quarta-feira, 23 de setembro de 2009

RPM

Ele: Ei, me espera um pouquinho!

Ela: Não posso, estou atrasada.

Ele: Atrasada para que?

Ela: Para te resgatar! Tchau!

Ele: Mas eu sempre estive aqui...

(...)

Ele: Sou meio maluco, né? Eu sei que minha mente às vezes vaga por lugares meio insólitos e que sou meio marcado pela vida, mas não sei ser diferente.

Ela: E por que deveria?

Ele: Porque as vezes isso assusta. Sei lá, como se eu vivesse constantemente em uma rotação diferente do resto do mundo.

Ela: Mas eu acompanho a tua velocidade, sei em que mundo tu vives e eu não te perco, mesmo quando tu estás longe de mim. Eu sei o que tu pensas, sempre.

Ele: Eu nunca acreditei nisso, até agora. Mas hoje nem resisto mais. Tu sabes sim e essa tua capacidade de me acompanhar me assusta.

Ela: Então para de correr. Me espera e caminha comigo.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Cantos

Se me encanto
com meu corpo
em desalento
Te convoco
ao encontro
do canto
que eu canto
a cada pranto.
(...)
Encanta comigo?

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Sentido


Antes a visão
era surda
o ouvido, cego
o gosto arranhava
e eu ainda sorria

Agora os sentidos
voltaram aos seu lugares
e o meu sexto me diz:
Renova e cresce

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

O enredo mortal

Sou escritora, sou imaginativa e sou poeta sempre que posso. Na minha cabeça cabem sonhos, fantasias e devaneios. Sei que sempre fui pouco realista, que sempre habitei o terreno dos sonhos e que já machuquei quem fez parte de minhas criações.

Eu nunca quis ferir ninguém, nunca quis tornar ninguém principe encantado ou bruxa má. Os personagens são todos partes de mim, são projeções das minhas ilusões. Foi então que caí na realidade e me machuquei feio. Caí na realidade e vi pessoas de verdade ao meu lado. E pessoas de verdade não são como desenhos animados. Não são como o coiote que persegue o Papa-Léguas ou o Tom que persegue o Jerry. Eles não são esmagados, queimados, jogados de abismos e sobrevivem. Não. Pessoas reais morrem. Se machucam, se ferem. E cansam. E desistem.

Sempre fui Papa-Léguas porque corria e escapava. Sempre fui Jerry porque provocava e me entocava. Mas me dei mal.

Porque a vida não é um desenho animado; a vida não é novela. E o enredo que criei para a minha história até aqui não me deu audiência. Pelo contrário. Me enredei em meu próprio enredo e sufoquei. Na verdade eu sei a quem todo esse enredo foi dirigido. Mas nem mesmo ela viu. E eu já paguei caro demais por essas linhas tortas que fui escrevendo, só para tentar provar que sou uma criação animada para não dar certo.

Eu não sou cartoon. Eu sou real. Chega de escapar, chega de correr. Preciso saber quem fica ao meu lado se eu for constante e presente.

Não quero mais enredo nenhum.

Sou livre, real e mortal.

*Trilha sonora do devaneio: "Estrela, estrela" do Vitor Ramil

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Pense e Dance!

Primeira música da trilha sonora do dia!

Há quanto tempo eu não ouvia Barão e há quanto tempo uma música não se encaixava tão perfeitamente para o momento!

Cantei alto no carro, digito ela aqui para dividir!

******
Penso como vai minha vida
Alimento todos os desejos
Exorcizo as minhas fantasias
Todo mundo tem um pouco de medo da vida

Pra que perder tempo desperdiçando emoções
Grilar com pequenas provocações?
Ataco se isso for preciso
Sou eu quem escolho e faço os meus inimigos

Saudações a quem tem coragem
Aos que tão aqui pra qualquer viagem
Não fique esperando a vida passar tão rápido
A felicidade é um estado imaginário

Não penso em tudo que já fiz
E não esqueço de quem um dia amei
Desprezo os dias cinzentos
Eu aproveito pra sonhar enquanto é tempo

Eu rasgo o couro com os dentes
Beijo uma flor sem machucar
As minhas verdades eu invento sem medo
Eu faço de tudo pelos meus desejos

Saudações a quem tem coragem
Aos que tão aqui pra qualquer viagem
Não fique esperando a vida passar tão rápido
A felicidade é um estado imaginário

Pense e dance
Pense
Pense e dance!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Tatuagem

A cena começa comigo, esperando uma amiga para almoçar em uma calçada agitada dessa cidade, com meu passatempo predileto que é observar as pessoas passarem, cheias de brincos, óculos que escondem o rosto e passos perdidos ou achados.

