quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

3 passos para ser um herói!




Brinde

A todas as coisas que sempre quisemos fazer mas achavamos que não poderiamos ou não devíamos.

A todos os medos que sempre achávamos que eram mais importantes do que o medo maior de não existirmos mais.

A todos os amores que achávamos serem possíveis de serem deixados para o futuro.

A todas as lágrimas que deixamos de derramar por medo de nos afogar.

A todas as distâncias que julgávamos instransponíveis e que nos empurraram para longe dos nossos desejos.

A todas as coragens que perdemos a oportunidade de conhecer.

A todas as pessoas que julgávamos que conhecíamos e que na verdade sempre nos foram estranhas.

A todas as vergonhas e arrependimentos que perdemos a oportunidade de experimentar por não querermos arriscar.

Tudo isso hoje ficou para trás porque agora não acreditamos mais com tanta convicção na certeza de um amanhã. E provavelmente agora, finalmente, estamos certos.

O infinito agora, paradoxalmente, nos parece mais próximo do que antes porque percebemos que nós não somos eternos. Mas algo precisa ser. E então repentinamente tudo se torna.

Essas xícaras são infinitas, o café é infinito e nossa voz e nossas vontades também.

Saúde.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Perdoando Deus

”(...) Tive então um sentimento de que nunca ouvi falar. Por puro carinho, eu me senti a mãe de Deus, que era a Terra, o mundo. Por puro carinho, mesmo, sem nenhuma prepotência ou glória, sem o menor senso de superioridade ou de igualdade, eu era por carinho a mãe do que existe. (...) Sei que se ama ao que é Deus. Com amor grave, amor solene, respeito, medo, e reverência. Mas nunca tinham me falado de carinho maternal por Ele. E assim como meu carinho por um filho não o reduz, até o alarga, assim ser mãe do mundo era o meu amor apenas livre (pp.41-42).

(...) E foi quando quase pisei num enorme rato morto. Em menos de um segundo estava eriçada pelo terror de viver, em menos de um segundo estilhaçava-me toda em pânico, e controlava como podia o meu mais profundo grito. (p.42).

(...) Porque eu me imaginava mais forte. Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões, é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil. É porque eu não quis o amor solene, sem compreender que a solenidade ritualiza a incompreensão e a transforma em oferenda. E é também porque sempre fui de brigar muito, meu modo é brigando. É porque sempre tento chegar pelo meu modo. É porque ainda não sei ceder. É porque no fundo eu quero amar o que eu amaria – e não o que é. É porque ainda sou eu mesma, e então o castigo é amar um mundo que não é ele. É também porque me ofendo à toa. É porque talvez eu precise que me digam com brutalidade, pois sou muito teimosa. É porque sou muito possessiva e então me foi perguntado com alguma ironia se eu também queria o rato para mim. É porque só poderei ser mãe das coisas quando puder pegar um rato na mão. Sei que nunca poderei pegar num rato sem morrer de minha pior morte ” (pp.42-43).

(...) Talvez eu tenha de chamar de “mundo” esse meu modo de ser um pouco de tudo. Como posso amar a grandeza do mundo se não posso amar o tamanho de minha natureza? Enquanto eu imaginar que “Deus” é bom só porque eu sou ruim, não estarei amando a nada: será apenas o meu modo de me acusar. (...) Porque enquanto eu amar a um Deus só porque não me quero, serei um dado marcado, e o jogo de minha vida maior não se fará. Enquanto eu inventar Deus, Ele não existe” (pp.44-45).

* Do fantástico livro "Felicidade Clandestina", de Clarice Lispector.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Você sabe onde vivem os seus monstros?

Um filme lindo, sensível, despretensioso e delicado. Assim eu defino "Onde vivem os monstros". Aos meus olhos, o filme poderia perfeitamente estar retratando um processo terapêutico, onde o menino, através do contato com seus monstros, vai conhecendo e enfrentando partes de si próprio que ele desconhecia e que não compreendia, apenas sentia e precisava extravasar.

Eu estou em plena aventura com os meus próprios monstros, tentando me aproximar deles, ser deles a melhor amiga, a confidente. Tentar entender o que posso fazer por eles. Porque eu preciso deles. Eles estão dentro de mim para que eu não esqueça que existe a raiva, a inveja, a saudade, a tristeza e a solidão. Não podemos fingir que somos alegres o tempo todo porque não somos. Não podemos estar sempre cercados de pessoas para não enxergar que no fundo temos que aprender a lidar com nossa solidão.

Eu, que tinha medo do escuro quando pequena aprendi, lá atrás, que foi justamente ao encarar o medo e olhar atrás da cortina, olhar embaixo da cama e deixar meus pais apagarem as luzes, que finalmente pude dormir em paz com meus monstros. Agora, eu sei bem, eles já são outros. Maiores, assim como eu. Mas ainda assim, estou conseguindo apagar as luzes quando é preciso.

"Happiness isn't always the best way to be happy."

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Cena II

"Porque os abismos não se cansam de mim. E eu, que sempre corri para buscar refúgio em teus braços, percebi que não eras tu quem me deixava escapar. Eu é quem sempre fui escorregadia"