Que o vento desmanche tudo que é concreto
Que possamos estar certos que certeza não há
Além da vontade de ser mais
Que o vento desmanche tudo que é concreto
Que possamos estar certos que certeza não há
Além da vontade de ser mais
Assim que eu me sinto. Como uma Babushka. Quando revelo uma nova Luciane de dentro da antiga vejo que há sempre mais uma escondida nesta. Sei que esse processo não para. Sei que a graça da coisa é justamente a sucessão de descobertas, as novas Lucianes que ainda estão por vir. E, mesmo complexo, às vezes cansativo e sempre desafiador, eu quero seguir me desvendando até chegar lá, na última bonequinha, na minha mais pura essência, da qual nada mais pode estar descoberto. Mas só quando eu estiver assim bem velhinha, pronta para descansar.