terça-feira, 31 de março de 2009

Ele é meu professor...

"Meu maior medo é viver sozinho e não ter fé para receber um mundo diferente e não ter paz para se despedir.

Meu maior medo é almoçar sozinho, jantar sozinho e me esforçar em me manter ocupado para não provocar compaixão dos garçons.

Meu maior medo é ajudar as pessoas porque não sei me ajudar.

Meu maior medo é desperdiçar espaço em uma cama de casal, sem acordar durante a chuva mais revolta, sem adormecer diante da chuva mais branda.

Meu maior medo é a necessidade de ligar a tevê enquanto tomo banho.

Meu maior medo é conversar com o rádio em engarrafamento.

Meu maior medo é enfrentar um final de semana sozinho depois de ouvir os programas de meus colegas de trabalho.

Meu maior medo é a segunda-feira e me calar para não parecer estranho e anti-social.

Meu maior medo é escavar a noite para encontrar um par e voltar mais solteiro do que antes.

Meu maior medo é não conseguir acabar uma cerveja sozinho.

Meu maior medo é a indecisão ao escolher um presente para mim.

Meu maior medo é a expectativa de dar certo na família, que não me deixa ao menos dar errado.

Meu maior medo é escutar uma música, entender a letra e faltar uma companhia para concordar comigo.

Meu maior medo é que a metade do rosto que apanho com a mão seja convencida a partir com a metade do rosto que não alcanço.

Meu maior medo é escrever para não pensar."

Fabrício Carpinejar

...e o meu maior medo é que eu não aprenda a lição...

segunda-feira, 30 de março de 2009

A carta de amor mais linda

Coisa mais linda ler essa carta de amor dele.
Uma das mais lindas que já li até hoje.
Até hoje.
Porque só tenho 30 anos
e muitas cartas de amor pela frente.


p.s. as partes em azul são grifo meu. Lindas de doer. E foram arbitrária e pretensiosamente grifadas.

***
O Desaparecido
Rubem Braga

Tarde fria, e então eu me sinto um daqueles velhos poetas de antigamente que sentiam frio na alma quando a tarde estava fria, e então eu sinto uma saudade muito grande, uma saudade de noivo, e penso em ti devagar, bem devagar, com um bem-querer tão certo e limpo, tão fundo e bom que parece que estou te embalando dentro de mim.

Ah, que vontade de escrever bobagens bem meigas, bobagens para todo mundo me achar ridículo e talvez alguém pensar que na verdade estou aproveitando uma crônica muito antiga num dia sem assunto, uma crônica de rapaz; e, entretanto, eu hoje não me sinto rapaz, apenas um menino, com o amor teimoso de um menino, o amor burro e comprido de um menino lírico. Olho-me no espelho e percebo que estou envelhecendo rápida e definitivamente; com esses cabelos brancos parece que não vou morrer, apenas minha imagem vai-se apagando, vou ficando menos nítido, estou parecendo um desses clichês sempre feitos com fotografias antigas que os jornais publicam de um desaparecido que a família procura em vão.

Sim, eu sou um desaparecido cuja esmaecida, inútil foto se publica num canto de uma página interior de jornal, eu sou o irreconhecível, irrecuperável desaparecido que não aparecerá mais nunca, mas só tu sabes que em alguma distante esquina de uma não lembrada cidade estará de pé um homem perplexo, pensando em ti, pensando teimosamente, docemente em ti, meu amor.

Um sonho de simplicidade


"Então, de repente, no meio dessa desarrumação feroz da vida urbana, dá na gente um sonho de simplicidade".

Início perfeito dessa crônica de Rubem Braga que li ontem à noite. E essa frase transmite exatamente isso. Um desejo que tantas vezes nos passa despercebido. De ser simples. De amar simples, de dizer as coisas de um jeito simples. Esse mesmo autor me contou ontem, baixinho antes de eu dormir, que o que deve impressionar em um bom poeta é sua faculdadde de dar um sentido solene e alto às palavras de todo dia.

