domingo, 11 de janeiro de 2009

Para começar a semana de um jeito bem "Maria" de ser...



"Mas é preciso ter manha,
É preciso ter graça,
É preciso ter sonho, sempre.

Quem traz na pele essa marca
possui a estranha mania
de ter fé na vida!"

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

E se nada mais restasse?


E se nada mais restasse,
seguiríamos acreditando na vida?

Afinal, o que nos resta é somente essa esperança,
Essa teimosa crença de que o futuro só não chegou
porque ainda está atrasado.
Essa certeza de que os presentes estão à nossa espera,
em algum lugar nem tão longe que desanime a busca,
nem tão perto que torne a conquista banal.

Sejamos otimistas incorrigíveis,
magnatas da esperança.
Porque não há nada mais triste
do que vida sem sonho,
do que dias sem sorrisos,
sem choros de alegria
sem a respiração ofegante
pela expectativa do que há por vir.

Tapas e quedas são alicerces da construção de nós mesmos.
A dor de viver é uma chaga que arde fundo.
Não para todos, infelizmente. Porque arder dói, mas cicatriza.

E dói muito mais a vida insípida
do que a marca de uma lição aprendida.

Ainda hei de saber o que me espera
Vou caindo e tropeçando,
Correndo e aprendendo.
Sorrindo e ardendo.

Estou em plena estrada
Com o presente em minhas mãos
e meus ideais na bagagem.

E se nada mais restasse,
eu seguiria acreditando na vida,
porque dentro de mim,
resta um mundo inteiro.

Feet off the ground

Faz dois dias que essa música não sai da minha mente.
Talvez porque eu tenha ouvido uma versão linda dela na trilha sonora de uma das minhas séries favoritas, Californication (para quem não conheçe, eu recomendo!).

Ou talvez seja porque eu venha me sentindo uma rocket woman ultimamente, com meus pés e minha cabeça bem longe da terra...

And I hope its gonna last a long long time...

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Rocket Man (I Think It's Going To Be A Long Long Time)

She packed my bags last night pre-flight
Zero hour nine a.m.
And I'm gonna be high as a kite by then
I miss the earth so much I miss my wife
It's lonely out in space
On such a timeless flight
And I think it's gonna be a long long time
Till touch down brings me round again to find
I'm not the man they think I am at home
Oh no no no I'm a rocket man
Rocket man burning out his fuse up here alone

Mars ain't the kind of place to raise your kids
In fact it's cold as hell
And there's no one there to raise them if you did
And all this science I don't understand
It's just my job five days a week
A rocket man, a rocket man

And I think it's gonna be a long long time...

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Depois que a gente entra na toca...


"Era muito mais agradável lá em casa" - pensou a pobre Alice - "quando não se estava sempre crescendo ou diminuindo desse jeito, nem recebendo ordens de ratos e coelhos. Quase chego a desejar não ter entrado nunca na toca do coelho... e apesar disso... apesar disso... é tão curiosa essa espécie de vida! Só queria saber o que aconteceu comigo."


(As Aventuras de Alice no País das Maravilhas - Lewis Carroll)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Mind trip


Ontem eu dirigia a caminho de casa e parei na sinaleira ao lado de uma agência de viagens. Os cartazes afixados nas janelas ofereciam propostas tentadoras: pacotes para o Peru, para a Europa, Ásia, etc. Ver aquilo me deu uma vontade imensa de viajar, de sair. Tudo bem, várias obrigações e atividades que têm me tirado o sono justificariam qualquer desejo de "sair fora", jogar tudo para cima e me afastar dessas tarefas da so called vida adulta.

Mas não foi por isso que senti esse desejo de viajar.

Senti saudade da sensação que uma viagem me desperta e que sempre adoro. Amo perceber que ao estar em algum lugar estranho eu sou tudo com o que conto, que minha identidade é o meu corpo, as poucas roupas e acessórios que trago na mala e meus pensamentos, meu mundo interno.

Parece bobagem, mas não é. Aqui, em casa, na minha cidade, várias coisas definem minha identidade: meu local de trabalho, minha família, minha gata, espaços físicos onde circulo: minha casa, o parque, as ruas. Me encontro um pouco em cada lugar onde vou. isso é importante, claro, pois dá uma sensação de segurança, constância e acolhida nesse mundo louco em que vivemos.

Numa viagem é diferente. Não estou em lugar nenhum além de mim mesma. E isso permite com que eu me conecte com partes de mim que muitas vezes estão mais no "fora" do que no "dentro". Eu absorvo a viagem, eu incorporo as novas coisas que observo e aprendo à minha identidade. E isso é fantástico. Tem uma linda crônica do Rubem Alves que eu amo que se chama "Não viajei", onde ele fala que muitas vezes não adianta fazer grandes viagens se não desembarcarmos de nós mesmos, e que podemos fazer grandes viagens sem sair de nossa casa.

Adoro isso. Mas adoro pegar um avião e sentir esse estranhamento, sair do meu lugar, perder minha identidade concreta para me perder em novos cenários e quem sabe, cada dia um pouquinho mais, me encontrar de verdade.


"Se, no teu centro
um Paraíso não puderes encontrar,
não existe chance alguma de, algum dia,
nele entrar."

Cecília Meireles

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Fragmentos de escritos...

Se meu corpo falasse a língua dos homens
Eu jamais seria discurso.
Seria poesia, não prosa.
Seria profunda, não superficial.

Minhas células estariam cantando
Minha pele emitiria notas musicais
Tão suaves que poderiam compor
melodias harmoniosas e macias.

Meus olhos, ao piscarem,
seriam como batidas leves
dando ritmo a uma dança sem fim.
Meu sangue correndo nas veias
emitiria um som de mar em ressaca,
aquela boa, intensa, visceral.

Meu corpo é som.
Minha alma é música.

Sou uma composição feita por mim,
instrumento dos meus sonhos.
Melodias com tantas letras.
Meu corpo é canção.

Por isso não adoeço.
Por isso sobrevivo.

Porque quando chega o pranto,
Viro melodia, todo dia
e me torno en-canto

domingo, 4 de janeiro de 2009

2009

Aqui estou.

de volta às paredes brancas do apartamento,
depois dos tijolos à vista da casa da praia;

de volta às ruas asfaltadas e aos carros que passam,
depois da areia e do mar;

de volta aos sapatos,
depois dos chinelos e pés descalços;

de volta à realidade e à rotina,
depois do descanso e da diversão;

de volta ao trabalho,
depois do ócio;

de volta.
Sem volta.

Agora eu quero ir.

Ir à frente,
depois de estar estacionada.

Ir atrás do sonho,
depois de ter tantos medos.

Ir trabalhar com paixão,
depois do cansaço.

Ir dar ordem à minha vida,
depois do caos.

Ir amar,
depois de tanto tentar.

Ir ser amada,
depois de esquecer disso.

Aqui estou.
Viva