Eis que voltar desperta essa coragem
Minhas pequenas raivas diárias,
lutas pelos silêncios que rompem,
brindes a novas canções e ritmos.
Eis que voltar me dá vontade
de escrever sem medo
conversar com quem olha nos olhos
chorar de emoção e explosão
Vontade de ouvir e cantar Vitor Ramil
Eis que voltar engolfa minha preguiça
e diz "Vai lutar! Vai brigar pela vida!"
A vida é lenta para quem não sorri
As escolhas são fáceis para quem se lamenta.
Eis que voltar me afugenta da fuga de mim.
Porque não tenho mais escapatória
Já me conheço o suficiente
Para me amar, odiar e absolver.
Eu não me lamento. Quase nunca.
Eu escolho. Eu erro. Eu aprendo
Eu volto. Eu vou. Eu repito.
Já errei muito. Tanta bobagem...
Já escrevi o que não devia,
Já não falei o que precisava.
Palavras, faladas ou escritas:
Seriam desabafos em sons e tinta,
ou meras fantasias de carnaval?
Eu não acredito em mais nada
além de mim e naqueles que me rodeiam
Os escolhidos e os acidentais
Minha solidão virou minha parceira
e o meu medo ainda me visita,
somente quando não estou preparada.
Eu quero enxergar as coincidencias,
eu quero perceber sincronicidades
Eis que voltar dá essa saudade
de tudo o que construí pela vida
e que me abandonou
ou que deixei para trás
Eis que voltar dá essa alegria
de ver onde cheguei
e de que esse não é um lugar
E sim um estado.
Pois eis que voltar me mostra
que meu descanso e minha paz
me seguem onde eu estiver:
Praia, serra, campo, cidade.
Edifico minha cidade em mim mesma
e o tempo não interessa mais.
Eu vou, eu volto e viajo em mim.
Recebo companhias,
afasto quem me afasta de mim
abraço quem compartilha o medo
dou a mão a quem se mostra
sorrio lágrimas a quem cala comigo
diante da loucura que é viver,
e não é preciso dizer mais nada.
"There is a sculpture
Steel and snow
Quiet music
In my soul
Joy, deep inside it is joy
Where I shape the steel
Leave me there
Pain, where I shape the pain
Deep inside it snows
Let me stay there..."
Vitor Ramil - Quiet Music
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Carpinejar, pantufas e novas coragens
Eu fui para o campo para aprender a escrever crônicas. E acabei fazendo uma oficina de tantas coisas. Oficina de escrever, comer, conversar e cantar. A viagem até Picada Café já é linda, com o sol da manhã por entre as árvores na já conhecida Rota Romântica. Chegamos cedo, conforme sugerido. Fomos recebidos num espaço aberto, silencioso e calmo. Tomamos banho de rio, comemos uma cuca recém feita, ainda quentinha. Almoçamos divinamente, assim como todas as outras refeições. E à tarde estavamos todos os participantes, de pés descalços, sentados em círculo esperando por Fabrício.Ele chega e começa a soltar seu verbos. Verbos, substantivos, adjetivos e risos. E dali vieram informações, sugestões, críticas, opiniões. Recebemos vento, trovões, raios de sol. Disse ele que quem não é cruel consigo não consegue ser generoso com os outros. Que a escrita deve ser esse exercício de crueldade consigo mesmo, de se achincalhar, de rir de si mesmo, de brincar com nossas limitações, com nossa própria história, com nossos dramas.
A gente não pode escrever para se proteger, ele também nos disse. É preciso escrever para se expôr, para colocar merthiolate na ferida aberta, sangrando, e sentí-la arder. Só então posso contar alguma coisa interessante a quem quiser ouvir. E também não é para agradar ninguém, não é para que ninguém goste mais ou menos do meu texto ou de mim (aliás, sou quem eu escrevo, escrevo o que sou?). A vaidade está sempre no pacote mas não pode ser ela quem rege minha escrita. Escrevo para vomitar no papel. Escrevo para tentar achar palavras que dêem vida e forma aos meus sentimentos e pensamentos mais profanos e mundanos. Porque não existem verdades, existem versões. E a formalidade distancia. A simplicidade aproxima. É preciso aprender a arte de ser simples. Cru. Visceral.
Ele transformou um aquário em um ninho de peixes. Ele transformou a morte de uma avó antes do carnaval numa quarta feira de cinzas antecipada. Transformou a própria morte em uma garrafa vazia.
