sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Tarja preta

Endovenoso quando
escorregar por minhas vias,
invadir meus órgãos,
irrigando todas as bordas
e superfícies internas.

Subcutâneo quando agir,
bordeando minha camada exterior,
sondando de perto a minha derme,
Me enxergando inteira por dentro,
drenando quem eu tento ser.

Oral quando eu o engolir e
for ele quem me devore, me sorva.
Percorrendo minha garganta e
indo direto ao meu estômago
Ora minha náusea, ora meu conforto.

Que seja essa a minha droga, meu remédio.
Que eu conheça toda sua posologia,
As contra-indicações,
E a dose que possa ser fatal.

Não quero mais bulas.

9 comentários:

  1. "drenando quem eu tento ser."

    Acho que drenando
    quem somos.
    Uma máscara
    - que curioso! -
    necessária
    para que possamos
    respirar...

    Tentarei escrever
    a respeito! : )

    Beijo, querida
    e bom fim de semana!

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  2. Rsrsrss... também não gosto de bulas, ou de listas, ou de emendas, ou leis ou muita ordem, nada que me impeça de mover-me de acordo com a minha vontade, nada que me impeça de viver conforme o meu próprio julgamento.

    Forte e belíssimo texto, Luciane, obrigada pela visita e o comentário tão carinhoso.

    Beijo grande!


    (PS.: tendo visto um erro de ortografia gravíssimo, corrigi o comentário! =* )

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  3. Uau!
    Achei um máximo este poema!

    Beijos!

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  4. Isso Re, vamos dialogando em forma de poesia. Beijao e bom fim de semana para ti tambem!
    ***
    Oi Kenia! Obrigada pela tua visita aqui também! Beijão!
    ***
    Que bom, Lara! Beijos!
    ***
    Ahahahaha! Essa via de administração não é poética aos meus ouvidos, Marcos! E nem aos dos leitores que por aqui passam, eua acho... :)

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  5. Digamos que perdeu-se um pouco do tom do texto original, mas gostei da criatividade! :)

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  6. Lu,

    eu lhe disse
    que escreveria a respeito.
    Presente pra você
    lá no doce de lira!

    Um beijo.

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  7. Presentão! Amei, Re!
    Obrigada de coração!
    Beijo!

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  8. olá!
    eu acho as bulas o q tem de mais 'curador' nos pharmakos!
    "...trato-me, pois, com isto
    mas não sei se o medicamento
    ou se seus meros signos
    que me são efetivos."

    mas o poema teu... pega na veia e na alma!
    muito bom!

    abraços
    o/

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  9. Olá, moça Luciana!

    Cheguei aqui pelo blog Doce de Lira. E gostei desse! =)

    Havia lido o "Comprimida", que a Renata escreveu lá, e que, segundo ela, foi mei que inspirado nesse teu...

    Mas... Sei lá... Achei esse teu "Tarja preta" tão mais intenso, digamos...

    Me fez lembrar o meu "Placebo"...

    Prazer em ler! Até a próxima!

    =*

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