sexta-feira, 25 de setembro de 2009

A cura


Não é mais o teu olho que me sara
Agora o mundo é meu espelho
Não necessito do teu conselho
Porque sou eu quem me ampara

Recolhi as velas ao meu vento
Porque é só fechando meu corpo
abrindo mão do que chegou torto
que posso me acarinhar por dentro.

Sarar não é o mesmo que arder
Porque o que sara nem sempre cura
E não se sabe o quanto a vida é dura
Até viver a nobre lição do perder.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Pequena história de um sinistro

Invisível a si própria em seu próprio tráfego, ela andava desgovernada pela rodovia. A polícia então a para mas constata que era tarde demais. O acidente já havia acontecido há muito tempo: Insulfilm cobria seus olhos.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

RPM

Ele: Ei, me espera um pouquinho!

Ela: Não posso, estou atrasada.

Ele: Atrasada para que?

Ela: Para te resgatar! Tchau!

Ele: Mas eu sempre estive aqui...

(...)

Ele: Sou meio maluco, né? Eu sei que minha mente às vezes vaga por lugares meio insólitos e que sou meio marcado pela vida, mas não sei ser diferente.

Ela: E por que deveria?

Ele: Porque as vezes isso assusta. Sei lá, como se eu vivesse constantemente em uma rotação diferente do resto do mundo.

Ela: Mas eu acompanho a tua velocidade, sei em que mundo tu vives e eu não te perco, mesmo quando tu estás longe de mim. Eu sei o que tu pensas, sempre.

Ele: Eu nunca acreditei nisso, até agora. Mas hoje nem resisto mais. Tu sabes sim e essa tua capacidade de me acompanhar me assusta.

Ela: Então para de correr. Me espera e caminha comigo.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Cantos

Se me encanto
com meu corpo
em desalento
Te convoco
ao encontro
do canto
que eu canto
a cada pranto.
(...)
Encanta comigo?

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Sentido


Antes a visão
era surda
o ouvido, cego
o gosto arranhava
e eu ainda sorria

Agora os sentidos
voltaram aos seu lugares
e o meu sexto me diz:
Renova e cresce

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

O enredo mortal

Sou escritora, sou imaginativa e sou poeta sempre que posso. Na minha cabeça cabem sonhos, fantasias e devaneios. Sei que sempre fui pouco realista, que sempre habitei o terreno dos sonhos e que já machuquei quem fez parte de minhas criações.

Eu nunca quis ferir ninguém, nunca quis tornar ninguém principe encantado ou bruxa má. Os personagens são todos partes de mim, são projeções das minhas ilusões. Foi então que caí na realidade e me machuquei feio. Caí na realidade e vi pessoas de verdade ao meu lado. E pessoas de verdade não são como desenhos animados. Não são como o coiote que persegue o Papa-Léguas ou o Tom que persegue o Jerry. Eles não são esmagados, queimados, jogados de abismos e sobrevivem. Não. Pessoas reais morrem. Se machucam, se ferem. E cansam. E desistem.

Sempre fui Papa-Léguas porque corria e escapava. Sempre fui Jerry porque provocava e me entocava. Mas me dei mal.

Porque a vida não é um desenho animado; a vida não é novela. E o enredo que criei para a minha história até aqui não me deu audiência. Pelo contrário. Me enredei em meu próprio enredo e sufoquei. Na verdade eu sei a quem todo esse enredo foi dirigido. Mas nem mesmo ela viu. E eu já paguei caro demais por essas linhas tortas que fui escrevendo, só para tentar provar que sou uma criação animada para não dar certo.

Eu não sou cartoon. Eu sou real. Chega de escapar, chega de correr. Preciso saber quem fica ao meu lado se eu for constante e presente.

Não quero mais enredo nenhum.

Sou livre, real e mortal.

*Trilha sonora do devaneio: "Estrela, estrela" do Vitor Ramil

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Pense e Dance!

Primeira música da trilha sonora do dia!

Há quanto tempo eu não ouvia Barão e há quanto tempo uma música não se encaixava tão perfeitamente para o momento!

Cantei alto no carro, digito ela aqui para dividir!

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Penso como vai minha vida
Alimento todos os desejos
Exorcizo as minhas fantasias
Todo mundo tem um pouco de medo da vida

Pra que perder tempo desperdiçando emoções
Grilar com pequenas provocações?
Ataco se isso for preciso
Sou eu quem escolho e faço os meus inimigos

Saudações a quem tem coragem
Aos que tão aqui pra qualquer viagem
Não fique esperando a vida passar tão rápido
A felicidade é um estado imaginário

Não penso em tudo que já fiz
E não esqueço de quem um dia amei
Desprezo os dias cinzentos
Eu aproveito pra sonhar enquanto é tempo

Eu rasgo o couro com os dentes
Beijo uma flor sem machucar
As minhas verdades eu invento sem medo
Eu faço de tudo pelos meus desejos

Saudações a quem tem coragem
Aos que tão aqui pra qualquer viagem
Não fique esperando a vida passar tão rápido
A felicidade é um estado imaginário

Pense e dance
Pense
Pense e dance!