
Desculpe o incômodo, meu amor, mas a minha campainha deve estar estragada. Não toca mais. Por isso é que você deve estar se perguntando a razão pela qual vem até minha porta dia após dia, toca, e som algum é emitido por ela. Não que eu esteja preocupada ou querendo voltar a falar com você.
Caso você esteja triste com a dificuldade de me encontrar, meu telefone foi cortado somente para receber ligações suas, não entendo o que se passa. Meu computador não recebe suas mensagens, meu carteiro se recusa a entregar cartas que tenham seu nome no remetente. As outras todas tem chegado. E não que eu fique cuidando, pois para mim é indiferente receber algo que contenha seu nome. Nem percebo a falta de sua presença.
Mas, por favor, não insista pois isso só lhe trará mais decepção. Não que eu esteja preocupada com seus sentimentos pois realmente estou me sentindo muito bem longe de você.
Não é por não querer-te bem, e sei que não é porque não me desejas mais. Simplesmente a você não é permitido mais o contato comigo por alguma razão que não nos compete. E não é preciso que se desculpe. Eu entendo que não é escolha sua. Sei que você adoraria me ter em seus braços de novo. Não que eu fique pensando nisso ou então pensando se em tal instante você estaria ouvindo a mesma canção do que eu. De forma alguma.
Mas, por favor, não insista em sua procura pois isso só deve estar lhe fazendo sofrer.
Eu? Eu não sofro. Eu fico aqui só a imaginar você sem mim. Não que eu esteja sentindo sua falta ou não suportando ficar sem você. Não se trata disso.
Porque eu estou ótima, escrevendo histórias de ficção sobre a dificuldade de se encontrar e as pequenas mentiras que as pessoas contam.