quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

A caçada

Eu me pego pensando no quanto custa pensar. No quanto custa querer estar sempre alerta para os próprios sinais. No quanto custa estar em contato com os mais genuínos desejos que sinto e, ao mesmo tempo, querer o mais genuinamente possível estar perto do outro e perto de seus desejos também.

Eu me pego pensando no quanto as pessoas tem histórias dramáticas, engraçadas, cômicas, podres e sujas, lindas e comoventes, escondidas e escancaradas. Pessoas reservadas demais, pessoas expostas demais, pessoas assustadas demais, pessoas inconsequentes demais. Saudáveis demais. Doentes demais. E no meio de tantas vidas, de tantas histórias, de tantas perdas, conquistas, receios, complexos e dramas, fico pensando sempre o que de mim enxergo em tudo isso. Que parte minha vê essas coisas todas e o que meus olhos fazem com isso.

Eu me pego pensando em quem sou eu em meio a tanta humanidade que me rodeia. Tento desvendar quem eu sou e quais são meus medos e minhas dores internas em meio a tanta dor real que me circunda. Tento desvendar quais são os meus motivos para sorrir em meio a tantos outros sorrisos que me gritam. Falsos ou verdadeiros. Tento ver qual é o meu olhar, pelo que meu olho vibra, pelo que meu olho encharca.

Eu me pego pensando, afinal, se sou quem eu sempre pensei que fosse, quem eu sempre quis ser. Se eu posso me tornar quem eu sempre quis. E se eu ainda quero essa tal mesma coisa que sempre quis.

Sigo assim. Me pegando pensando e em seguida, me deixando escapar. Só pelo prazer da caçada.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Em construção


Faltam-me idéias para colocar nesse espaço.
Acho que elas estão grandes demais para caberem aqui.

Volto em breve, talvez.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Virando a ampulheta

Graças a um presente de Natal que escolhi dar nesse final de ano lembrei de algo que me fascina desde criança e que eu havia esquecido: ampulhetas.

Percebi, aos longos dos dias do feriado, que eu era quem mais manipulava e observava a ampulheta que eu presenteei. E olhando para ela percebi que ela tem o símbolo do infinito, o mesmo que tenho tatuado em mim. A ampulheta é a esperança do tempo sobre a inexorabilidade do próprio tempo. É a chance da chance de uma nova chance. A areia que passa por ali é a mesma, mas tenho quase que absoluta certeza de que ela jamais passa duas vezes da mesma maneira, na mesma ordem de grãos. Por isso o tempo é sempre diferente, mas sempre o mesmo.

2010 começou. Vireamos a ampulheta e a areia começou a cair. Temos 365 dias. 361 exatamente na data de hoje. Mas não tenho pressa de acertar ou prever de que forma minha areia irá se comportar, porque ainda quero dar muitas voltas na minha ampulheta. Deixo que meus grãos escorram suaves pela pequena passagem apertada, como podem ser muitas vezes algumas situações da vida. O certo, que acontece na ampulheta e também na vida, é que não podemos ficar olhando demais para a ela. Se olhamos muito, parece que o tempo não passa nunca e não fazemos nada. Se não olhamos e nos distraímos, quando percebemos o tempo passou e também não fizemos nada. Há que se olhar de vez em quando, só para lembrar de que a areia segue caindo, que seguimos vivos e que temos ainda muito a fazer.

Deixo que os dias venham me contar o que será do meu tempo. Mas a virada já começou muito bem, cheia de esperanças, cheia de retornos eternos e cheia dos meus sonhos e devaneios infinitos.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Os para sempres e os nunca mais

Todos os meus nunca mais estão guardados em uma caixinha decorada com pedras coloridas.

Os meus nunca mais estão empoeirados porque os venho usando cada vez menos. Mas eles já me foram muito úteis, aplicáveis a quase tudo e quase todos. E eles eram bons de usar. Facilitavam muito a vida. Com o tempo eles foram sendo menos eficientes, talvez porque eu comecei a descobrir que eles já não me saciavam e não me aliviavam.

Nuncas quase nunca existem.

Nuncas são negações de verdades que podem sim ser possíveis de vez em quando. A questão é que lidar com o de vez em quando, lidar com nossos quandos, com o acaso, com a incerteza e a espera é angustiante.

E queremos nuncas, sempres, certezas. E tudo o que a vida nos dá são possibilidades. Eu venho tentando brincar com as minhas, explorá-las. Os meus nunca mais estão lá na minha caixinha colorida. Confesso que às vezes a tentação é de ir lá buscar algum, só para brincar com alguma nova certeza. Mas logo isso se vai também.

E eu fico aqui, brincando com o meu possível e com meus sonhos, porque esses sim, eu já tirei da caixinha colorida há um bom tempo.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Desejos de ano novo


Em 2010 vamos transformar "No" em "Now"!!!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

eu não me livro de mim

Hoje me deu vontade de tentar ler mais do meu próprio livro. Esse livro que eu imagino, que eu sonho e que existe bem aqui, dentro da minha cabeça. Ele existe tanto e tem tanta forma, tanta espessura e conteúdo que fica pesado demais para ele existir, porque eu sei que ele nunca vai condizer, enquanto crua realidade, com o que eu espero dele. Mas não acho que é pelo livro que eu estou esperando. O livro é um simbolo, é um significante. O livro sou eu. O livro já existe. Por que preciso dar forma a ele? Por que preciso me colocar em letras e versos para ser legível? Sou passivel de leitura e tradução? Alguém é? Preciso mostrar minhas letras a quem? Hoje sei bem quem pode me ler. Sei bem o que tento escrever. Eu sou uma tradução de um livro que ainda está sendo escrito. Hoje eu não consigo dar letras para sentimentos e talvez nem deva. Por que será que somos assim iletrados quando é para falar do coração?

É curioso como não sei dizer quem sou.
Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer.
Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento
em que tento falar não só não exprimo o que sinto
como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo."

Clarice

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Por uma vida menos ordinária

Prosaica é a escrita.
A vida é poética sempre