Foi então que olhei o pé de uma mulher, que vestia um scarpin, e na parte de cima do pé, meio para o lado, uma tatuagem com alguma palavra escrita com uma estrelinha em cada lado. Parecia aquela tatuagem da Deborah Secco? Ou então da Carolina Dieckman? Ou então da sei lá quem que se apaixonou por sei-lá-que-outro-quem, mas já apagou com laser. Fiquei pensando nesse lance de tatuagem e logo peguei meu caderninho de devaneios para escrever.

A tatuagem surgiu e propagou-se como algo que vendia a idéia de tornar o corpo algo inédito, algum desenho que tornasse aquele corpo único, com uma marca, um nome ou um desenho que o diferenciaria de tantos outros corpos comuns. Mais do que isso: com um significado para aquela pessoa. Um sentido. Mas, como tudo que nasce com um propósito inicial, isso se subverteu e hoje vemos as mais malucas motivações que levam as pessoas a desenharem-se para a eternidade que o corpo durar.

Mas fiquei pensando que o propósito original já deixou de exisitir há tanto tempo... Porque agora nada mais é original. Desde que a Gisele fez, ter uma estrelinha no pulso já é tão comum quanto ter dois olhos e sobrancelhas. Peraí, mas a idéia não era ser original?

Pois é.

Isso foi o que me levou a pensar que na verdade, pouquíssimas pessoas desejam mesmo ser originais, diferentes. No fundo todo mundo quer ser réplica, quer reproduzir o que já "deu certo" ou o que já está na moda. Me deu uma pena daquele pé, de tantos pulsos, de partes de trás da cintura com o tal "Made in Brazil". Além do mais, fico aqui pensando que necessidade é essa de carregar o nome de alguém que amamos ou então de dizer uma frase que nos faz sentido, escrito na pele. O que interessa é o que está escrito na alma. Isso sim é eterno. Essa tatuagem é que dói para fazer, dá orgulho e quando temos que apagar, por alguma razão, dói muito mais do que qualquer raio laser. O que tatuamos na alma sim é eterno...

Mas não pensem que sou contra a tatuagem. Pelo contrário. Eu também tenho uma. Que tem um significado especial para mim e que sei porque a fiz. É pequena, simples e quem me conhece sabe o significado que tem para mim. Mas as da minha alma, essas também são poucas, as que são eternas. E estão comigo e não me arrependo de nenhuma delas.

E já que o tema parece meio bobo, termino com um bom Chico, que torna tudo profundo e belo sempre...
.:.
Quero ficar no teu corpo feito tatuagem
Que é pra te dar coragem
Pra seguir viagem
Quando a noite vem

(...)

Quero brincar no teu corpo feito bailarina
Que logo se alucina
Salta e te ilumina
Quando a noite vem
E nos músculos exaustos do teu braço
Repousar frouxa, murcha, farta
Morta de cansaço

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Não sei dizer o que faço aqui

Não sei dizer o que faço aqui

Só sei que venho e volto, bem aqui

Eu sei que congelo quando me afasto

Que derreto se chego perto demais

Não sei a forma de um poema perfeito

e desconheço jeito incólume de amar.

Se chegares e ainda me reconheceres

Avisa a todos que eu nunca fui poeta

Avisa que eu sou teimosa e exagerada

Que sou dramática e mentirosa

Que só tu conhece minhas verdades

e que uma delas é que eu não sou má.

Não sei dizer o que faço aqui

Eu não sei fazer poesia

Eu não sei quais palavras escolher

Só sei que me sinto escrava das letras

quando elas me açoitam por distratá-las

ou quando sabem que as estou usando para

me distanciar do que realmente sinto.

Me digam vocês, letras, quem sou

porque eu simplesmente,

Não sei dizer o que faço aqui.


***

Na verdade não sei o que se passa comigo hoje. Um ataque verborrágico informático bloguístico. Vontade de escrever sem parar. Uma vontade de escrever algo brilhante. Sabe aqueles textos antigos que tu encontra e depois fica pensando: "Puxa, eu mesma que escrevi isso? Adorei!". Pois é. Faz tempo que isso não acontece comigo. Ando meio sem inspiração, me sentindo pouco poeta, pouca prosa, pouca rima, pouca coisa.

Acho que são momentos. Foi uma semana cheia de chuva, uma semana de enchentes emocionais. Não gosto de ser reflexiva sempre. O coração às vezes me escapa e sai correndo por aí, desvairado e indomável, querendo me engolir.

Eu amo escrever, só não sei se a escrita me ama. Mas quem disse que o melhor do amor é ser correspondida? Óbvio que é bem melhor, mas eu adoro poder amar assim tanto. Amar só por amar. Adoro saber que eu aprendi muito nos últimos tempos. Tanto que eu queria começar tudo de novo. Então que eu possa amar hoje, que eu possa amar os ontens e esperar pelos amanhãs!

Eu creio para ver, sim!