não preciso de nada, que tenho tudo o que eu quero e posso até agora, que eu sou tudo o que posso ser, por enquanto.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

18

Felicidades sempre bateram à minha porta
Trazendo o dia dezoito como sua marca
E foi assim, em mais um dia dezoito,
que tu chegastes. E por aqui ficou.

Ficou porque eu consegui ficar também.
Ficou porque me alimentas e
me fazes estar mais comigo também.

Ficou porque me ensinou a ser tua sem lição nenhuma
Ficou porque me conquistou rápido e devagar
Criando uma velocidade só nossa,
que eu jamais poderia inventar.

Eu fiquei, tu ficastes, estamos ficando,
e assim vamos permancendo.

Que nossos dezoitos sejam muitos
que o amor nunca pereça frente aos desafios
frente a nossas dores, nossos medos,
e nossas novidades.

Que o dezoito seja sem fim.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

vendaval

eu quero que essa ventania não vá embora sem levar com ela as coisas que não quero mais, os modos que não me pertencem mais, as lembranças que em mim não couberem mais.

eu quero que essa ventania não vá embora antes de deixar comigo as marcas do que ela pode trazer, as notícias do que vem pela frente, a cadência do que estou em vias de conquistar, mesmo que as novidades sejam reinvenções do que já vivi.

amo o vento. amo o seu atrito suave, que não é sólido, não é líquido, nem é gasoso. o vento só é vento quando encosta nas coisas, quando tira as coisas do seu lugar, quando trepida e desorganiza. é o movimento que ele provoca que denuncia sua presença.

Eu quero ser vendaval.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Pequenas gravidades

Eu não sei que peso a gravidade exerce sobre mim, o quanto ela me puxa ao solo e o quanto eu luto para seguir flutuando para enxergar além das obviedades. Eu quero sentir o chão sob meus pés, eu quero solo firme, solo fértil, quero realidade, quero presença. Mas tenho medo que essa concretude me impeça de voar. Eu, que sempre fui aérea, eólica, aquática, mas nunca antes terrena e arenosa, percebi há algum tempo que é preciso também apredender a se materializar.

A gravidade não é grave. Grave é não ter asas, grave é temer a gravidade.


Ser complexa é dificil nos dias de hoje. O mundo pede resolutibilidade. Eu quero ser simples e complexa. Organizada e complexa. Terrena e sobrenatural. Será que dá para me entender? E parece que quando fico mais complexa, quando começo a flutuar, a gravidade me puxa, me faz voltar, e eu deixo para trás as coisas que eu escrevo na minha mente. E quando as perco do papel elas se perdem de mim, as palavras. Eu visito sensações e idéias que não conseguem virar palavras e isso me estremece. É como se estivessem mil palavras à minha espera, esperando para serem escritas. Mas que presunção, então eu penso. Milhões de palavras são ditas e escritas todos os dias, por que logo as minhas?


Talvez o desafio da vida seja justamente esse, de poder ser grave, de sentir a gravidade, os pés no chão sem deixar de gravitar. Será que as pessoas conseguem fazer isso? Eu teimo em acreditar que sejamos ou terra ou ar. Eu acho que é possível esse encontro do devaneio com a responsabilidade.


Sinto que a hora da escrita vem chegando. Quem sabe ela seja a resposta, a aliança entre terra e ar. Dar ao devaneio um destino concreto, palpável. Transformar o sonho em folha. Talvez seja isso chegar na maturidade. Ainda não sei, sigo caminhando, gravitando, refletindo, escrevendo. Sabe-se lá onde isso tudo vai parar.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Eu aprendi, Clarice



"Não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. Até cortar os defeitos pode ser perigoso - nunca se sabe qual o defeito que sustenta nosso edifício inteiro… Há certos momentos em que o primeiro dever a realizar é em relação a si mesmo. Quase quatro anos me transformaram muito. Do momento em que me resignei, perdi toda a vivacidade e todo interesse pelas coisas. Você já viu como um touro castrado se transforma em boi. Assim fiquei eu… Para me adaptar ao que era inadaptável, para vencer minhas repulsas e meus sonhos, tive que cortar meus grilhões - cortei em mim a forma que poderia fazer mal aos outros e a mim. E com isso cortei também a minha força. Ouça: respeite mesmo o que é ruim em você - respeite sobretudo o que imagina que é ruim em você - não copie uma pessoa ideal, copie você mesma - é esse seu único meio de viver. Juro por Deus que, se houvesse um céu, uma pessoa que se sacrificou por covardia ia ser punida e iria para um inferno qualquer. Se é que uma vida morna não é ser punida por essa mesma mornidão. Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo o que sua vida exige. Parece uma vida amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma. Gostaria mesmo que você me visse e assistisse minha vida sem eu saber. Ver o que pode suceder quando se pactua com a comodidade da alma."

segunda-feira, 26 de julho de 2010

XXXII

Eu estou prestes a completar 32 anos de vida. Trinta e dois. Parece tão estranho.

Ainda me sinto uma menina e ao mesmo tempo uma senhora. Me sinto renascendo e também aprendendo a morrer. Eu já tenho mais calma, mas também mais pressa. Pressa de poder viver o que estou escolhendo, calma de esperar o que ainda não quero mas que já descobri.

Amar parece óbvio mas foi descoberta recente. Amor entrega, amor risco, amor amor. Me absolvi dos erros que eu já cometi ao poder viver de maneira nova, com a verdade bem ao meu lado, ou melhor, dentro de mim. Posso dizer que venho me perdoando.

Eu sigo querendo aprender a lidar com as palavras e respeitá-las, respirá-las, honrá-las. Eu sigo querendo ser melhor, exigir mais do que quero ser e menos do que fui. Venho me permitindo esperar mais de mim, mesmo que eu chegue a me desapontar.

É uma lição de humildade e de auto-reconhecimento ao mesmo tempo, isso de se tornar melhor e mais do que já se é.

Aprendo cada dia mais que as pessoas são imprescindíveis e que eu posso sim ser indispensável. E ainda assim ser descartável. Sem dramas, nem deméritos. Simplesmente porque a vida é assim. Ela e seus paradoxos. Ah, os paradoxos! As ambiguidades, as ambivalencias! Outra descoberta recente, a de que elas sempre existiram e eu era quem nunca tive coragem de olhar para elas.

coragens. medos. ganas. raça. confiança. entrega. incerteza. vinculo. esperança. vulnerabilidade. vontade. futuro. laços. asas. flores. chuva. corrida. sorrisos. amor.

Que meu caminho para os 33 seja cheio dessas palavras; que minha vida seja plena de novas descobertas e que eu não canse nunca de me perguntar, de pensar, de confiar, de temer, de me atirar e de crer. Sempre crer.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Confessando à vida


Esse é o título do meu novo blog. Um espaço mais profissional, com relato de vivências, experiências, reflexões e um pouco de teoria a respeito do desafio diário de lidar com a perda e com a ameaça de se estar enfermo, seja física ou psicologicamente.

Opinem, divulguem.

Obrigada.