É ver o café da manhã com olhos de banquete. É dar bom dia no trabalho como se aquele fosse um dia dos mais felizes, ou então dos mais dramáticos, mas que não seja reles nem comum. Hoje não é só mais um dia. Hoje não é apenas mais uma segunda-feira. Hoje é agora. E agora tem uma vida maravilhosamente simples se apresentando a nós.

E assim vou vivendo meu sonho de simplicidade.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Manhãs

Que dizer ao mundo quando meu silêncio ensurdece o travesseiro?

quinta-feira, 26 de março de 2009

Farol

Essa então é tua vida? Assim que tu tens passado os teus dias? Estás com fome de que? Venho te observando de perto e sei que tu não estás tão bem quanto gostaria. Sei também que esse teu mal estar de certa forma sempre foi desejado por ti. Tu que sempre parecia contente aos olhos do mundo. Agora o mundo sabe que não és sempre contente. E que não és sempre boa ou lógica.

Vais fazer o que com isso agora?

Onde vais colocar tua angústia? Eu sei o quanto dói perceber que se quisermos nossa vida vira um teatro. E o quanto dói não fazer essa escolha. Optar pelo real e pelo cotidiano. Suportar os próprios fantasmas. Suportar o anonimato da dor.

Mas tens um mundo lindo dentro de ti. E eu sei que tu sabe disso. Sei que tu sabe que tu ajuda as pessoas, mesmo que tantas vezes tu leve um alento que não te acalma. Agora tens que saber te ajudar. Escolher as palavras certas para tuas interrogações. Oferecer o sorriso certo para tuas incertezas.

Então fazes poesia e tem um mundo todo de palavras não ditas. Não importa o quanto és boa nisso ou não. Mas estás aprendendo. Estás no caminho. Vejo que começastes a perceber que a raiva também ensina. E que ser odiada ou invejada não faz mal algum, pelo contrário, até pode ensinar alguma coisa.

Fica calma, minha irmã. Segue com serenidade e tempestade teu caminho. Não te assusta. Eu estou contigo. Peça ajuda quando precisares mas saiba ser tua própria conselheira. Às vezes conselhos alheios são perigosos. Talvez até esses aqui o sejam.

Confia no quanto tu te conhece.

Confia e navega.

Hoje é Adélia quem fala por mim


Não quero faca, nem queijo. Quero a fome.

terça-feira, 24 de março de 2009

palavras

É por isso que eu sigo me aventurando na escrita.



E é por isso que eu amo esse filme.

Humana, demasiado humana

Onde está o concreto? Onde está o palpável?
Ontem ouvi que a poesia de verdade humaniza e fala de uma realidade simples e divina. Pequenas epifanias do dia a dia. Quero fazer poesia da minha vida. Humanizar as coisas, não divinizar. Porque o endeusamento afasta. Distancia.
Então eu venho humanizando tudo. Não quero mais transcendência em todas as coisas, como sempre busquei. Quero um pouco do real. A verdade sempre.
Então tem dias que o vento me esmaga como se fosse uma parede de concreto. Muito real.
Há dias em que minha saliva é grossa como cimento, e engolir se torna um desafio, uma luta.
Mas em outros meu arrepio é como uma onda de abraços invisíveis, que me cercam e me acalentam. Minha alegria é uma noite de fogos de artifício.
Agora sou assim.
Concreta e palpável.
Real e poética.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Corpo e alma


Ontem eu fui à exposição "Corpo humano, real e fascinante".

Observando aquilo tudo, tudo aquilo de que somos feitos, nossas células, nossos vasos sanguíneos, nossos órgãos, fiquei pensando onde fica a nossa alma nisso tudo, nossos sentimentos, nossos pensamentos...e eles mexem completamente com toda essa rede orgânica.

No fundo, são eles que comandam tudo. Acho que eu queria uma exposição dessa parte do ser humano.

"Mente humana, complexa e fascinante". Mas não tem jeito. Essa nossa parte é invisível, não tem como fazer uma exposição disso. Essa é uma exposição individual, sem platéia.

