segunda-feira, 19 de julho de 2010

Será que é isso?

...e quando te sinto assim perto fico pensando que fui eu quem consegui chegar tão próximo, quase colar em tua presença, te deixar entrar em meu mundo e ainda assim tentando te mostrar quem sou para que me vejas outra, para que me vejas nova e não apenas complemento de ti. Porque quero ser tua multiplicação e tua adi(c)ção.

Nesses dias de amor intenso e puro eu fico aqui me perguntando que pedaço é esse de nós que a gente empresta, ou dá ao outro que nos faz olhar para esse outro e para nós mesmos com novos olhos? Quem é esse ser que nos tornamos, os amantes e os amados, que nos faz tão belos e tão assustadoramente inteiros, apesar de sempre incompletos?

Eu nunca tive tanto medo e tanta coragem ao mesmo tempo.

Talvez seja isso, amar.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Lindo

"Ler é fazer amor com as palavras"
Rubem Alves

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Quente


Eu quero vestir cada linha, cada palavra do que eu leio como se fosse a roupa do meu corpo. Melhor, eu quero que a palavra seja a minha própria pele. Suave ou forte, mas que revesta a minha alma.

O que se lê e se inscreve na pele não se apaga, não se despe, não se perde.

Eu quero cada letra e toda sabedoria que elas podem me despertar. E que então minha pele vá se espessando, crescendo, até que as roupas se tornem meros adornos, comecem até a rasgar-se e tornarem-se desnecessários, porque o calor já estará vindo de dentro de mim para debelar qualquer inverno.

terça-feira, 6 de julho de 2010


Talvez eu seja essa condição intermediária que já percebeu há algum tempo que não existem presentes, nem conquistas, nem vitórias mas que também não existem derrotas. Porque pensar isso pressupõe pensar que existem antagonismos que na verdade são a mesma face de uma mesma moeda. É a velha lógica do bom e do mau, do certo e do errado, do vilão e do herói. E na vida real as coisas não são assim tão simples.

O que existem são acontecimentos. O que existem são expectativas e vontades. Eu não sei se sou melhor ou pior do que ninguém porque estamos todos em pontos completamente diferentes e ao mesmo tempo, todos no mesmo barco. Eu não sei de que ponto você partiu até porque nem sei onde você quer chegar. Aliás, onde está a estrada? É engraçado começar a se ter a noção clara de que se está tomando um rumo leal ao nosso próprio coração ou à nossa propria sensação mas ao mesmo tempo perceber - e consentir - que há cada vez menos estradas ou rotas para se chegar a isso.

Não há porque temer. Não há estrada, não há destino, não há competição além das que travamos conosco. E em nossas lutas diárias perde-se muito mais por se julgar só ganhador do que por realmente ganhar o aprendizado de perder.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Essa vida é uma rótula


Hoje de manhã, enfrentando a rótula da Nilo Peçanha, aqui em Porto Alegre, fiquei pensando que a vida é bem parecida com uma rótula de trânsito.

Em princípio, deve-se dar preferência a quem já esteja trafegando nela. Precisamos saber a hora certa de poder entrar, de pedir passagem, para que não haja colisões.

Mas todos, todos, deveriam ter que parar. Mas quase nunca é o que acontece. Quem vem da Nilo Peçanha, avenida grande, de maior velocidade, parece que se sente no direito de seguir adiante, à frente de quem vem das ruas menos movimentadas.

Eu, no trânsito e na vida, quero andar pelas vias menos usadas, não quero trafegar onde todo mundo trafega, não quero dirigir rápido demais. Quero parar alguns segundos antes de cada rótula para ver o que está a minha frente.

Eu sempre paro nas minhas rótulas. Tem gente que ignora as suas. Ignora até que existam outros carros querendo passar também. Carros maiores, menores, mais velozes, mais potentes, mais antigos, mais chiques. Mas são todos carros.

Somos todos gente. Sei lá, não quero ser atropelada nessa vida, não quero mais colisões e nem quero ter perda total. Porque a vida real não tem seguro.

terça-feira, 29 de junho de 2010

9 coisas que eu aprendi


A minha amiga querida Carol me fez um desafio lá no blog dela e eu aceitei, mas acabei subvertendo um pouco a proposta. A idéia é falar 9 coisas sobre mim. O que farei aqui é expor 9 coisas que eu acho que aprendi... Lá vai:

1) Que as coisas realmente não acontecem por acaso, acontecem por escolha: Eu não consigo mais aceitar essa idéia de coisas pre-destinadas, coisas guardadas. Não posso mais aceitar me sentir vitima ou presenteada pelas coisas que ainda não aconteceram e nem tentar me consolar dizendo a mim mesma que é porque ainda não era hora. Se não era hora é porque eu não fiz ser a hora ainda, e que dá para fazer ser. Dói, mas isso se chama responsabilidade. E tolerância à frustração.

