quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Descosturas


Se tu soubesses como eu quis te curar. Se eu soubesse desde o princípio que palavras não curam nada. Palavras encruam quando é o corpo que padece. Tu estavas cansada, entregue. Aventurei-me contigo porque sabíamos que tu queria mais do que um corpo doente podia. Querias te reconciliar com a fortaleza que tu criou, derrubar as tuas certezas. E eu fui contigo; apedrejamos, dinamitamos, arrebentamos. Sentimos juntas as escoriações.

Mas era teu o corpo que sofria. E foi ele a barreira final contra a qual nada pudemos fazer. Tu não conseguiu me avisar, ou eu não consegui ouvir. Sei que foi assim. E talvez seja assim simples mesmo. O corpo é sempre nosso obstáculo final, e ele só avisa isso no fim. Eu sigo aqui na minha luta, na luta que fiz contigo, em todas as minhas outras lutas.

Meu corpo segue.

6 comentários:

  1. A luta, no fim das contas, também vira lua... Bj

    ResponderExcluir
  2. Amei esse comentário, Marjorie! Obrigada! Beijo para ti!

    ResponderExcluir
  3. Lu, nao ensombre. Ilumine. Voce é linda...

    ResponderExcluir
  4. Luciane,




    A impermeabilidade do corpo, como papel-filme.







    Beijos,









    Marcelo.

    ResponderExcluir
  5. Uma boa imagem essa Marcelo, do corpo impermeável e ao mesmo tempo tão transparente. Legal te ver por aqui!

    ResponderExcluir