É surpreendente, assustadora e às vezes incompreensível.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Yet

Era a palavra que eu precisava ouvir para o meu dia de hoje, e eu nem sabia. Chegando no hospital para trabalhar, cheia de idéias e reflexões, a senhora atravessa a rua na sinaleira em frente ao meu carro com uma camiseta com essa estampa enorme, com letras garrafais: YET!

Yet. Ainda. Não ainda, aprendendo ainda, vivendo ainda, escorregando ainda... Mas somente ainda.

Me deu aquela sensação boa de que é só ainda, e que um dia esse ainda vai cessar, nem que seja somente por um tempo, e então eu talvez alcance a palavra ALREADY.

quinta-feira, 19 de março de 2009

A vida é a própria arte. A arte é a própria vida

Ontem eu assisti pela segunda vez o filme "O amor não tira férias". Filme simples, sem maiores pretensões além de ser mais um filme americano água com açucar. Mas ele tem alguns presentinhos ao longo do percurso. Falas importantes.

Quando ele acabou eu só pensava em uma frase: Por que a vida não imita a arte? Por que as coisas que acontecem nos filmes (coincidências, atrapalhações, alegrias, surpresas) não acontecem no nosso dia a dia? Dormi pensando nessa frase. Mas acordei pensando que na verdade a vida já é a própria arte. Já é cheia de cenas emocionantes, cheia de finais felizes e infelizes. A única diferença é que aqui, ainda bem, o filme continua depois dos finais. A gente acompanha a sequencia. Que às vezes pode ser maravilhosa, as vezes pode dar tudo errado. Nem sempre é tão emocionante e cheia de aventuras. Mas é nossa. É o nosso roteiro. Se está entediante, triste ou se é cheia de emoções e alegrias, a responsabilidade é de cada um.

A minha vida é arte. A arte é a minha vida. Vou tentar escrever um ótimo roteiro para o meu dia de hoje. Todos os dias.

Bom dia!

"Iris, in the movies we have leading ladies and we have the best friend. You, I can tell, are a leading lady, but for some reason you are behaving like the best friend"

quarta-feira, 18 de março de 2009

Condicional da alegria


Estou em liberdade condicional da minha alegria. Ela me liberou por algum tempo, e se eu não infringir nenhuma das normas impostas, posso manter-me distante dela por algum tempo sem maiores punições.

Eu quero estar assim, liberta da prisão da alegria. Porque estar sempre contente pode se tornar uma obrigação. E um fardo. Já não aceito mais estar sempre sorrindo como antes. Sempre solícita. Sempre compreensiva.

Agora eu também flerto com a ira, com a agressividade, a irritação e a tristeza. As lágrimas agora não são refugiadas de uma tristeza clandestina. Agora, quando elas precisam me visitar, elas chegam anunciadas, legítimas. Essa tem que ser a minha verdade.

Porque eu sou de carne e osso. Porque sou humana e ainda estou aprendendo a lidar com a minha solidão.

terça-feira, 17 de março de 2009

less

Speechless
Wordless
Senseless
Careless
Mindless

It gets painful
to be so thoughtful

segunda-feira, 16 de março de 2009

Competindo comigo


Ontem eu corri minha primeira prova oficial de corrida. Meus primeiros 10 km.

A emoção foi bem parecida com a que eu tinha imaginado que seria. A adrenalina da largada, a preparação das equipes antes disso, aquele grupo de pessoas todas reunidas com um propósito em comum, independente das condições do tempo. Todos estavam ali querendo correr, querendo saúde. E essa energia é contagiante.

É dada a largada.

Os primeiros 5km são de uma energia incrível. Quando terminei o terceiro me sentia com energia para correr muito mais e muito mais rápido. Estava com todo o gás. Mas aí entra o que na vida a gente precisa tanto, mesmo que nem sempre seja possível usar: estratégia. Eu pensei que eu teria mais 7km pela frente e que não poderia me empolgar naquele momento e gastar essa preciosa energia. Me poupei. Acho que fiz bem, pois no sétimo quilometro eu travava a batalha mais desafiadora comigo mesma: a batalha com a minha mente.

