quinta-feira, 25 de março de 2010

O meu identificador

O recurso que eu mais uso no meu celular é o identificador de músicas. Uma coisinha maravilhosa que me permite gravar 10 segundos de qualquer canção que esteja tocando no rádio, em alguma loja ou restaurante e me diz qual é essa música e de qual artista.

Já descobri muita coisa boa graças a esse recurso maravilhoso, como Hot Chip (sem comentários de tão bom), Friendly Fires, Delorean, Florence & The Machine (minha atual paixão musical), Smoove Turrell entre outros.

Daí é lógico que eu pensei: como eu queria que o meu celular tivesse um identificador de pensamentos e sentimentos. Meus e dos outros. Era só apontar e em 10 segundos todas as respostas apareceriam ali. Simples assim. Mas acho que a vida e as relações não teriam a mesma graça se desvendar ao outro e a nós mesmos fosse assim tão fácil.

E eu não teria trabalho. :)

segunda-feira, 22 de março de 2010

A sombra da maldade


Nem há muito o que elaborar nesse assunto no momento, mas tudo que eu preciso dizer é que, apesar de saber que todo ser humano tem um potencial para a maldade dentro de si, eu acabo sempre me surpreendendo quando me deparo com ela em alguém que é ou foi próximo. Ou eu sou muito ingênua ou as pessoas cada vez menos dão valor à palavra, à honra e ao caráter. E vocês podem me perguntar se, ainda assim, eu sigo crendo para ver. A resposta certamente é sim, eu sigo, mas agora muito mais cuidadosa para saber em quem e no que eu creio. Porque certas pessoas podem receber o crédito da confiança e nunca nos mostrarem nada. Simplesmente porque nunca tiveram nada. Simples e triste assim.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Contraelegia

Mi único tema es lo que ya no está
Y mi obsesión se llama lo perdido
Mi punzante estribillo es nunca más
Y sin embargo amo este cambio perpetuo
este variar segundo tras segundo
porque sin él lo que llamamos vida
sería de piedra.

Jose Emilio Pacheco

terça-feira, 9 de março de 2010

Sobre faróis e ferrolhos

Se tem algo que eu adoro fazer e que acho que me ajuda no meu trabalho e na minha vida é usar metáforas. Acho que uma metáfora bem utilizada pode explicar muito, pode tornar as coisas mais compreensíveis, mais visuais, mais palpáveis. Porque às vezes a gente precisa de um pouco de concretude na vida.

Hoje fiz alusão a uma brincadeira de polícia e ladrão para "ilustrar" o momento dificil que uma pessoa vem enfrentando. Porém, nessa nossa "brincadeira" de adultos, nem sempre há quem seja o ladrão para que possamos dele fugir ou atrás dele correr. Muitas vezes a vida nos coloca em situações nas quais fugimos de algo que não podemos enxergar e, consequentemente, não sabemos nem quando estará por perto. Isso assusta. E falei para a pessoa que nessa hora tudo o que a gente precisa é de um ferrolho. Aquele lugar seguro onde não podemos ser pegos. O lugar que nos oferece imunidade. E cada vez mais raramente na vida temos ferrolhos. E esquecemos de como procurá-los e que devemos procura-los. É como se estivessemos constantemente numa corrida de polícia e ladrão, sem saber exatamente quando estamos perseguindo ou sendo perseguidos; e mais, o ladrão pode sempre mudar.

E ontem pensei em outra metáfora de algo que parece que vamos tendo cada vez menos ao longo da vida: um farol. Aquela torre que em meio à escuridão orienta os navios para qual rumo seguir, que confirma se a embarcação está mesmo na rota certa. Não sei o que é mais importante na vida: um ferrolho ou um farol. O que eu acho é que precisamos de todos os recursos possíveis para viver e seguirmos com nossas brincadeiras e nossas viagens. E cada vez mais vamos vivendo e descobrindo que nossos ferrolhos e faróis são lugares que temos que buscar dentro de nós, e dentro das pessoas que amamos e que se mostram disponíveis para isso. Porque, como já dizia o poeta, é impossível ser feliz sozinho.