
Assisto impotente ele se debater contra o teto do prédio, machucando suas asas. Ele jamais poderia pensar que voando para baixo encontraria o caminho para sua liberdade. Pássaro aprende a voar para o alto, para frente. É assim que ele vive e acha que pode sobreviver. Mas nesses voos muitas vezes impensados ou não calculados pode-se entrar em armadilhas, que não são feitas por ninguém, que fique claro. Apenas acontecem. E então o menos provável para a salvação parece ser a ida às profundezas, a descida.
Sigo escutando o barulho angustiado das asas contra as paredes e penso em nós, em nossas encruzilhadas, e em nossos medos de voarmos para baixo, sem sabermos que muitas vezes é caindo que poderemos voltar a voar. E aprender a usar nossas asas para sermos efetivamente livres.