Meu corpo cansado e minha mente com pensamentos pedindo para parar e caminhar um pouco. Mas eu não podia. Eu não aceitaria caminhar. Porque a minha briga não era com os outros corredores, nem com o relógio. A minha briga era comigo. Com a minha resistência e com minha capacidade de persistência. E ali a corrida representava a minha persistência para com todos os meus objetivos pessoais. Eu não me perdoaria se eu desistisse assim. Se eu me entregasse. Do mesmo jeito que não vou me perdoar se eu desistir de tantos outros objetivos e sonhos que tenho para mim.

Aí entra o recurso fantástico da fantasia. A gente imagina cenas ou pessoas que nos estimulam, que querem ver a gente vencer, avançar, correr. A gente pensa no final prize. E então a gente corre. Mesmo cansada. E a sensação que dá quando a gente vê a placa dos 500 metros restantes, e ao fundo a linha de chegada, é de uma renovação da garra e uma gana, vindo à mente uma série de outros objetivos que eu ainda quero alcançar e dos quais eu não desisitirei facilmente, e para os quais eu vou dar o mesmo sprint que eu dei naquela reta final, dando tudo o que eu podia, mirando a linha de chegada e correndo muito.

Enquanto eu tiver minha imaginação, minhas pernas e meus sonhos, não tem distância ou desafio que eu não vá vencer.

sábado, 14 de março de 2009

New Soul



É isso.
O futuro todo sempre esteve assim, lindo, dentro de mim.

sexta-feira, 13 de março de 2009

quinta-feira, 12 de março de 2009

Just

Let me take care of your demons
so that I can reveal my own.

Show me your weakness
so I can mix it into mine.

Give up trying to forget
so that I can bring my memories back.

Embrace your life
so that I can be proud of mine

Cry a million tears with a single song
so that I remember the truth

Lend my tenderness
so that you find sweetness hidden in your sarcasm

Hold my hand and sing our song
so that I can hear myself again

Embrace me as I was eternal
so that I can learn how to die

Kiss me as I was your own body
so that I can lose my boundaries

Read me like there was no yesterday
so that I can learn to be blind facing tomorrows

Turn my sorrow into rain drops
so you can lick them as they're your favourite wine

Just keep loving me
so that I remember that you always did.

quarta-feira, 11 de março de 2009

O além de mim

Quero descobrir páginas escondidas no meu caderno de devaneios. Escritos perdidos. Idéias que eu nem sabia que me pertenciam. Me ler como quem se enxerga de fora. E gostar de quem eu descubro.

Sinto dor pelos textos lindos que eu já perdi por nunca terem deixado meus pensamentos e aterrisado no real, porque não fui corajosa para encarar uma folha em branco.

Sinto medo de tantas idéias absurdas, escandalosas e perversas que ainda nem me permiti ter.

Sinto gana de revelar a mim mesma segredos que ainda escondo sem perceber.

Sinto vontade de mais e mais escrever. De mais e mais sentir. De mais e mais viver.

terça-feira, 10 de março de 2009

O incêndio de cada um

Cada um tem um momento, um gesto, um ato em que se individualiza e brilha. Nisto nos parecemos com os animais e peixes ou quem sabe com as nuvens. Animais e peixes tem isto: tem trejeitos raros e sedutores, cada um segundo sua espécie. Até as nuvens, como eu dizia, tem o seu momento de glória.

Uma vez vi um pintor em plena ação, pintando. Meu Deus! O homem era um incêndio só, uma alucinação. Sua respiração parou, ele praticamente bufava, parecia mais um cavalo de corrida, indômito, indócil. E sua face vibrava, havia febre nos seus gestos. Era uma erupção cromática, um assomo de formas e volumes.

Então é disso que eu estou falando. Dessa coisa simples e única, quando o que um tem de mais seu relampeja a olhos vistos. Quando isto se dá quebra-se a monotonia e o indivíduo se transcendentaliza.