Escrever é isso.
E convívio é isso: Conhecer pessoas, tomar banho de rio, conviver com o silêncio, se aproximar da paz, comer bem, rir, estar de pés descalços, rir de homens que usam pantufas, rir com perucas. Cantar com vozes doces e violões. Cantar com poesia.
E obrigada a uma pandorga que esteve por lá voando comigo que me deu um presente em forma de diálogo de filme:
"- Mas não foi uma escolha. Simplesmente aconteceu...
- É, mas é assim que se escolhe quando não se tem coragem: deixando acontecer"
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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Meus astros, minhas estrelas
O corpo até consegue parar, mas a cabeça não.Hoje fiquei pensando sobre astros, astrologia, horóscopo e o futuro.
Eu sou daquelas que diz "no creo en brujas, pero que las hay, las hay". Nunca acreditei muito nesses lances de astrologia, mapa astral, búzios, etc. Mas, confesso, sempre tive muito curiosidade em conhecer mais sobre o assunto e até já fiz meu mapa astral e já fui numa mulher que tirou as cartas para mim. Gostei das duas experiências. Mas no fundo sempre me questiono sobre esses recursos de "auto-conhecimento".
Dentro da minha profissão parece até estranho eu recorrer a isso quando sempre estudei que é a nossa personalidade, nossos traços de caráter, nossa estrutura psíquica, nossa origem, família e criação, que regem ou muito determinarão quem uma pessoa se tornará. E, além disso tudo também há o livre arbítrio. Amém. Existe uma frase que eu adoro e que uso sempre: "História não é destino". Ou seja, não é porque fui pobre ou rica, porque meus pais se separaram ou não, porque minha mãe era deprimida ou não, que eu terei de ser vítima da minha história e me desculpar aos outros e a mim mesma por ser como sou. Eu sou o que sou por contingência das minhas escolhas. Que elas são baseadas nas minhas neuroses e traumas? Lógico que sim. Mas então cabe a mim perceber isso e procurar melhorar se algo me incomoda ou atrapalha a minha vida. Com terapia ou qualquer outro recurso que eu julgue que me faça refletir e melhorar. Também acho, por outro lado, que somos muito mais influenciados pela natureza, pelo mar, ou até pelos astros mesmo, do que supomos. Não sou tão cética assim. Acho sim que existe "algo mais entre o céu e a terra do que julga nossa vã filosofia".
E se esses recursos são científicos ou não, isso não importa. Claro que vou defender sempre a psicoterapia, por experiência própria e por estudos próprios. E sempre vou ter uma curiosidade e até certo gosto por mapa astral, cartas e coisa e tal.
Mas ainda assim, mesmo que custosamente, vou sempre preferir que ninguém saiba ou julgue saber, nem mesmo eu, sobre meu futuro. Para que eu possa ir inventando ele todos os dias, devagarinho, descobrindo junto aos que amo todas as surpresas que essa vida me reserva, as boas e as ruins. Escolhendo meus rumos e trilhando meu próprio caminho para as estrelas.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Saber fazer nada é tudo
Estou prestes a entrar em férias, como já deve ter sido possivel perceber pelos posts anteriores. Minha ansiedade por esses dias de ócio aparecem tanto aqui porque realmente estou precisando desse time off.
Mas agora, faltando poucos horas para o tão esperado momento, fico aqui me perguntando a razão de muitas vezes ser tão dificil nos desligarmos de nossas atividades profissionais. Ainda quero muito pegar a estrada, ou mesmo ficar aqui em Porto sem hora para acordar, não me entendam mal. Mas sei que em alguns momentos vou ficar lembrando do meu trabalho, pensando no que pode estar acontecendo por lá. Podem me chamar de "caxias", até porque eu sei que eu sou mesmo, mas como é forte a nossa dificuldade (minha) em deixar as responsabilidades para trás, em realmente poder desligar de tudo e não fazer NADA. E poder me permitir caminhar na praia, assistir vale a pena ver de novo, tomar banho de sol, comer a hora que tenho vontade, esquecer um pouco que existem doenças nesse mundo. Sem culpa.