2) Que o que é meu não está guardado: Posso estar sendo cética, pessimista ou niilista demais, mas nada está guardado esperando por mim. Como pode algo que eu ainda nem sei o que é, estar esperando por mim? O que eu gostaria que estivesse esperando por mim há 5 anos atrás já não me serviria mais hoje. Eu estou indo lá buscar o que quero agora, com esse olhos de adulta. Prefiro que nada me espere, e que tudo o que eu queira eu faça estar ao meu alcance, se possível.

3) Que não existe isso de "Não era a minha intenção": Isso me cansa. Ok, pessoas podem ter atitudes erradas, escolhas erradas, mas necessariamente podem ou precisam pensar nas consequencias de seus atos. Ninguém (supostamente) quer ferir ninguém, mas não dá para passar a vida cometendo atos sem pensar que eles podem ter consequencias e que entao, se algo não sai como esperávamos, precisamos assumir a responsabilidade pela escolha de cada ato.

4) Que é mentira esse papo de que quando Deus fecha uma porta, abre uma janela. Ah, não. Deus não faz nada. A gente é quem deixa o vento bater as portas ou janelas na nossa cara se não for atento o suficiente para entrar antes. Ou sair. Isso pode começar a parecer pesado, mas acho muito melhor pensar que as coisas estão muito mais sob meu controle e suscetíveis a minhas escolhas.

5) Que amigos são a família que a gente escolhe: Ah, como eu aprendi e venho aprendendo.

6) Que quem se ama não se trai: Acho que trair é a pior auto-traição que se pode cometer. Muito mais mal do que ao outro, se está fazendo mal a si próprio. Porque fidelidade é amor próprio. É auto-estima.

7) Que eu posso não saber a resposta: Ah, como é bom poder dizer que eu não sei quando eu não sei. Como é bom poder ser aprendiz, para mais aprender...

8) Que dizer que se ama a quem se ama não é estar vulnerável: Pode até dar medo, mas dizer que se ama a quem se ama, ao contrário de fraqueza, é estar forte, é estar entregue e inteira. Liçãozinha difícil, importante dar uma revisada nela para não esquecer nunca mais.

9) Que os olhos são o espelho da alma: Os meus, ao menos, são o retrato da minha. E os seus?

Quem estiver disposto a fazer esse mesmo exercício, faça. Vale a pena.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Meu mergulho é para poder voar


e me da essa vontade de começar a escrever sem parar e de que as coisas aconteçam do jeito que eu quero e que o mundo me enxergue como eu sou e que eu possa parecer um pouco mais com quem eu devo me tornar. mas eu nem sei a que vim e nao sei quem me viu e quem me vê. eu sou um ponto de interrogação que voa pelo ar buscando algum lugar seguro para pousar.

mas nao existe segurança na vida, nao existe porto alem das próprias inquietações que carregamos sozinhos. mas sei que podemos encontrar cumplices pelo caminho. quer ser meu cumplice? quer mesmo saber o que acontece no espaço entre o riso da interrogação e o ponto final que o encerra? esse vão, esse espaço que sempre me desacomoda. é essa não resposta, é esse vento, esses olhares perdidos que me desviam os responsáveis pelas minhas dores. e eu não posso dizer que nao as sinto e você tambem não.

eu não quero mais estar em meio a pessoas que não conseguem dizer que sofrem e que tem dúvidas também. eu não quero mais pessoas que não conseguem admitir a si mesmas que tem dias ruins e que tem medo. não sei se é porque não quero me sentir sozinha com esse medo existencial justamente quando a solidao é meu maior aprendizado. essa solidão interna, solidão doída, crua, que todos temos e passsamos a vida sonegando de nós.

não nos presenteamos com nossa solidão porque temos medo demais que nossos abismos apareçam. eu ja me atirei dele tantas vezes depois da primeira vez que fui jogada e nada aconteceu. nao morri. eu respiro. sinto que o vento demarca meus próprios limites e permaneço em queda livre. até começar a aprender a voar de verdade. e ver se tu voa comigo.