Isto é o que importa: o incêndio de cada um. Cada qual deve ter um jeito de deflagrar sua luz aprisionada. As flores fazem isso sem esforço. Igualmente os pássaros. Todos tem seu momento de revelação. É aguardar, que o outro alguma hora vai se manifestar.

Affonso Romano de Sant'Anna

segunda-feira, 9 de março de 2009

Jukebox

Minha vida anda parecendo muito com os episódios da minha série favorita. Parece que cada dia apresenta uma lição ou assunto sobre o qual eu tenho que refletir, aprender ou rever.

Hoje eu acordei pensando na repetição. Em termos técnicos psicanalíticos, na Compulsão à repetição. Todos temos esse potencial e essa necessidade. Quantas vezes nos enxergamos repetindo atitudes, padrões de comportamento dos quais a gente luta tanto para fugir, fazer diferente, e quando nos damos por conta, pronto. Lá estamos nós, na mesma situação de antes, no mesmo tipo de relacionamento, no mesmo tipo de briga, tendo as mesmas reações diante dos mesmos problemas, discutindo sobre as mesmas coisas. Empacados.

O grande problema é que as repetições vêm muitas vezes camufladas. O ser humano é inteligente não só para seu benefício mas também para o prejuízo. Às vezes nos boicotamos e mascaramos as repetições que nos prejudicam para não vê-las.

"Mas como somos burros" podemos pensar.

É verdade. Somos bastante burros. A neurose é burra. Mas ela tem um propósito. Cada um de nós tem uma maneira única de se defender na vida, de proteger o próprio psiquismo das maluquices e dificuldades que todos enfrentamos diante da vida.

A gente só vai parar de repetir quando elaborar o conflito que a repetição quer nos mostrar. A gente só repete porque precisa resolver. Porque precisa aprender algo. Enquanto não resolvermos, vamos seguir repetindo os mesmos conflitos, apenas com uma roupagem diferente. E quem se trata sabe o quanto dói perceber que estamos fazendo as mesmas coisas de novo. Não é por mal, não é por fraqueza. É porque simplesmente não é fácil viver. Não é fácil modificar padrões de comportamentos que adotamos há tantos anos e que, bons ou não, nos serviram, nos são conhecidos.

A mente humana é complexa. Nossas neuroses nos beneficiam, de alguma forma. Porque a gente ainda não consegue vislumbrar a vida sem essa repetição antes de modificá-la e perceber o quanto é bom!
É a vida na próxima faixa do disco. Se eu só conheço uma melodia será nela que eu vou me sentir confortável, e é nesse ritmo que eu sei dançar. Mas ficar repetindo a faixa não faz trilha sonora. E a mesma música enjoa. Cansa. Dançar sempre do mesmo jeito perde a graça. A vida perde o encanto.

Eu venho tentando, venho aprendendo. Eu avanço, repito, retrocedo. Enquanto isso vou dançando como posso.

Enquanto eu ainda tiver moedas, minha trilha sonora prossegue.

P.S. E nesse momento, na minha jukebox tá rolando um Parabéns a Você


sexta-feira, 6 de março de 2009

Mas...

... e se o mundo acabasse hoje? Eu ando pensando nessa vida finita e seus questionamentos infinitos. Ando pensando em como é bom viver. No poder que a gente tem de mudar tudo que não nos serve a cada minuto. Mas também quanto medo nos acompanha em nossa jornada e que tantas vezes nos paralisa.

Hoje sinto que tenho que inundar o mundo com minhas vontades, encharcar as pessoas de mim. Hoje eu sou inteira. Chata, alegre, espontânea, contente e assustada. E às vezes insegura e também carente. Sou assim. Eu posso ser.

Não tenho medo da morte. Tenho medo é de não viver, tenho medo de esquecer das lições que eu aprendo. Tenho medo de esquecer de conversar de verdade. Não quero mais quem não queira me conhecer. Não quero mais quem não queira se conhecer!

