Se ela soubesse que as perguntas não teriam fim e que na verdade ninguém nunca iria contar nada sobre tudo, ela cresceria com medo, insegura, querendo colher pela vida vestígios de evidências de que a vida poderia mesmo valer tal pena.Ela não tentaria, no futuro vindouro, se disso tudo soubesse, se preocupar onde ela habita; onde mora sua essência. Ela teria sido, então, uma criança acuada, observadora e reservada; e não assim como foi, sempre dada a pequenas bobagens e confianças.
Se ela soubesse que passaria a alojar em seu corpo uma angústia que até então nunca havia sido sua, trataria de ter se preocupado menos em ser complexa e intensa quando ainda tinha tempo de ser vil e inconsequente. Fútil e fugaz.
Mas agora é tarde e essa moça pensa. E essa moça pesa. Em seu íntimo ela sempre soube que valeria a pena a densidade. Sempre soube que seria mais difícil se relacionar com os outros e ser compreendida por si mesma.
Mas ainda havia muito a saber. Ainda há muito. Ela não é, mas um pouco sempre será, a menina das pequenas bobagens. Ela já sabe que não há como saber onde mora sua essência. Ela sabe que sua essência está no mundo. E que o mundo nos escapa a cada segundo.