Acho que a questão é que o trabalho, nossa atividade profissional acaba sempre nos definindo mais do que outras coisas que fazemos ou somos. "O que tu faz?" é sempre uma das primeiras perguntas que fazemos quando conhecemos alguém. "Sou psicóloga". Mas sou tão mais do que isso. Eu faço muito mais coisas do que apenas isso. Mas culturalmente isso é tão posto que quase não nos questionamos a respeito. E por isso o que fazemos como atividade profissional passa a definir nossa identidade muito mais do que deveria.
Enfim, é preciso saber curtir o ócio, dar um descanso à mente, poder só deixar o corpo comandar nossos horários ao invés da mente. Eu preciso me exercitar nisso. Mas fico aqui achando que vou conseguir curtir meu descanso com muito mais facilidade do que imagino.
E, já que para mim hoje é sexta feira, bom fim de semana para todos!
P.S. E parabéns para ele, que tem sido o meu domingão de sol não importa o dia da semana, e que agora vai me permitir dizer que ando "pegando um estudante universitário". :P
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Por que?
Por que tanta demora para ser atendida nesses malditos 0800?
Estou desde ontem tentando ser atendida pelo 0800 da CEEE e fico ouvindo gravações irritantes e musiquinhas piores ainda, e ninguém me atende!!!!
Sério, é para perder a paciência. Só não mando eles lá para aquele lugar porque não há quem me impeça de conseguir instalar meu ar-abençoado-condicionado até o fim dessa semana!
E tenho dito.
Estou desde ontem tentando ser atendida pelo 0800 da CEEE e fico ouvindo gravações irritantes e musiquinhas piores ainda, e ninguém me atende!!!!
Sério, é para perder a paciência. Só não mando eles lá para aquele lugar porque não há quem me impeça de conseguir instalar meu ar-abençoado-condicionado até o fim dessa semana!
E tenho dito.
Dez motivos para blogar
Roubado do blog do Luiz Augusto Fischer, do sarau elétrico. Achei bem legal.
***
DEZ MOTIVOS PARA BLOGAR
1. Você pode (quase) tudo. Quando faltar inspiração, escreva uma lista de dez motivos para fazer alguma coisa. No final, acabará se divertindo.
2. É bom ter audiência, mesmo sem fazer idéia de quem são os leitores. Você apenas precisa aprender a lidar com essa relação meio íntima com leitores tão anônimos.
3. Com o tempo você percebe que sobrevive sem comentários. Segundo as estatísticas, apenas 1% dos leitores deixa um. Então pare de implorar pelos comentários dos amigos.
4. Blogar ajuda a organizar as idéias, exercitar a escrita e você ainda corre o risco de escrever algo realmente bom.
5. Amigos distantes, ou distanciados, se sentem próximos ao ler o seu blog. Você não precisa de orkut para se relacionar, e só se expõe se, e o quanto, quiser.
6. Você está deixando um registro histórico, da sua vida ou da sua época, embora isso pareça uma grande pretensão agora.
7. O fato de blog não dar dinheiro não é motivo para parar. Pense bem: você realmente não começou porque havia essa possibilidade.
8. Provavelmente você terá mais leitores do que se publicar um livro.
9. Você pode terminar uma lista de dez com nove itens e nenhum editor vai chamar a sua atenção.
1. Você pode (quase) tudo. Quando faltar inspiração, escreva uma lista de dez motivos para fazer alguma coisa. No final, acabará se divertindo.
2. É bom ter audiência, mesmo sem fazer idéia de quem são os leitores. Você apenas precisa aprender a lidar com essa relação meio íntima com leitores tão anônimos.
3. Com o tempo você percebe que sobrevive sem comentários. Segundo as estatísticas, apenas 1% dos leitores deixa um. Então pare de implorar pelos comentários dos amigos.
4. Blogar ajuda a organizar as idéias, exercitar a escrita e você ainda corre o risco de escrever algo realmente bom.
5. Amigos distantes, ou distanciados, se sentem próximos ao ler o seu blog. Você não precisa de orkut para se relacionar, e só se expõe se, e o quanto, quiser.
6. Você está deixando um registro histórico, da sua vida ou da sua época, embora isso pareça uma grande pretensão agora.
7. O fato de blog não dar dinheiro não é motivo para parar. Pense bem: você realmente não começou porque havia essa possibilidade.
8. Provavelmente você terá mais leitores do que se publicar um livro.
9. Você pode terminar uma lista de dez com nove itens e nenhum editor vai chamar a sua atenção.
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