Ando pensando nas relações artificiais, ando refletindo sobre esse mundo virtual que nos protege mas que também de certa maneira nos alimenta. Questiono a falsidade, questiono as máscaras mas não quero que isso me ocupe a ponto de fazer com que eu esqueça de tirar as minhas. Porque eu não sou mais hipócrita. Porque eu sei que não dá para ser feliz o tempo todo. E justamente isso é o que me alegra. Simplesmente ser.

Vou assim, complexa e feliz, rumo ao meu final de semana.

terça-feira, 3 de março de 2009

Quem somos nós?

Eu quero saber quem é você
no dia em que você não saiu bem na foto.
No dia em que você escolheu mal a sua roupa.
Naquele dia em que você falhou.
O dia em que decepcionou alguém.

Quero saber quem é você quando tudo dá errado,
Quando você acorda e o seu cabelo parece péssimo.
O dia em que você acorda doente, com olheiras.
No dia seguinte a um porre desmedido e estúpido.

Quero conhecer você quando cometer um erro
Quando aparecer seu preconceito, o que de pior há em você
Só então me diga quem você é.
Só então acredite que você conhece a si mesmo.
Até lá, você é apenas mais uma pessoa comum,
querendo parecer o que ainda não é.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Engatada

Eu sempre odiei gatos e amei cachorros. Gato para mim sempre foi uma criatura irritante, arisca e fria. Me irritava ver gatos na casa de amigos ou familiares, em que a gente chama, chama, e eles apenas olham com um olhar indiferente e viram as costas. Não conseguia entender como alguém poderia considerar esse animal como sendo de estimação. Eu nunca estimei um gato. Até que em 2008 a solidão na porta de casa começou a incomodar. Sentia falta de algum bichinho por perto.

Por insistência de amigos e colegas do hospital entrei no site Bicho de Rua para ver algum gato que pudesse me interessar, já que cachorro em apartamento é complicado, ainda mais para quem vive sozinha e fora de casa o dia todo.

Mesmo apreensiva, adotei. E adorei. Hoje a Amy vive comigo no meu cantinho e digo sem medo de errar que foi uma das minhas melhores atitudes do último ano.

Gatos não são como cachorros. São diferentes. Uma grande amiga uma vez me disse “Cachorro a gente tem. Gato a gente convive”. Essa frase nunca saiu da minha cabeça e ela cabe muito bem para os relacionamentos humanos.

Quantas vezes tratamos pessoas como cachorros, julgando que eles sintam amor incondicional por nós, que podemos xingar, afastar, bater e eles estarão sempre lá, abanando os rabinhos com a língua de fora sempre que NÓS precisamos deles.

Gatos são diferentes. Eles vem receber carinho porque querem. Eles dão carinho quando querem. Isso às vezes irrita? Lógico. Mas é um exercício de convivência. E assim como com os gatos, não podemos ter o carinho do outro só quando nós precisamos. Precisa ser na hora em que esse outro também esteja disposto a dar esse carinho. E precisamos retribuir também. Respeitar. Um gato quando é machucado ou pisado, mesmo que acidentalmente, se afasta, se ressente, e não é assim tão simples se retratar quanto com um cachorro.

Gatos são sensíveis. Eles passam a conhecer o dono e seus humores de uma maneira incrível. Minha gata sente quando eu estou triste, quando eu estou mais quieta. Se aproxima e me afaga quando eu choro. E ela também tem os dias dela. Às vezes está agitada quando eu não gostaria, recolhida, às vezes um pouco agressiva. Mas eu preciso aprender a respeitá-la também. Saber conviver e entender. Ela não gosta de grude. Ela gosta de presença. De apenas sentir meu calor por perto.

É. Temos muito o que aprender com os gatos. Porque amor se conquista com troca, não com imposição.

Vontade de Cecília...


Basta-me um pequeno gesto,

feito de longe e de leve,

para que venhas comigo

e eu para sempre te leve...


Cecília Meireles